Por que jovens estão fazendo tanta cirurgia plástica?
Estudo aponta que a procura por procedimentos de nariz e
queixo aumentou por conta das distorções de
características faciais causadas pelas selfies.
Com distorções irreais de características faciais, as
“selfies” causam um efeito que pode gerar um aumento nos
pedidos de cirurgia plástica desnecessárias. É o que mostra um
estudo recente publicado na Plastic & Reconstructive Surgery.
“Os jovens são mais afetados por este fenômeno”, afirma
o cirurgião plástico Mário Farinazzo, membro da Sociedade
Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), Chefe do Setor de
Rinologia da UNIFESP e cirurgião instrutor do DallasRinoplasthy.
“O fato de se ter uma câmera nas mãos a todo momento é um
convite para o autorretrato de todos os ângulos e em todas as
situações. Isso gera frustração, pois sempre existe um ângulo
que desagrada, principalmente se compara com fotos de outras
pessoas nas redes sociais ignorando o fato de que muitas delas
são produzidas e manipuladas digitalmente”, completa.
O estudo aponta, inclusive, que pacientes utilizam cada vez
mais as fotografias tiradas de câmeras de smartphone para
discutir com um cirurgião plástico. Há uma relação documentada
entre o aumento de selfies e os pedidos de rinoplastia – ou
cirurgia para alterar a aparência do nariz – principalmente entre
os mais jovens, assim como a mentoplastia, já que esses retratos
costumam alterar a aparência do nariz e do queixo.
Mas como as câmeras podem distorcer as imagens,
especialmente quando são tiradas de perto, as selfies podem
não refletir a verdadeira aparência de um indivíduo, segundo a
pesquisa. Outro ponto apontado pelo trabalho que influencia o
crescimento de procedimentos estéticos é a excessiva quantidade de horas observando imagens milimetricamente editadas
para atingir a “perfeição”. “A adolescência é uma fase na qual a
autoestima ainda depende muito de uma boa aparência, logo,
aparecer bem nas selfies torna-se quase que uma obrigação”,
pontua Farinazzo.” Isso leva o jovem a procurar formas de se
sentir melhor e a cirurgia é uma delas”, acrescenta. Sem contar
que os adolescentes estão cada vez mais informados e seguros
daquilo que os incomodam e o que pode ser mudado. “Isso é
influência de um mundo conectado e com grande disponibilidade de informação. As selfies apenas realçam o objeto do
incômodo”, diz o médico.
(...) “Quando um paciente percebe, por conta de sua foto,
um nariz maior do que realmente é, cabe ao médico, em uma
conduta ética e correta, tentar fazê-lo entender que aquilo não
corresponde à realidade.” Para o caso em que há uma indicação
cirúrgica de fato, o cirurgião plástico argumenta que não existe
problema em fazer cirurgia em adolescentes. “A indicação
está mais ligada ao problema do que à idade do paciente.
Mas é importante uma boa conversa com o médico antes de
qualquer procedimento. As pessoas estão cada vez mais críticas, e isso gera uma expectativa maior em relação aos resultados de uma cirurgia. Procure um cirurgião plástico membro da
Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e busque também recomendações”, finaliza Farinazzo.
(BLANES. Simone. Por que jovens estão fazendo tanta cirurgia plástica?
Veja, 2022. Disponível em: https://veja.abril.com.br/comportamento/
por-que-jovens-estao-fazendo-tanta-cirurgia-plastica/. Acesso em:
13/05/2022. Adaptado.)
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