A partir da leitura do texto, é possível deduzir que:
Texto para a questão.
A última crônica
A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico.
Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria o meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.
[...]
[Trecho inicial do texto A última crônica, de Fernando Sabino] Disponível em: https://contobrasileiro.com.br/a-ultima-cronica-fernando-sabino/. Acesso em: 03 jan. 2024.
Gabarito comentado
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TEMA CENTRAL: Interpretação de Texto — habilidade essencial para concursos, especialmente para o cargo de Agente de Combate a Endemias, pois exige atenção ao sentido global do texto e à identificação de informações explícitas e implícitas.
COMO RESOLVER A QUESTÃO: O texto de Fernando Sabino apresenta um narrador que relata a dificuldade em encontrar inspiração para escrever uma nova crônica, demonstrando hesitação e desejo por inspiração. A identificação correta parte da compreensão das atitudes e pensamentos do narrador expostos nos próprios trechos do texto.
Justificativa da Alternativa Correta — B:
A alternativa B afirma: "O narrador é um escritor adiando o momento de escrever, em busca de inspiração para produzir mais uma crônica." Essa opção está de acordo com o texto, pois ele revela: “Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta” e “Gostaria de estar inspirado”. Segundo Evanildo Bechara, interpretar um texto é identificar ideias centrais e reconhecer elementos explícitos, sem extrapolar informações não ditas.
Análise das alternativas incorretas:
- A: Afirma que o narrador é assíduo do botequim e escreve a partir dos fatos dali. Incorreta, pois não há base textual que indique frequência ou que suas crônicas abordem apenas esse lugar.
- C: Diz que o narrador é poeta, inquieto com a falta de inspiração. Porém, ele mesmo declara: “Não sou poeta”. Incorreta por contrariar o texto.
- D: Indica que ele recolhe material para coluna jornalística. Não há menção à profissão jornalística, apenas ao desejo de encontrar assuntos cotidianos. Incorreta por extrapolação indevida.
DICAS IMPORTANTES:
Para evitar erros, sempre:
• Foque em palavras-chave e expressões do texto (“adiando”, “assusta”, “sem assunto”);
• Desconfie de alternativas que extrapolam ou contradizem claramente o texto;
• Use a estratégia de eliminação para descartar respostas com dados inventados.
Segundo Cunha & Cintra, a coerência textual só existe quando as informações estão conectadas e não há contradição — exatamente o que a alternativa B respeita.
Resumo: A alternativa B é a correta por representar fielmente os sentimentos e intenções do narrador, enquanto as demais alteram, omitem ou inventam fatos. Pratique a releitura cuidadosa e o cruzamento de informações com o texto-base.
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Gad B
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