O título “Amor como meio, não como fim”, significa que:

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Q203487 Português

       O AMOR COMO MEIO, NÃO COMO FIM

       Há algo errado na forma como temos vivido nossas relações amorosas. Isso é fácil de ser constatado, pois temos sofrido muito por amor. Se o que anda bem tem que nos fazer felizes, o sofrimento só pode significar que estamos numa rota equivocada.

       Vamos nos deter em apenas uma das idéias que governam nossa visão do amor. Imaginamos sempre que um bom vínculo afetivo significa o fim de todos os nossos problemas. Nosso ideal romântico é assim: duas pessoas se encontram uma com a outra, compõem um forte elo, de grande dependência, sentem-se preenchidas e completas e sonham em largar tudo o que fazem para se refugiar em algum oásis e viver inteiramente uma para a outra, usufruindo o aconchego de ter achado sua “metade da laranja”. Nada parece lhes faltar. Tudo o que antes valorizavam – dinheiro, aparência física, trabalho, posição social, etc. – parece não ter a menor importância. Tudo o que não diz respeito ao amor se transforma em banalidade, algo supérfluo que agora pode ser descartado sem o menor problema.

       Sabemos que quem quis levar essas fantasias para a vida prática se deu mal. Com o passar do tempo, percebe-se que uma vida reclusa, sem novos estímulos, somente voltada para a relação amorosa, muito depressa se torna tediosa e desinteressante. Podemos sonhar com o paraíso perdido ou com a volta ao útero, mas não podemos fugir ao fato de que estamos habituados a viver com certos riscos, certos desafios. Sabemos que eles nos deixam alertas e intrigados; que nos fazem muito bem.

       Os doentes acham que a saúde é tudo. Os pobres imaginam que o dinheiro lhes traria toda a felicidade sonhada. Os carentes – isto é, todos nós – acham que o amor é a mágica que dá significado à vida. O que nos falta aparece sempre idealizado, como o elixir da longa vida e da eterna felicidade.

       Se é verdade, então, que o amor nos enche de alegria e coragem – e isso ninguém contesta – por que não direcionar essa nova energia para ativar ainda mais os projetos nos quais estamos empenhados? Quando amamos e nos sentimos amados por alguém que admiramos e valorizamos, nossa auto-estima cresce, nos sentimos dignos e fortes. Tornamo-nos ousados e capazes de tentar coisas novas, tanto em relação ao mundo exterior como na compreensão da nossa subjetividade. Em vez de ser um fim em si mesmo, o amor deveria funcionar como um meio para o aprimoramento individual, nos curando das frustrações do passado e nos impulsionando para o futuro. Casais que conseguem vivê-lo dessa maneira crescem e evoluem, e sob essa condição seu amor se renova e se revitaliza.

(GIKOVATE, Flávio. Cláudia. São Paulo: Abril, agosto 1989. Condensado)


O título “Amor como meio, não como fim”, significa que:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a correspondência semântica direta entre o título e a tese explicitada no último parágrafo, em especial a oposição entre “fim em si mesmo” e “meio para o aprimoramento individual”. Essa formulação do texto define o sentido de “Amor como meio, não como fim” e conduz ao gabarito B.

Tema central: sentido do título
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta porque introduz a ideia de “se proteger”, que não aparece como tese do texto. O autor associa o amor a autoestima, coragem, impulso e aprimoramento individual, não a proteção.
B
Certa
A alternativa B está correta porque parafraseia com fidelidade a formulação central do último parágrafo: o autor rejeita o amor como finalidade absoluta da vida e o define como instrumento de crescimento pessoal. A troca de “aprimoramento individual” por “aprimoramento pessoal” preserva o mesmo sentido, sem alterar a tese do texto.
C
Errada
Incorreta porque transforma o amor em escape compensatório da carência, exatamente o tipo de idealização criticado no texto. O autor não defende o amor como “válvula de escape para a solidão”, mas como energia para crescimento e ação.
D
Errada
Incorreta porque “estabelece fronteiras” não tem respaldo textual e contraria a orientação do último parágrafo, em que o amor é apresentado como força que impulsiona projetos e amplia possibilidades, não como delimitação.
E
Errada
Incorreta porque atribui ao autor uma idealização que ele critica. A referência a fantasias como “elixir da longa vida e da eterna felicidade” aparece no texto como exemplo de visão equivocada, não como proposta séria do autor; por isso, “caminho para a eternidade” deturpa o sentido defendido.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre ideias apenas mencionadas para crítica e a tese efetivamente defendida. Quem não observa que o título é explicado literalmente no último parágrafo pode escolher alternativas com associação vaga ao tema amoroso, mas sem apoio textual.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a pergunta tratar do título, procure no texto o trecho em que a ideia do título é retomada de forma explícita.
  • Dê preferência à alternativa que faça paráfrase fiel da tese central, sem acrescentar sentido novo.
  • Elimine opções que transformem imagens criticadas pelo autor em posição defendida no texto.

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Comentários

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Letra B
"Em vez de ser um fim em si mesmo, o amor deveria funcionar como um meio para o aprimoramento individual, nos curando das frustrações do passado e nos impulsionando para o futuro."

b-

Consoante o texto, o amor deve ser uma ferramenta para motivação a projetos importantes na vida, o que causaria mais satisfação individual

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