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Q3915122 Medicina
Paciente de 70 anos com história de tabagismo apresenta claudicação intermitente em membro inferior direito. Ao exame físico, identifica-se ausência de pelos, unhas espessadas e úlcera no calcâneo direito com contornos regulares, fundo limpo e muito dolorosa. Sobre o caso, é CORRETO afirmar que:
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: A semiologia do caso é de doença arterial periférica crônica: idoso tabagista com claudicação, rarefação de pelos, alterações tróficas ungueais e úlcera distal muito dolorosa em calcâneo. Esse conjunto favorece úlcera arterial/isquêmica e afasta as etiologias venosa, neuropática e mista, sustentando o gabarito A.

Tema central: Úlcera arterial isquêmica
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A é a correta porque é a única que acompanha o eixo etiológico realmente descrito no caso: insuficiência arterial crônica. O enunciado traz fatores de risco e manifestação clássica de doença arterial periférica aterosclerótica, com claudicação intermitente em fumante idoso, além de sinais tróficos de hipoperfusão crônica, como rarefação de pelos e distrofia ungueal. A úlcera é distal, em área de pressão, e muito dolorosa, padrão compatível com úlcera isquêmica arterial. Há ressalva terminológica: a expressão "úlcera arterial de Martorell" é tecnicamente discutível, porque Martorell costuma designar úlcera hipertensiva isquêmica, não a úlcera arterial aterosclerótica clássica de calcâneo; ainda assim, dentro das opções, a banca claramente usa essa alternativa para representar a etiologia arterial.
B
Errada
Está errada porque a semiologia do caso não é de úlcera venosa por hipertensão crônica. Úlcera venosa costuma ocorrer em região perimaleolar medial e vir acompanhada de edema, hiperpigmentação e dermatite de estase. Aqui, o quadro dominante é de isquemia arterial: claudicação, tabagismo, ausência de pelos, alterações ungueais e dor intensa. Fundo limpo e contornos regulares não redefinem a etiologia contra esse conjunto francamente arterial.
C
Errada
Está errada porque úlcera neuropática típica depende de contexto de neuropatia sensitiva, geralmente em pé diabético, com lesão em pontos de pressão plantar e sem dor intensa como característica dominante. O enunciado não informa diabetes nem perda de sensibilidade protetora e, ao contrário, traz assinatura vascular arterial forte: claudicação, alterações tróficas e dor intensa. A topografia em calcâneo pode confundir por ser área de pressão, mas o restante do quadro afasta neuropatia como explicação principal.
D
Errada
Está errada porque não há base clínica para classificar a lesão como mista arteriovenosa. O caso fornece múltiplos elementos de insuficiência arterial crônica, mas não traz sinais de insuficiência venosa crônica que sustentem componente venoso associado, como edema e alterações de estase em topografia típica. Alterações ungueais indicam trofismo comprometido por isquemia, não etiologia mista.
Pegadinha da questão
A banca explora a tentação de julgar a úlcera apenas pela morfologia local ou pela topografia de pressão no calcâneo e ignorar o contexto vascular sistêmico, que é claramente arterial; além disso, usa uma nomenclatura tecnicamente discutível em A, mas a alternativa continua sendo a única compatível com o eixo isquêmico do caso.
Dica para questões semelhantes
  • Em úlcera de perna ou pé, primeiro defina o terreno vascular: claudicação, tabagismo, rarefação de pelos e distrofia ungueal apontam para insuficiência arterial crônica.
  • Dor intensa em lesão distal de área de pressão favorece úlcera arterial; úlcera neuropática costuma exigir perda sensitiva documentada no enunciado.
  • Não feche úlcera venosa sem sinais de hipertensão venosa crônica e topografia típica perimaleolar medial.
  • Quando a nomenclatura da alternativa for imperfeita, priorize o mecanismo etiológico realmente sustentado pelos achados clínicos.

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