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Q3191130 Português

Leia o texto a seguir para responder a questão.


Férias do não


    A noção de férias liga-se a figuras de viagem, esporte, aplicações intensivas do corpo; quase nada a descanso. As pessoas executam durante esse intervalo o que não puderam fazer ao longo do ano; fazem “mais” alguma coisa, de sorte que não há férias, no sentido religioso e romano de suspensão de atividades.


    Matutando nisso, resolvi tirar férias e gozá-las como devem ser gozadas: sem esforço para torná-las amenas. Ideia de viagem foi expulsa do programa: é das iniciativas mais comprometedoras e tresloucadas que poderia tomar o proletário vacante. Viagens ou não existem, como é próprio da era do jato, em que somos transportados em velocidade superior à do nosso poder de percepção e de ruminação de impressões, ou existem demais como burocracia de passaporte, falta de vaga em hotel, atrasos, moeda aviltada, alfândega, pneu estourado no ermo, que mais?


    Quanto à prática de esportes, sempre julguei de boa política deixá-la a personalidades como Éder Jofre ou Garrincha, que dão o máximo. A performance desses astros satisfaz plenamente, e não seria eu num mês que iria igualá-los ou sequer realçá-los pelo contraste. Bem sei que o esporte vale por si e não pelos campeonatos, mas também como passatempo carece de sentido. Pescar, caçar pequenos bichos da mata? Nunca. Esporte e morte acabam pelo mesmo som, mas para mim nunca rimaram.


     Havia também os trabalhos, os famosos trabalhos que a gente deixa para quando repousa dos trabalhos comuns. Organizar originais de um livro. Escrever uma página de sustância (está pronta na cabeça, falta botar o papel na máquina). Pesquisar em arquivos, Arrumar papéis. Mudar os móveis de lugar. E os deveres adiados, tipo “visitar o primo reumático de Del Castilho”. E a ideia de conhecer o Rio, conhecer mesmo, que nos namora há 20 anos: tomar bondes esdrúxulos, subir morros, descobrir lagoas de madrugada. E o sonho colorido dos gulosos, sacrificados durante o ano: comer desbragadamente pratos extraordinários, sem noção de tempo, saúde, dinheiro.


    Tudo aboli e fiz a experiência de férias propriamente ditas, que, como eliminação de atividades ordinárias e exteriores; pode parecer estado contemplativo no exercício de ioga. Não é nada disso. Exatamente por abrirem mão de tudo, as boas férias não devem tender à concentração espiritual nem à contenção da vontade. São antes um deixar-se estar, sem petrificação. Levantar-se mais tarde? Se não fizer calor; um direito nem sempre é um prazer. Ir ao Arpoador? Se ele realmente nos chama, não porque a manhã e a água estejam livres. O mesmo quanto a diversões, às vezes menos divertidas do que a noção que temos delas. Não convém estragar as férias, enchendo-as com programas de férias. Deixe que o tempo passe, sutil; não o ajude a passar. Há doçura em flutuar na correnteza das horas, em sentir-se folha, reflexo, coisa levada; coisa que se sabe tal, coisa sabida, mas preguiçosa.


    Se me pedissem contas do que fiz nas férias, responderia lealmente: ignoro. Aos convites disse não, alegando estar em férias, alegação tão forte como a de estar ocupadíssimo. O pensamento errou entre mil avenidas, sem se deter; cada dia amanheceu e caiu como fruto. Nada aconteceu? O não acontecimento é a essência das férias. E agora, é labutar 11 meses para merecer as inofensivas e incomparáveis férias do não.


ANDRADE, C. D. Férias do Não. Correio da Manhã. Disponível em https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/19401/ferias -do-nao. 

Dentre as palavras a seguir, que ocorrem no texto, é formada por derivação parassintética apenas:
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Formação de palavras — derivação parassintética, conteúdo essencial em morfologia para concursos de Professor.

O que é derivação parassintética?

A derivação parassintética ocorre quando há o acréscimo simultâneo de um prefixo e um sufixo a um radical (palavra-base), de modo que não existem na língua apenas a forma prefixada ou apenas a sufixada. Ou seja, se retirarmos qualquer afixo, a forma resultante será inexistente ou inadequada. Exemplo clássico de gramática: “envernizar” (“en-” + “verniz” + “-ar”). Não existe “enverniz” nem “vernizar”. (Cunha & Cintra; Bechara)

Análise das alternativas:

  • A) eliminação: formada por sufixação (“eliminar” + “-ção”). Não envolve prefixo, portanto, não é parassintética.
  • B) tresloucado: formada por prefixo “tres-” + radical “louco” + sufixo “-ado”. Não há “treslouco” ou “loucado” na norma-padrão, apenas a formação simultânea faz sentido. Trata-se de derivação parassintética. Correta!
  • C) passatempo: formação por justaposição (“passa” + “tempo”). É composição, não derivação parassintética.
  • D) ocupadíssimo: formada por sufixação (“ocupado” + “-íssimo”, superlativo absoluto sintético). Falta o prefixo, não é parassintética.
  • E) extraordinários: formada por prefixação (“extra-” + “ordinário”), seguida de flexão de número. Não há sufixação simultânea.

Estratégia para questões do tipo:

Identifique se há prefixo e sufixo adicionados juntos e se a palavra só existe nesse formato. Teste: retire o prefixo ou o sufixo. Se a palavra desaparecer ou perder sentido, provavelmente é derivação parassintética.

Cuidado! Palavras compostas, sufixadas ou prefixadas isoladamente não são parassintéticas. As bancas gostam de explorar essa diferença, então fique atento à simultaneidade dos afixos.

Resumo: “tresloucado” exemplifica perfeitamente a derivação parassintética. As demais alternativas exemplificam outros processos (composição, sufixação, prefixação).

Referências: Celso Cunha & Lindley Cintra, Evanildo Bechara, Rocha Lima.

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A derivação parassintética ocorre quando há acréscimo simultâneo de um prefixo e um sufixo a uma palavra primitiva.

Gabarito letra B

tres - louco - ado

derivação parassintética; a palavra não existe se retirar o sufixo ou prefixo

ex; desalmado, retira o prefixo [ des]. almado existe na lingua portuguesa?

e desalma existe? se não existe será parassintetica

Derivação Parassintética

Ocorre quando uma palavra é formada simultaneamente por prefixo e sufixo, de modo que:

A remoção de qualquer um dos afixos resulta em uma palavra inexistente ou sem relação direta com o significado original.

Análise das Alternativas

A) "eliminação"

Formação: eliminar (verbo) + -ção (sufixo).

Tipo: Derivação sufixal (apenas sufixo).

❌ Não é parassintética.

B) "tresloucado"

Formação: tres- (prefixo) + louco (radical) + -ado (sufixo).

Teste:

Sem prefixo: "loucado" → Inexistente.

Sem sufixo: "treslouco" → Inexistente.

Tipo: Derivação parassintética (depende dos dois afixos).

✅ Resposta correta.

C) "passatempo"

Formação: passar + tempo (dois radicais).

Tipo: Composição por justaposição (não envolve afixos).

❌ Não é parassintética.

D) "ocupadíssimo"

Formação: ocupado + -íssimo (sufixo de intensidade).

Tipo: Derivação sufixal (apenas sufixo).

❌ Não é parassintética.

E) "extraordinários"

Formação: extra- (prefixo) + ordinário (radical).

Tipo: Derivação prefixal (apenas prefixo).

❌ Não é parassintética.

Uma questão com o gabarito certo!

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