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Q3546769 Veterinária
Suponha que uma família ribeirinha tenha comprado um peixe salgado na feira da cidade e que ele tenha permanecido armazenado em temperatura ambiente por vários dias. Após o consumo do pescado, dois membros da família apresentaram episódios de náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal. Após 12 horas, os sintomas permaneceram e surgiram outros, como dor de cabeça e tonturas, o que os levou a procurar atendimento médico. No hospital, os médicos suspeitaram de botulismo alimentar.
De acordo com o caso hipotético descrito e com as orientações do Guia de Vigilância em Saúde de 2021, julgue (C ou E) o item a seguir.  

Além de pescados defumados, salgados e fermentados, são relacionados aos surtos de botulismo alimentos como conservas vegetais, principalmente as artesanais (palmito, picles, pequi), produtos cárneos cozidos, curados e defumados de forma artesanal (salsicha, presunto, came frita conservada em gordura — “carne de lata”), queijos e pasta de queijos.  
Alternativas

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Gabarito: C — Certo

Tema central: botulismo alimentar por ingestão de toxina pré-formada de Clostridium botulinum, bactéria anaeróbia esporulada. A toxina bloqueia a liberação de acetilcolina nas junções neuromusculares, causando paralisia flácida descendente. Em Saúde Pública, o foco é reconhecer alimentos de risco, suspeitar clinicamente e acionar vigilância rapidamente.

Por que “Certo”: o Guia de Vigilância em Saúde 2021 (Ministério da Saúde) relaciona, além de pescados defumados, salgados e fermentados, os seguintes alimentos a surtos: conservas vegetais artesanais (palmito, picles, pequi), produtos cárneos cozidos/curados/defumados artesanais (salsicha, presunto, “carne de lata”), e queijos e pastas de queijo. O cenário descrito (peixe salgado mantido em temperatura ambiente, sintomas gastrointestinais seguidos de neurológicos em 12–36h) é típico de botulismo alimentar (MS, 2021; CDC; UpToDate).

Raciocínio clínico: após ingestão, há início com náuseas, vômitos, diarreia/dor abdominal, evoluindo para sinais neurológicos: visão turva/diplopia, ptose, disfagia, disfonia, tontura, boca seca e paralisia descendente simétrica. Febre e dor abdominal intensa não são proeminentes. O tempo de incubação usual é 6–36h.

Análise da alternativa “E — Errado”: incorreta porque contraria as diretrizes oficiais. A afirmação listou precisamente os grupos de alimentos historicamente implicados, principalmente quando artesanais, com anaerobiose, baixa acidez e armazenamento inadequado — condições ideais para produção da toxina.

Diagnóstico (provas): suspeita clínica + vínculo epidemiológico com esses alimentos. Coletar soro, fezes, conteúdo gástrico e amostra do alimento para detecção de toxina (rede LACEN/Fiocruz). Não aguardar confirmação laboratorial para tratar (MS, 2021).

Conduta: suporte intensivo (via aérea/ventilação) e antitoxina botulínica equina (geralmente A, B, E) o mais cedo possível. Descontaminação (carvão ativado) se ingestão muito recente. Antibióticos não são indicados no botulismo alimentar e aminoglicosídeos devem ser evitados por piorarem o bloqueio neuromuscular.

Pegadinhas de prova:
Estafilocócica tem início rápido (<6h) e não cursa com déficit neurológico.
Organofosforados: miose e hipersecreções; no botulismo há boca seca e, frequentemente, midríase.
• Toxina é termolábil (ferver inativa), mas os esporos são resistentes (necessitam 121°C/pressão).

Dicas para acertar: palavras como “artesanal”, “defumado/salgado/fermentado”, “conserva”, “carne de lata” e “armazenado em temperatura ambiente” devem acender o alerta para botulismo. Lembre da notificação imediata e da investigação de outros expostos.

Referências: Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde, 2021; CDC Botulism Guidelines; UpToDate; OMS.

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