Em “(...) bebericando de vez em quando água de um copo minú...

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Q3016927 Português
UM ARTISTA DA FOME (fragmento)

Nas últimas décadas o interesse pelos artistas da fome diminuiu bastante. Se antes compensava promover, por conta própria, grandes apresentações desse gênero, hoje isso é completamente impossível. Os tempos eram outros.Antigamente toda a cidade se ocupava com os artistas da fome; a participação aumentava a cada dia de jejum; todo mundo queria ver o jejuador no mínimo uma vez por dia; nos últimos, havia espectadores que ficavam sentados dias inteiros diante da pequena jaula; também à noite se faziam visitas cujo efeito era intensificado pela luz de tochas; nos dias de bom tempo a jaula era levada ao ar livre e o artista mostrado especialmente às crianças. Embora para os adultos ele não passasse de um divertimento, no qual tomavam parte por causa da moda, as crianças olhavam com assombro, de boca aberta, uma segurando a mão da outra por insegurança, aquele homem pálido, de malha escura, as costelas extremamente salientes, que desdenhava até uma cadeira para ficar sentado sobre a palha espalhada no chão: ora ele acenava polidamente com a cabeça, ora respondia com um sorriso forçado às perguntas, esticando o braço pelas grades para que apalpassem sua magreza e mergulhando outra vez dentro de si mesmo, sem se importar com ninguém, nem mesmo com a batida do relógio — tão importante para ele e a única peça que decorava a jaula —, mas fitando o vazio com os olhos semicerrados e bebericando de vez em quando água de um copo minúsculo para umedecer os lábios.

[...]

— Franz Kafka, no livro “Essencial”. tradução Modesto Carone. São

Paulo: Companhia das Letras, 2011
Em “(...) bebericando de vez em quando água de um copo minúsculo para umedecer os lábios”, o termo em destaque estabelece ideia de:
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Tema central: Esta questão avalia o reconhecimento da relação lógica expressa pela preposição “para”, especificamente em orações reduzidas de infinitivo – um ponto fundamental da sintaxe concorrencial.

Segundo a gramática normativa, a preposição “para” frequentemente introduz indicações de finalidade (objetivo, propósito) em frases como: “Estudo para passar no concurso.” Aqui, o propósito do estudo é ser aprovado.

No trecho analisado – “bebericando de vez em quando água de um copo minúsculo para umedecer os lábios” – o termo destacado mostra o objetivo da ação de bebericar água: “umedecer os lábios”. Portanto, trata-se claramente de finalidade.

Autoridades como Evanildo Bechara (“Moderna Gramática Portuguesa”) explicam: “Usa-se ‘para’ para indicar o objetivo pretendido em relação à ação anterior”. Também Celso Cunha e Lindley Cintra reforçam que, nessas construções, “para” reforça a ideia de propósito ou intenção.

Análise das alternativas:

A) Condição – Incorreto. Não há sentido de “caso”, “se”, ou dependência entre as ações.
B) Conclusão – Errado. Não se trata de desenlace ou resultado anterior, mas de intenção.
C) Causa – Incorreto. “Causa” responde a “por quê”. Aqui a água não é bebida porque os lábios estão secos, mas para ficar úmidos.
D) FinalidadeCorreta. Mostra o propósito de bebericar água: umedecer os lábios.

Estratégia para não errar: Nas provas, esteja atento a expressões que introduzem oração de infinitivo precedida de “para”: quase sempre indicam finalidade. Pergunte-se: “Qual é o objetivo da ação principal?” Se houver resposta clara, trata-se de finalidade.

Resumo da regra: Para + infinitivo = finalidade.

Alternativa correta: D) Finalidade

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Finalidade: para, para que, afim de, afim de que, de sorte que, de modo que, porque.

Finalidade

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