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Q3951261 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO.



O brilho não vai embora



    Tem dias em que a gente acorda achando que vai encontrar cansaço no espelho. Você já passou por isso? Aquela expectativa silenciosa de crítica antes mesmo de abrir os olhos por completo?  


    Mas e se, em vez de procurar defeitos, você resolvesse procurar sinais de vida?


    Olhe de novo. Não é só um corpo. É alguém que atravessou fases, sobreviveu a quedas, suportou silêncios e ainda está aí. Talvez o brilho não seja mais o da ingenuidade (e ainda bem!), agora ele carrega experiência. Já reparou como o olhar amadurecido tem uma luz diferente? Não grita, sustenta.  


    “Ah, mas o passado…”, você pode dizer. Ele ainda incomoda às vezes, não é? Só que repare: o passado não é mais um fantasma correndo atrás de você. É arquivo. É capítulo lido. Ele existe, claro, mas não tem mais o poder de narrar o presente. Quem escreve agora é você.


    E os erros? Eles ainda sussurram? Talvez. Mas escute melhor: o tom mudou. O que antes era acusação hoje pode ser aprendizado. Nenhuma história interessante é feita apenas de acertos. Você não é a soma dos seus tropeços. Levante! Como diz a música: já é um vencedor quem sabe a dor de uma derrota enfrentar!


    Emoções não são soldados em formação perfeita. Às vezes elas bagunçam mesmo. A diferença é que agora você sabe respirar antes de reagir. Já percebeu isso? Há uma pausa nova entre o sentir e o agir. E essa pausa é crescimento.


    Não é preciso fugir de si mesmo. O mundo não precisa ser esconderijo. Ele pode ser palco. Você pode ocupar espaços sem se explicar o tempo todo, sem carregar culpa como sobrenome.


    Talvez a maior virada seja essa: entender que você não é o problema a ser resolvido, mas a construção em andamento. Obras fazem barulho, levantam poeira, parecem caóticas, ainda assim estão evoluindo.


    Então, quando a tristeza tentar sentar novamente no sofá da sua sala, experimente convidar a esperança para o outro lado. Elas até podem dividir o ambiente, mas quem decide o volume da conversa é você.


    E se alguém perguntar onde foi parar aquele brilho, você já sabe a resposta: ele não foi embora. Só estava amadurecendo.


Autor: Marco Matos - GZH (adaptado).  

No segmento “Você pode ocupar espaços sem se explicar o tempo todo, sem carregar culpa como sobrenome”, a expressão sublinhada produz efeito expressivo ao associar a culpa a algo que passa a acompanhar constantemente a identidade do sujeito. Assinale a alternativa em que a substituição dessa expressão preserva mais adequadamente esse sentido. 
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: C

Fundamento decisivo: O ponto decisivo é a preservação do sentido da metáfora em “sem carregar culpa como sobrenome”: nesse contexto, “sobrenome” funciona como imagem de algo que acompanha constantemente a identidade do sujeito; por isso, a reescrita correta é a que mantém culpa interiorizada, marca identitária e permanência, o que conduz à alternativa C.

Tema central: paráfrase de metáfora
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque troca a ideia de culpa interiorizada pela de culpabilização de terceiros. Em “sem carregar culpa como sobrenome”, o sujeito carrega a culpa em si; em “sem atribuir culpa a outras pessoas”, o foco passa a ser transferir culpa para os outros, o que altera o núcleo semântico da expressão original.
B
Errada
Está errada porque introduz um traço semântico que não está no trecho: a exposição pública da culpa. A metáfora com “sobrenome” não trata de tornar a culpa visível socialmente, mas de ela funcionar como marca constante da identidade do sujeito. Por isso, “apresentar culpa de forma pública” desvia o sentido.
C
Certa
A alternativa C mantém o efeito expressivo do trecho original porque traduz a culpa como traço incorporado ao sujeito de modo duradouro. Ao dizer “marca permanente de si”, preserva o valor metafórico de “sobrenome” como elemento ligado à identidade e conserva o sentido de que a culpa não aparece como ato externo, mas como algo que a pessoa passa a carregar em sua imagem de si.
D
Errada
Está errada porque desloca o sentido para o reconhecimento da culpa diante das próprias escolhas. O trecho não discute admitir ou negar responsabilidade; discute não transformar a culpa em identidade fixa. Assim, a alternativa muda o eixo semântico de marca permanente de si para atitude de reconhecer culpa.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre manter o efeito metafórico de identidade permanente e apenas aproximar o tema da culpa. As erradas mudam o foco para culpa alheia, exposição pública ou reconhecimento da culpa, quando o original trata de culpa incorporada ao eu como marca constante.
Dica para questões semelhantes
  • Em reescrita de metáfora, preserve o traço central de sentido do termo figurado; aqui, “sobrenome” vale como marca identitária estável.
  • Verifique se a paráfrase mantém o mesmo agente e o mesmo foco semântico; “carregar culpa” não é o mesmo que atribuí-la ou assumi-la formalmente.
  • Elimine alternativas que acrescentem elemento não presente no trecho, como exposição pública, terceiros envolvidos ou mudança de atitude moral.

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