A liberdade sempre foi um elemento fundamental da
cultura ocidental, que tem nela toda sua sólida base
cultural.
Há dois caminhos para se conceituar “liberdade”.
O primeiro, de natureza filosófica, examina-a sob o
prisma do determinismo e do livre-arbítrio. O homem, em
sociedade, está sujeito a limitações permanentes. Sofre
injustiças, é cerceado na sua espontaneidade. O Estado
o envolve com seu manto quase sempre opressor.
Por outro lado, por mais que o homem se envolva nas
teias limitadoras da sociedade, sobra-lhe sempre um
espaço em que é autônomo para pensar e agir. Nele faz
escolhas e exerce predileções. É sujeito responsável
por tudo que faz. Livre-arbítrio e liberdade são dois
parâmetros em que o homem se situa, ora limitado ou
autônomo para agir.
O segundo caminho da liberdade é o jurídico.
O homem, desde que superou a condição de nômade
e se estabeleceu em território fixo, criou imediatamente
normas que possibilitaram a convivência das tribos.
Depois, com o correr dos séculos, em lenta, mas
permanente evolução, criou o Estado para regular
uma sociedade cada vez mais difícil e completa. Esta
sociedade abafa e limita o indivíduo que é obrigado a
ceder, para o interesse público e vontade coletiva, muito
de sua liberdade.
Também aqui, criou-se um espaço, à custa de esforço,
lutas e guerras entre o indivíduo e o Estado, verdadeiro
Leviatã que a cada dia o envolve em sua rede cada
vez mais limitadora. A resposta foi a criação de direitos
que a experiência e a história do homem colocou como
imprescindíveis para a vida coletiva e individual. São os
direitos humanos, que passaram a anteceder o Estado,
impondo-lhe limitações e reservas. Entre eles e o Estado
nasceu a liberdade moderna, com o necessário equilíbrio
nem sempre fácil de obter.
Se há liberdade “plena”, ela se deturpa em libertinagem.
Se não há liberdade, caímos no mundo das ditaduras
em que o homem é apenas um ser que vive debaixo do
tacão do Estado. Assemelha-se aos animais e reduz-se
à vida não criativa, tornando-se mera unidade social.
[...]
SILVA, Antônio Álvares. Hoje em dia.
Disponível em: <https://goo.gl/QCG3vf>.
Acesso em: 19 out. 2017
(Fragmento adaptado).
De acordo com o texto, a liberdade:
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