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Q3793076 Medicina
Um adolescente de 16 anos, atleta de elite, é submetido a ecocardiograma que evidencia hipertrofia ventricular esquerda com espessura de 14 mm. Diante da incerteza diagnóstica entre cardiomiopatia hipertrófica e coração de atleta, a ressonância magnética cardíaca é solicitada. O mapa T1 e a fração de volume extracelular encontram-se nos valores normais ou reduzidos, com ausência de realce tardio. Qual a conclusão mais apropriada:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: Na diferenciação entre cardiomiopatia hipertrófica e coração de atleta, T1 nativo normal ou reduzido, fração de volume extracelular normal ou reduzida e ausência de realce tardio indicam ausência de expansão intersticial patológica e de fibrose, o que favorece remodelamento fisiológico e sustenta a alternativa E.

Tema central: Coração de atleta
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque assume cardiomiopatia hipertrófica apesar de a ressonância mostrar padrão tecidual oposto ao esperado nessa doença. Na cardiomiopatia hipertrófica, são mais esperados aumento de T1 e da fração de volume extracelular e/ou realce tardio por desarranjo miofibrilar e fibrose. Aqui, T1 e ECV normais ou reduzidos, sem realce tardio, favorecem remodelamento fisiológico.
B
Errada
Está errada porque indica desfibrilador implantável sem diagnóstico estabelecido de cardiomiopatia hipertrófica e sem critérios de estratificação de risco para morte súbita. O enunciado, ao contrário, descreve um padrão de ressonância benigno e adaptativo, que não sustenta essa conduta.
C
Errada
Está errada porque biópsia cardíaca não é exame confirmatório de rotina para diferenciar coração de atleta de cardiomiopatia hipertrófica neste cenário, especialmente quando a ressonância já forneceu caracterização tecidual compatível com adaptação fisiológica. Seria um exame invasivo sem base no quadro apresentado.
D
Errada
Está errada porque fibrose miocárdica difusa oculta pressupõe expansão do espaço extracelular, o que tenderia a elevar T1 nativo e fração de volume extracelular. O enunciado informa exatamente o contrário: T1 e ECV normais ou reduzidos, além de ausência de realce tardio. Portanto, os dados contradizem fibrose difusa.
E
Certa
A alternativa E está correta porque o conjunto dos achados de ressonância não é compatível com cardiomiopatia hipertrófica: no coração de atleta predomina hipertrofia celular adaptativa, sem expansão intersticial patológica. Por isso, T1 nativo e fração de volume extracelular normais ou reduzidos, associados à ausência de realce tardio, apontam contra fibrose e favorecem alteração adaptativa ao treinamento no contexto descrito.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre hipertrofia de 14 mm no ecocardiograma e cardiomiopatia hipertrófica automática; o dado decisivo não é a espessura isolada, mas o padrão tecidual da ressonância, que aqui é compatível com coração de atleta.
Dica para questões semelhantes
  • Na zona cinzenta entre coração de atleta e cardiomiopatia hipertrófica, valorize mais a caracterização tecidual da ressonância do que a espessura isolada.
  • T1 nativo e fração de volume extracelular normais ou reduzidos apontam contra expansão intersticial patológica e contra fibrose difusa relevante.
  • Ausência de realce tardio reforça fenótipo não patológico quando vem associada a T1 e ECV normais ou reduzidos.
  • Não salte para CDI ou exames invasivos sem diagnóstico miocárdico estabelecido e sem critérios específicos de risco.

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