"Um servidor com deficiência auditiva pode não responder a u...

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Q4371765 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão



Ética e inclusão: Atender com respeito às singularidades



Respeitar singularidades não é um favor; é um dever ético. A escuta com atenção, o olhar cuidadoso ao outro e a recusa a qualquer forma de discriminação são a base de um serviço público verdadeiramente ético e inclusivo.



Você já parou para pensar no que significa, de fato, atender o outro com respeito? Não se trata apenas de um bom dia educado ou de seguir um roteiro. Trata-se de enxergar a pessoa à nossa frente, seja ela um cidadão que busca um serviço, um colega de trabalho ou uma pessoa que trabalha conosco, em sua totalidade, com suas vivências, limitações e qualidades.



A ética pública nos convida a ir além da impessoalidade correta. Ela nos chama à escuta com atenção: aquela que não interrompe, não julga antes da hora e não impõe soluções padronizadas. O trabalho com pessoas, praticado todos os dias por todo servidor público, exige respeito à individualidade, ao ritmo, ao jeito de cada um, exige ajustes às necessidades e limitações.



Quantas vezes, no atendimento ao público, chamamos uma demanda de "difícil" apenas porque fugia do roteiro? Quantas vezes, na relação entre servidores, colocamos a hierarquia acima do respeito, a ponto de silenciar o outro? E nas Comissões de Ética, quantas diferenças podem passar despercebidas se não houver um olhar atento e sensível às diferentes realidades, de gênero, raça, deficiência, neurodiversidade, crença ou situação familiar? A honestidade, a cortesia, a boa-fé e a eficiência só se realizam plenamente quando somamos a inclusão como valor presente em tudo. Isso significa adaptar a linguagem, oferecer tempo e espaço para que o outro se expresse, e evitar atitudes de superioridade ou discriminatórias — ainda que sem querer.



Para as Comissões de Ética, esse cuidado é ainda mais importante. Suas funções exigem uma postura respeitosa e justa, mas também sensibilidade para compreender o contexto de quem fala. Um servidor com deficiência auditiva pode não responder a um comando falado de imediato; uma pessoa em situação de rua pode ter dificuldade de se expressar de forma mais formal; um colega autista pode entender instruções de forma literal. Acolher essas diferenças não é "dar tratamento privilegiado", é garantir a igualdade de tratamento naquilo que é essencial, respeitando o que é particular de cada um.



Para as autoridades mais altas, o chamado é ainda mais forte, é obrigatório: a hierarquia não dispensa o respeito. Pelo contrário, exige ainda mais responsabilidade na forma de cobrar resultados, de ouvir opiniões contrárias e de reconhecer os próprios erros de julgamento. Um gestor que não respeita as diferenças de sua equipe gera medo, adoecimento e prejudica não só o ambiente de trabalho, mas a confiança na instituição.



Neste mês, fazemos um convite à reflexão.



Minhas atitudes, palavras e decisões demonstram escuta ativa e respeito às diferenças?



Estou atento(a) a situações em que, mesmo sem intenção, padronizo expectativas e desconsidero as diferenças das pessoas?



Como posso contribuir para que o ambiente de trabalho e o atendimento ao público sejam espaços de acolhimento e igualdade? 



A ética pública não se resume ao cumprimento de leis e regras. Ela se vive na relação concreta com o outro, em como pedimos desculpas por um erro e como aprendemos com quem é diferente de nós. E a empatia, a capacidade de se colocar no lugar do outro, de compreender suas motivações, limitações e emoções, é ferramenta essencial para uma conduta verdadeiramente íntegra, ética e inclusiva. Sem empatia, o trato neutro vira frieza; a hierarquia, autoritarismo; a regra, obstáculo.



Cabe a nós reafirmar nosso compromisso permanente com a ética, a integridade e o respeito nas relações institucionais, reconhecendo que empatia não é fraqueza e inclusão não é excesso de tolerância, mas o reconhecimento "do outro" como parte legítima da relação. Que a escuta com atenção e o respeito às diferenças sejam nossa referência. Assim, o serviço público se fortalece, e o Brasil avança com ética para todos.

"Um servidor com deficiência auditiva pode não responder a um comando falado de imediato; uma pessoa em situação de rua pode ter dificuldade de se expressar de forma mais formal; um colega autista pode entender instruções de forma literal. Acolher essas diferenças não é 'dar tratamento privilegiado', é garantir a igualdade de tratamento naquilo que é essencial, respeitando o que é particular de cada um."

Considerando os mecanismos de coesão e coerência empregados no texto, analise as afirmativas a seguir.

