Homem, 46 anos, com antecedente de obesidade e apneia obstr...

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Q4196782 Medicina
Homem, 46 anos, com antecedente de obesidade e apneia obstrutiva do sono, em uso de CPAP de maneira regular, ex-tabagista (30 anos-maço), é encaminhado para avaliação de policitemia. Hemograma: Hb 18 g/dL, Ht 58%, leucócitos = 13.000/mm3, diferencial normal, plaquetas 580.000/mm3, eritropoetina 2 mIU/mL (Normal 2–18).
A conduta mais adequada é:
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O critério decisivo é diferenciar eritrocitose secundária de policitemia vera pelo padrão hematológico e pela eritropoetina: Hb/Ht elevados com leucocitose, trombocitose e eritropoetina baixa/limítrofe baixa favorecem neoplasia mieloproliferativa, especialmente policitemia vera, e tornam a pesquisa de mutação do JAK2 a conduta mais adequada.

Tema central: Investigação da policitemia
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque, diante de forte suspeita de policitemia vera, o passo mais apropriado entre as opções é um exame mais específico e menos invasivo, a pesquisa de JAK2. A avaliação medular pode integrar a investigação, mas não é a melhor próxima etapa nesta situação.
B
Errada
Está errada porque apneia obstrutiva do sono pode causar eritrocitose secundária, mas esse mecanismo costuma seguir a lógica de hipóxia com eritropoetina elevada ou inadequadamente não suprimida e não explica bem a associação com trombocitose importante e leucocitose. Além disso, o uso regular de CPAP reduz a força da hipótese de hipóxia persistente como causa principal.
C
Errada
Está errada porque neoplasia renal produtora de eritropoetina pertence ao diferencial de eritrocitose secundária, porém o perfil esperado seria eritropoetina elevada ou pelo menos não baixa. Aqui, a eritropoetina está no limite inferior/baixa para alguém com eritrocitose importante, e o quadro com leucocitose e trombocitose também não é bem explicado por tumor secretor de EPO.
D
Certa
A alternativa D está correta porque o conjunto eritrocitose + leucocitose + plaquetose sugere produção clonal medular, compatível com policitemia vera, e não apenas eritrocitose secundária. A eritropoetina em valor limítrofe baixo, nesse contexto, é um dado a favor de produção eritroide autônoma. Como a policitemia vera é tipicamente associada a JAK2, a pesquisa dessa mutação é a etapa diagnóstica mais direcionada entre as opções oferecidas.
E
Errada
Está errada porque não cabe apenas seguimento anual diante de policitemia significativa com alteração de múltiplas linhagens hematológicas e suspeita concreta de neoplasia mieloproliferativa. A investigação deve ser ativa nesse cenário, inclusive pelo risco trombótico associado à policitemia vera.
Pegadinha da questão
A banca induz à ancoragem na apneia do sono e no tabagismo como causa secundária de policitemia, mas os dados que mudam o raciocínio são a eritropoetina inadequadamente baixa e a presença de leucocitose com trombocitose, que apontam para policitemia vera.
Dica para questões semelhantes
  • Em eritrocitose, não olhe só Hb e Ht: aumento concomitante de leucócitos e plaquetas favorece neoplasia mieloproliferativa.
  • Eritropoetina baixa ou no limite inferior, quando há eritrocitose importante, pesa contra causa secundária por hipóxia ou tumor produtor de EPO.
  • Se a questão pedir o próximo passo, priorize o exame mais direcionado para a hipótese principal; na suspeita de policitemia vera, JAK2 tem esse papel entre as alternativas.

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