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Q3546768 Veterinária
Suponha que uma família ribeirinha tenha comprado um peixe salgado na feira da cidade e que ele tenha permanecido armazenado em temperatura ambiente por vários dias. Após o consumo do pescado, dois membros da família apresentaram episódios de náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal. Após 12 horas, os sintomas permaneceram e surgiram outros, como dor de cabeça e tonturas, o que os levou a procurar atendimento médico. No hospital, os médicos suspeitaram de botulismo alimentar.
De acordo com o caso hipotético descrito e com as orientações do Guia de Vigilância em Saúde de 2021, julgue (C ou E) o item a seguir.  

O agente causador do botulismo é o Clostridium botulinum, um bacilo gram-positivo, anaeróbio e esporulado. Em sua forma vegetativa, pode produzir pré-toxina botulínica. São conhecidos oito tipos de toxinas botulínicas, sendo os tipos A, B, E e F os que causam a doença em humanos.
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Tema central: Botulismo alimentar por toxina pré-formada de Clostridium botulinum, associado a pescado armazenado inadequadamente. Conceitos-chave: bactéria gram-positiva, anaeróbia, esporulada, produção de pré-toxina na forma vegetativa e sorotipos que acometem humanos (A, B, E e, raramente, F).

Gabarito: C (certo)

Justificativa: O enunciado descreve com precisão o agente: C. botulinum é um bacilo gram-positivo, anaeróbio obrigatório e formador de esporos. Na forma vegetativa, produz uma protoxina que necessita de ativação proteolítica para se tornar neurotoxina ativa. Há oito tipos de toxinas reconhecidas em documentos de saúde pública (A–G e H/relatos recentes); em humanos, os tipos A, B, E e, menos frequentemente, F causam doença. O consumo de peixe salgado armazenado em temperatura ambiente é clássico para botulismo tipo E, pois esse tipo está associado a ambientes aquáticos e pode crescer em temperaturas mais baixas (Guia de Vigilância em Saúde, MS 2021; UpToDate; Harrison’s).

Por que “E (errado)” está incorreta? Negar qualquer parte da afirmação contraria as diretrizes: (1) a classificação bacteriana está correta; (2) a produção de pré-toxina com ativação subsequente é conceito fisiopatológico estabelecido; (3) a relação dos tipos A, B, E e F com doença humana é canônica em vigilância sanitária. A pegadinha frequente é afirmar que “existem apenas 7 sorotipos (A–G)”; entretanto, documentos atuais de vigilância no Brasil citam oito (incluindo descrições mais recentes), sem mudar o fato essencial: A, B, E e F acometem humanos (MS 2021).

Interpretação clínica do caso: Início com sintomas gastrointestinais (náuseas, vômitos, diarreia, dor abdominal) seguido, após ~12–36 h, por manifestações neurológicas (cefaleia, tontura podendo evoluir para diplopia, ptose, disartria, disfagia e paralisia flácida descendente) é típico de intoxicação por toxina pré-formada no alimento. Ausência de febre é comum.

Diagnóstico e conduta (resumo para provas):

- Diagnóstico: clínico-epidemiológico + detecção de toxina em soro/fezes/restos de alimento (ensaios específicos) e EMG compatível. Coletar amostras antes do soro antitóxico (MS 2021; CDC/UpToDate).

- Tratamento: suporte intensivo + administração precoce de soro antitóxico (no Brasil, anti-botulínico A, B, E), idealmente nas primeiras 24–48 h. Descontaminação gastrointestinal se ingestão muito recente. Antibióticos não têm papel no botulismo alimentar (apenas no botulismo de feridas).

Dica de prova: Palavras-gatilho: pescado + armazenado em temperatura ambiente + GI precoce seguido de neurológico → pense em botulismo alimentar tipo E.

Referências: Guia de Vigilância em Saúde – Ministério da Saúde (2021); UpToDate, Botulism; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

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