Com base na habilidade “EF9PLPT17: Identificar as caracterís...
Leia o texto a seguir para responder à questão.
A virada de Cubatão
Outrora conhecido como “Vale da Morte”, o município de Cubatão, na Baixada Santista, acaba de receber o selo internacional de “Cidade Verde do Mundo”, concedido pela ONU. A distinção é um reconhecimento aos esforços que o município, que chegou a ser considerado o mais poluído do planeta, empreendeu ao longo de quatro décadas para reverter uma situação impraticável.
Importante polo químico-industrial, o município sofria com níveis de poluição dez vezes superiores aos considerados aceitáveis pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O céu de aspecto amarelado e o odor de enxofre eram característicos da cidade. A população sofria com a incidência de doenças respiratórias, às vezes fatais.
O cenário para uma tragédia ainda pior que a deste cotidiano de sofrimento estava plenamente anunciado: em 1984, um vazamento de petróleo e a subsequente explosão de um duto da Petrobras que passava por baixo das casas da Vila Socó mataram 93 moradores.
O episódio levou a uma mobilização do governo do Estado de São Paulo. Juntos, os poderes públicos e as indústrias locais, apoiados pela população, passaram a tratar a questão dos poluentes com seriedade. Alterações na matriz energética, com substituição de óleo combustível por gás natural, e a instalação de equipamentos para filtragem dos poluentes foram algumas das medidas adotadas.
“O prêmio reforça a necessidade de seguirmos com projetos como a recuperação de manguezais, o plantio de árvores nativas e a arborização urbana, fundamentais para a qualidade de vida da população e para a preservação dos recursos naturais”, afirmou ao Estadão o secretário de Meio Ambiente de Cubatão, Cleiton Jordão.
A virada de Cubatão evidencia que, quando há empenho coletivo e suprapartidário, situações apocalípticas podem ser revertidas. Mas, como pondera o secretário de Meio Ambiente do município, os esforços devem ser constantes.
Tanto melhor, também, que tragédias não precisem acontecer para que os municípios trabalhem para garantir o básico, que é a qualidade de vida de seus moradores num ambiente saudável.
(Editorial, 22.04.2025. Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao.
Adaptado)
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Tema central: A questão exige o reconhecimento das características composicionais e linguísticas do gênero editorial, habilidade essencial para candidatos ao cargo de Professor de Língua Portuguesa. Exige-se conhecimento tanto sobre tipologia textual quanto sobre estruturas textuais na norma-padrão.
Justificativa da alternativa correta (D): O editorial, segundo gramáticas de referência como Cunha & Cintra e Bechara, é um texto de opinião institucional com linguagem formal e estrutura clássica: introdução (apresentação do tema e tese), desenvolvimento (argumentação), conclusão (fechamento com proposta, reflexão ou síntese).
No texto sobre Cubatão, vemos:
- Introdução: contextualiza a “virada” da cidade.
- Desenvolvimento: detalha histórico, causas, ações e depoimento do secretário.
- Conclusão: retoma a importância do empenho coletivo e faz alerta reflexivo.
O uso da linguagem formal é notório: predomina o tom impessoal, ausência de coloquialismos e manutenção do rigor gramatical.
Análise das alternativas incorretas:
A) Sugere “direcionamento” e “assinatura”. Errado: editorial não traz assinatura individual, pois expressa posição do veículo, e “direcionamento” não é elemento estrutural típico.
B) Aponta “mescla de linguagem formal e informal”. Incorreto: o editorial não utiliza informalidade. E a estrutura vai além da exposição, comportando argumentos e juízo de valor.
C) Propõe “linguagem informal” e “estrutura híbrida”. Falso: o texto mantém formalidade em todos os momentos e sua estrutura é argumentativa, não híbrida.
E) Relata mescla de linguagem e omite introdução: editorial é exclusivamente formal e sua estrutura inclui introdução, além da fundamentação e conclusão.
Estratégias para provas: Ao analisar gêneros textuais, busque:
- Identificar tipo de linguagem (formal/informal);
- Notar a presença de introdução, desenvolvimento e conclusão;
- Atentar-se para elementos não típicos — assinaturas pessoais, informalidade, estruturas incompletas.
Como orienta Evanildo Bechara, a clareza sobre o gênero e seu objetivo é determinante para a boa interpretação (“cada gênero visa a fins comunicativos e sociais específicos”).
Conclusão: A alternativa D é correta: linguagem formal + estrutura trilógica. As demais incorrem em imprecisão quanto à linguagem ou à organização típica do editorial.
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Comentários
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Alternativa D
Para acertar, lembre-se que o editorial é um gênero dissertativo-argumentativo que expressa a opinião institucional de um veículo. Por isso, exige o uso da linguagem formal (norma-padrão) para garantir credibilidade. Sua organização segue a estrutura clássica de introdução (apresentação do tema/tese), desenvolvimento (argumentação e dados) e conclusão (síntese ou proposta). Descarte opções que mencionem linguagem informal ou estrutura de carta.
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