Sobre o teste de isolamento viral, analise as afirmativas a...
I. O isolamento viral só pode ser realizado em sistemas de culturas celulares in vitro.
II. Para o isolamento viral em culturas celulares in vitro, deve-se sempre utilizar células provenientes de tecido considerado alvo principal da infecção viral no hospedeiro natural.
III. A observação da presença de replicação viral após a inoculação da amostra clínica na cultura celular se dá inicialmente pela observação do aparecimento do efeito citopático, seguido da confirmação por outras técnicas específicas, como imunofluorescência e detecção de ácido nucleico por RT-PCR (biologia molecular).
É correto afirmar que apenas:
Gabarito comentado
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Tema central: Isolamento viral em Microbiologia diagnóstica: inoculação de amostras em sistemas permissivos, observação de Efeito Citopático (ECP) e confirmação por métodos específicos (imunofluorescência, biologia molecular).
Gabarito: C — Apenas a afirmativa III está correta.
Por que a III está correta? Em cultura celular, após inocular a amostra, o primeiro indício de replicação costuma ser o ECP (ex.: arredondamento celular, lise, sincícios, inclusões). Como ECP pode ser lento ou inespecífico, a boa prática exige confirmação com técnicas específicas: imunofluorescência (p.ex., método “shell vial”), RT-PCR/PCR ou outros (hemadsorção para ortomixovírus, neutralização). Este fluxo é alinhado a manuais da OMS (diagnóstico de influenza), CDC e textos como Harrison’s Principles of Internal Medicine e UpToDate, que recomendam confirmar o isolamento por métodos diretos de detecção do antígeno ou ácido nucleico.
Por que I está errada? Não é exclusivo de culturas celulares in vitro. Há outros sistemas de isolamento: ovos embrionados (clássico para influenza) e animais de laboratório (p.ex., camundongos lactentes para alguns arbovírus), embora hoje menos utilizados por biossegurança/ética. Assim, “só pode” torna a afirmação falsa. Referências: OMS/CDC em virologia diagnóstica; Harrison’s.
Por que II está errada? Não se deve “sempre” usar células do tecido-alvo do hospedeiro. Na prática, usa-se o que é permissivo e prático: linhas contínuas como Vero, HEp-2, MDCK recuperam diversos vírus respiratórios e outros, mesmo não sendo o tecido-alvo original. Ex.: CMV cresce bem em fibroblastos humanos (linha de laboratório), e influenza é cultivado rotineiramente em MDCK e ovos embrionados. O termo absoluto “sempre” invalida a assertiva. Diretrizes laboratoriais (CDC/OMS) e UpToDate corroboram o uso de linhas permissivas padronizadas.
Dica de prova (pegadinha): Palavras absolutas como “só” e “sempre” costumam sinalizar erro em Microbiologia, pois a viabilidade depende de permissividade, tropismo, sensibilidade e condições de cultivo — não de regras rígidas.
- Termo-chave: ECP = alterações morfológicas da célula por replicação viral.
- Confirmação: IFA/shell vial, RT-PCR, hemadsorção, neutralização.
- Sistemas de isolamento: cultura celular, ovos embrionados, animais.
Referências úteis: OMS – Laboratorial para influenza; CDC – Viral culture guidance; Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate – Laboratory diagnosis of viral infections.
Conclusão: Correta apenas a III, pois descreve o fluxo real do isolamento: ECP seguido de confirmação específica; I e II falham por absolutismos e desconhecerem sistemas e linhas celulares permissivas.
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