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Q3329134 Técnicas em Laboratório
No Brasil, a cocirculação de diferentes arbovírus reforça a necessidade do desenvolvimento de protocolos de diagnóstico molecular rápidos, específi cos, sensíveis e que permitam a detecção, sempre que possível, de mais de um arbovírus na mesma reação. Dentre os protocolos de amplificação do genoma viral, as técnicas em tempo real apresentam vantagens neste contexto, principalmente quando utilizam sondas marcadas com fluoróforos. Sobre a técnica supracitada, avalie se são verdadeiras (V) ou falsas (F) as afirmativas a seguir:

I. As sondas são marcadas com uma molécula que emite fluorescência (quencher) numa extremidade e com uma molécula que absorve a fluorescência (reporter) na outra extremidade.

II. Em um protocolo para alvos múltiplos (multiplex) numa mesma reação, as sondas específi cas para cada sequência genômica poderão ser marcadas com a mesma molécula repórter, necessitando somente de moléculas quencher distintas.

III. Durante o desenho dos oligonucleotídeos, a região de hibridização da sonda deve estar localizada à montante da região de hibridização do primer sense (forward).

As afirmativas I, II e III são, respectivamente:
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Diagnóstico molecular por RT-qPCR (tempo real) com sondas fluorescentes tipo TaqMan, recurso-chave no cenário de cocirculação de arbovírus por permitir alta sensibilidade, especificidade e multiplexação.

Gabarito: B — F, F, F.

I — Falsa. Em sondas TaqMan, a extremidade 5’ recebe o reporter (dye que emite fluorescência) e a 3’ recebe o quencher (molécula que absorve/abafa a emissão do reporter por FRET). Durante a extensão, a atividade exonuclease 5’→3’ da polimerase cliva a sonda, separa reporter do quencher e a fluorescência aumenta proporcionalmente ao produto gerado. A afirmativa inverteu as funções de reporter e quencher. (Referências: Diretrizes MIQE; Applied Biosystems TaqMan Assay Design; UpToDate, Real-time PCR.)

II — Falsa. Em reações multiplex, cada alvo deve usar diferentes reporters com espectros distintos (ex.: FAM, HEX/VIC, Texas Red, Cy5), permitindo a leitura em canais separados. Os quenchers podem ser do mesmo tipo (p.ex., NFQ/BHQ compatíveis com o reporter) e não servem para diferenciar alvos, pois não emitem. Afirmar que se pode usar o mesmo reporter e apenas variar quenchers é incorreto. (MIQE; CDC/PAHO protocolos de RT-qPCR para dengue/Zika/chikungunya.)

III — Falsa. A sonda deve hibridizar dentro do amplicon, à jusante (downstream) do sítio do primer forward na fita que a polimerase está copiando, para que a enzima encontre e clive a sonda durante a extensão. Colocar a sonda à montante (upstream) do primer forward a deixaria fora da trajetória da polimerase, frustrando a detecção. (Applied Biosystems; MIQE.)

Por que a alternativa B é a correta? Porque as três proposições estão incorretas. Logo, qualquer opção que contenha “V” (A, C, D, E) não corresponde ao padrão verdadeiro/falso adequado.

Dicas para a prova (pegadinhas clássicas):

  • Reporter (emite) x Quencher (abafa): funções nunca se invertem.
  • Multiplex: diferenciação por reporters distintos, não por quenchers.
  • Posicionamento da sonda: sempre entre os primers, downstream do forward, para ser clivada durante a extensão.

Fontes úteis: MIQE Guidelines (Bustin et al., Clin Chem 2009); UpToDate – Principles of quantitative real-time PCR; Applied Biosystems TaqMan Design Guides; PAHO/OMS – Guias laboratoriais para diagnóstico molecular de arboviroses.

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