O seguinte verbo em destaque NÃO está conjugado de acordo co...

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Q2909262 Português

O gigolô das palavras

Quatro ou cinco grupos diferentes de alunos

do Farroupilha estiveram lá em casa numa mesma

missão, designada por seu professor de Português:

saber se eu considerava o estudo da Gramática indis

5 pensável para aprender e usar a nossa ou qualquer

outra língua. Suspeitei de saída que o tal professor

lia esta coluna, se descabelava diariamente com

suas afrontas às leis da língua, e aproveitava aque

la oportunidade para me desmascarar. Já estava até

10preparando, às pressas, minha defesa (“Culpa da re

visão! Culpa da revisão!”). Mas os alunos desfizeram

o equívoco antes que ele se criasse. Eles mesmos

tinham escolhido os nomes a serem entrevistados.

Vocês têm certeza que não pegaram o Veríssimo er

15rado? Não. Então vamos em frente.

Respondi que a linguagem, qualquer linguagem,

é um meio de comunicação e que deve ser julgada

exclusivamente como tal. Respeitadas algumas regras

básicas da Gramática, para evitar os vexames mais

20gritantes, as outras são dispensáveis. A sintaxe é uma

questão de uso, não de princípios. Escrever bem é es

crever claro, não necessariamente certo. Por exemplo:

dizer “escrever claro” não é certo, mas é claro, certo?

O importante é comunicar. (E quando possível surpre

25ender, iluminar, divertir, mover… Mas aí entramos na

área do talento, que também não tem nada a ver com

Gramática.) A Gramática é o esqueleto da língua. [...]

É o esqueleto que nos traz de pé, mas ele não informa

nada, como a Gramática é a estrutura da língua, mas

30 sozinha não diz nada, não tem futuro. As múmias con

versam entre si em Gramática pura.

Claro que eu não disse isso tudo para meus en-

trevistadores. E adverti que minha implicância com

a Gramática na certa se devia à minha pouca inti-

35midade com ela. Sempre fui péssimo em Português.

Mas – isso eu disse – vejam vocês, a intimidade com

a Gramática é tão dispensável que eu ganho a vida

escrevendo, apesar da minha total inocência na ma-

téria. Sou um gigolô das palavras. Vivo às suas cus-

40tas. E tenho com elas exemplar conduta de um cáften

profissional. Abuso delas. Só uso as que eu conheço,

as desconhecidas são perigosas e potencialmente

traiçoeiras. Exijo submissão. Não raro, peço delas

flexões inomináveis para satisfazer um gosto pas

45sageiro. Maltrato-as, sem dúvida. E jamais me deixo

dominar por elas. [...]

Um escritor que passasse a respeitar a intimida

de gramatical das suas palavras seria tão ineficiente

quanto um gigolô que se apaixonasse pelo seu plantel.



VERISSIMO, Luis Fernando. O gigolô das palavras. In: LUFT, Celso Pedro. Língua e liberdade: por uma nova concepção de língua materna e seu ensino. Porto Alegre: L&PM, 1985. p. 36. Adaptado.

Texto II

Aula de português

A linguagem

na ponta da língua,

tão fácil de falar

e de entender.

5 A linguagem

na superfície estrelada de letras,

sabe lá o que ela quer dizer?

Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,

e vai desmatando

10o amazonas de minha ignorância.

Figuras de gramática, equipáticas,

atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me.

Já esqueci a língua em que comia,

15em que pedia para ir lá fora,

em que levava e dava pontapé,

a língua, breve língua entrecortada

do namoro com a prima.

O português são dois; o outro, mistério.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Aula de português. In: Reunião: 10 livros de poesia. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1974. p. 81.

O seguinte verbo em destaque NÃO está conjugado de acordo com a norma-padrão:

Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: C

Fundamento decisivo: O comando fixa um critério estritamente normativo — identificar o verbo que NÃO está conjugado segundo a norma-padrão — e a alternativa C é a única em desacordo com a conjugação do verbo irregular "dispor": no futuro do subjuntivo, a forma correta da 1ª pessoa do plural é "dispusermos", não "dispormos".

Tema central: conjugação verbal normativa
Análise das alternativas
A
Errada
Não pode ser o gabarito porque "couber" está corretamente conjugado. Trata-se do futuro do subjuntivo do verbo "caber", na 3ª pessoa do singular, forma adequada após a estrutura condicional introduzida por "se".
B
Errada
Não pode ser o gabarito porque "baniram" está corretamente flexionado no pretérito perfeito do indicativo, 3ª pessoa do plural, do verbo "banir". No contexto dado, a forma está de acordo com a norma-padrão.
C
Certa
A alternativa C é a resposta porque apresenta flexão verbal inadequada para o tempo e modo exigidos. A locução "assim que" projeta fato futuro e pede, nesse uso, o futuro do subjuntivo. Como "dispor" herda a irregularidade de "pôr", a forma normativa da 1ª pessoa do plural nesse tempo é "dispusermos", não "dispormos".
D
Errada
Não pode ser o gabarito porque "cremos" é forma correta do presente do indicativo, 1ª pessoa do plural, do verbo "crer". A frase apresenta conjugação normativa nesse contexto.
E
Errada
Não pode ser o gabarito porque "líamos" está corretamente flexionado no pretérito imperfeito do indicativo, 1ª pessoa do plural, do verbo "ler". A acentuação e a conjugação estão adequadas à norma-padrão.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre infinitivo pessoal e futuro do subjuntivo: "dispormos" existe como forma verbal, mas não serve no contexto da alternativa C, que exige "dispusermos".
Dica para questões semelhantes
  • Primeiro leia o comando: aqui o julgamento é apenas de norma-padrão, não de interpretação textual.
  • Em estruturas como "assim que" e "se", verifique se o contexto pede futuro do subjuntivo antes de aceitar uma forma parecida com infinitivo pessoal.
  • Nos verbos derivados de "pôr", confirme se a irregularidade foi mantida na conjugação; isso decide formas como "dispusermos".

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Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

Assim que dispusermos do gabarito

Verbo com terminação OR, segue a mesma conjugação do verbo PÔR.

Assim que dispusermos do gabarito, saberemos o resultado.

Desejo uma explicação mais detalhada, por favor.

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