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Q3915124 Medicina
Um homem de 55 anos, com história de consumo de álcool 60 g/dia durante 20 anos (atualmente abstinente há 6 meses), procura o Programa Saúde da Família (PSF) com queixa de ascite progressiva, edema de membros inferiores, icterícia leve. Exame físico: eritema palmar, telangectasia, hepatomegalia de borda dura. Laboratorial: AST 185 U/L, ALT 52 U/L, bilirrubina total 3,2 mg/dL (direta 2,1 mg/dL), albumina 2,8 g/dL, TP 18 seg (INR 1,8), plaquetas 95.000/μL. Ultrassom abdominal: fígado heterogêneo com arquitetura grosseira, ascite moderada, fluxo portal revertido. Com base no caso, a complicação mais provável em curto prazo e o achado clínico/laboratorial que sinaliza risco elevado é:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O dado discriminativo é o fluxo portal revertido ao ultrassom, associado a ascite e plaquetopenia, que caracteriza hipertensão portal clinicamente significativa em cirrose descompensada e aponta maior risco de colaterais portossistêmicas/varizes, tornando a hemorragia varicosa a complicação mais provável.

Tema central: Hipertensão portal avançada
Análise das alternativas
A
Errada
Errada porque síndrome hepatorrenal exige disfunção renal funcional em cirrótico avançado, e o enunciado não traz creatinina, oligúria ou outro dado renal que permita priorizar essa complicação. Além disso, a associação de INR elevado e hipoalbuminemia com fasciola hepática é tecnicamente incorreta e não tem relação com o mecanismo da síndrome hepatorrenal.
B
Errada
Errada porque o critério técnico apresentado para PBE está errado. PBE não é definida por volume de ascite; o dado diagnóstico relevante é neutrófilos no líquido ascítico ≥250 células/mm3. O caso não fornece paracentese nem sinais infecciosos que apontem PBE como complicação mais provável imediata. A presença de ascite isoladamente não caracteriza PBE.
C
Certa
Correta porque o caso reúne sinais de hipertensão portal avançada, especialmente ascite, plaquetopenia e fluxo portal revertido, que se associam a colaterais portossistêmicas e maior risco de sangramento por varizes esofágicas. A alternativa é a que melhor corresponde ao eixo fisiopatológico dominante do enunciado.
D
Errada
Errada porque encefalopatia hepática é inferida clinicamente, e o enunciado não traz alteração do estado mental, flapping ou fator precipitante. Bilirrubina elevada e albumina baixa indicam gravidade da hepatopatia, mas não são marcadores específicos de retenção de amônia nem permitem concluir risco iminente de encefalopatia por si sós.
Pegadinha da questão
A banca mistura complicações possíveis da cirrose, mas o dado que realmente pesa é a hipertensão portal avançada; a principal confusão explorada é usar ascite para pensar automaticamente em PBE ou usar piora laboratorial hepática para inferir encefalopatia, ignorando o valor decisivo da plaquetopenia e do fluxo portal revertido como marcadores de risco varicoso.
Dica para questões semelhantes
  • Em cirrose, priorize o eixo fisiopatológico dominante do caso: ascite + plaquetopenia + sinais de hipertensão portal apontam primeiro para complicações portais, especialmente varizes.
  • Fluxo portal revertido no ultrassom deve ser lido como marcador forte de hipertensão portal avançada.
  • Não aceite critério técnico errado: PBE depende de neutrófilos no líquido ascítico ≥250/mm3, não do volume da ascite.
  • Não conclua síndrome hepatorrenal ou encefalopatia sem os marcadores específicos correspondentes: dado renal para SHR e achado neurológico para encefalopatia.

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