I. A expressão ''essas diferenças'' retoma, de forma anafórica, o conjunto de situações mencionadas anteriormente no período (a respeito do servidor com deficiência auditiva, da pessoa em situação de rua e do colega autista).
II. Os pontos e vírgulas empregados entre os três exemplos citados cumprem função equivalente à da conjunção ''e'', articulando os exemplos como itens de uma mesma enumeração.
III. A oração ''não é dar tratamento privilegiado'' estabelece relação de causa em relação à oração seguinte, justificando por que é necessário garantir a igualdade de tratamento.
IV. O pronome ''que'' em "naquilo que é essencial" e o pronome ''que'' em ''o que é particular'' exercem a mesma função sintática, retomando, em ambos os casos, o mesmo termo antecedente.

Assinale a alternativa que apresenta as afirmativas corretas.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: No trecho “Acolher essas diferenças não é "dar tratamento privilegiado", é garantir a igualdade de tratamento naquilo que é essencial, respeitando o que é particular de cada um.”, “não é”/“é” contrapõe caracterizações, e os relativos, embora exerçam a mesma função, têm antecedentes distintos. Assim, III e IV são falsas; como I e II são corretas, o gabarito é A.

Tema central: Coesão e relações de sentido
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A reúne as duas afirmativas sustentadas pelo trecho. I está correta porque “essas diferenças” recupera o conjunto das particularidades do servidor com deficiência auditiva, da pessoa em situação de rua e do colega autista. II também está correta: os pontos e vírgulas articulam três exemplos de mesmo estatuto em uma enumeração aditiva. A equivalência com “e” vale para essa articulação contextual, não significa identidade gramatical entre pontuação e conjunção.
B
Errada
Inclui III indevidamente: a sequência “não é”/“é” rejeita a caracterização do acolhimento como privilégio e afirma sua caracterização como garantia de igualdade; não apresenta uma causa. Além disso, exclui I, embora “essas diferenças” retome de forma anafórica as situações dos três exemplos anteriores.
C
Errada
Inclui III, que confunde contraste entre caracterizações com causalidade. Também exclui II, embora os pontos e vírgulas separem orações que acrescentam exemplos de uma mesma enumeração, com valor aditivo comparável ao de “e” nesse contexto.
D
Errada
Acrescenta IV, que é parcialmente verdadeira, mas falsa em seu conjunto. Os dois relativos “que” exercem função de sujeito; porém, em “naquilo que é essencial”, o antecedente é “aquilo”, presente em “naquilo”, enquanto em “o que é particular” o antecedente é o demonstrativo “o”. A equivalência semântica entre “o” e “aquilo” não os torna o mesmo termo antecedente.
Pegadinha da questão
IV combina uma informação verdadeira — os dois relativos são sujeitos — com uma falsa — ambos retomariam o mesmo termo antecedente. Já II exige reconhecer equivalência de articulação enumerativa, sem confundir pontos e vírgulas com a classe gramatical da conjunção “e”.
Dica para questões semelhantes
  • Ao analisar uma retomada demonstrativa, verifique se ela resume situações anteriores, mesmo sem repetir um substantivo.
  • Avalie o valor da pontuação na sequência concreta: aqui, os exemplos separados por pontos e vírgulas se somam em uma enumeração.
  • Na estrutura “não é”/“é”, identifique a caracterização rejeitada e a afirmada antes de atribuir uma relação de causa.
  • Examine separadamente a função sintática e o antecedente de cada relativo: ter a mesma função não significa retomar o mesmo termo.

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Comentários

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Gabarito: A (I e II, apenas)



I. CORRETA: A expressão "essas diferenças" funciona como um anafórico, retomando e resumindo os três exemplos apresentados antes (o servidor surdo, a pessoa em situação de rua e o colega autista).

II. CORRETA: Os pontos e vírgulas foram usados para separar os itens de uma enumeração na frase, cumprindo um papel aditivo, equivalente à conjunção "e".

III. INCORRETA: As estruturas marcam uma relação de oposição/contraste, e não de causa e efeito.

IV. INCORRETA: Os dois pronomes "que" até têm a mesma função sintática (sujeito), mas não retomam o mesmo termo antecedente. O primeiro retoma "aquilo" e o segundo retoma "o".

Item III

"Acolher essas diferenças não é 'dar tratamento privilegiado', é garantir a igualdade de tratamento"

Na verdade, "acolher as diferenças" é "garantir a igualdade de tratamento" - Esta sim seria uma relação de causa e consequência.

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