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Q4196784 Medicina
Mulher, 44 anos, procurou o pronto atendimento com dor abdominal em andar superior do abdome, de forte intensidade, em faixa, iniciada há cerca de uma hora e associada a vômitos. Refere ingesta prévia de comida gordurosa. Nega etilismo ou tabagismo, tem sobrepeso e dislipidemia não tratada. Os exames laboratoriais revelam elevação de amilase e lipase e a ultrassonografia do abdome superior apresentou colelitíase e coledocolitíase.
Em relação ao caso clínico apresentado, assinale a alternativa correta.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O caso é de pancreatite aguda biliar, e o ponto decisivo é que o mecanismo clássico dessa forma de pancreatite é a migração de cálculo biliar para a via biliar distal/ampola, com obstrução do fluxo pancreatobiliar; isso torna a alternativa A a correta.

Tema central: Pancreatite aguda biliar
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque descreve o mecanismo causal clássico da pancreatite biliar: o cálculo se origina na vesícula e migra para a via biliar principal, especialmente na porção distal/região ampular, onde pode obstruir o fluxo pancreatobiliar. No caso, a presença de colelitíase e coledocolitíase no contexto de pancreatite aguda sustenta exatamente essa fisiopatologia.
B
Errada
Está errada porque cintilografia hepática não é o exame clássico nem o método de escolha para esclarecer pancreatite biliar por microcálculos em casos aparentemente idiopáticos. A base aponta que, nessa investigação etiológica, métodos apropriados para microlitíase têm papel superior, como a ultrassonografia endoscópica.
C
Errada
Está errada porque amilase é marcador diagnóstico, não critério isolado de gravidade. A magnitude da elevação, mesmo acima de 10 vezes o normal, não define mau prognóstico de forma confiável e não substitui avaliação de falência orgânica, complicações locais ou critérios prognósticos apropriados.
D
Errada
Está errada porque a ultrassonografia abdominal é útil na avaliação etiológica, especialmente para detectar litíase biliar, mas não é o exame essencial para necrose pancreática. A necrose é melhor caracterizada por tomografia contrastada.
E
Errada
Está errada porque, na presença de coledocolitíase associada à pancreatite biliar, não se pode excluir genericamente a necessidade de abordagem da via biliar. A base é clara ao afirmar que a coledocolitíase pode exigir intervenção específica na via biliar conforme o contexto clínico; portanto, dizer que basta colecistectomia urgente sem intervenção biliar é tecnicamente inadequado.
Pegadinha da questão
A banca mistura três planos diferentes: mecanismo causal, exame de imagem e conduta. O erro mais comum é reconhecer a pancreatite biliar, mas cair em alternativas que confundem marcador diagnóstico com prognóstico, ultrassonografia para etiologia com avaliação de necrose, ou colecistectomia com resolução automática da coledocolitíase.
Dica para questões semelhantes
  • Em pancreatite com colelitíase/coledocolitíase, pense primeiro em etiologia biliar por migração de cálculo para a região distal da via biliar/ampola.
  • Separe diagnóstico de gravidade: amilase e lipase ajudam a diagnosticar, mas sua altura não define prognóstico.
  • Diferencie o papel dos exames de imagem: ultrassonografia ajuda a encontrar causa biliar; necrose pancreática é avaliada melhor por tomografia contrastada.
  • Se houver coledocolitíase documentada, não assuma que a via biliar pode ser ignorada na conduta.

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