Acerca do costume a que o autor se refere que possuía desde ...
Coisas & Pessoas
Desde pequeno, tive tendência para personificar as coisas. Tia Tula, que achava que mormaço fazia mal, sempre gritava: “Vem pra dentro, menino, olha o mormaço!”. Mas eu ouvia o mormaço com M maiúsculo. Mormaço, para mim, era um velho que pegava crianças! Ia pra dentro logo. E ainda hoje, quando leio que alguém se viu perseguido pelo clamor público, vejo com estes olhos o Sr. Clamor Público, magro, arquejante, de preto, brandindo um guarda-chuva, com um gogó protuberante que se abaixa e levanta no excitamento da perseguição. E já estava devidamente grandezinho, pois devia contar uns trinta anos, quando me fui, com um grupo de colegas, a ver o lançamento da pedra fundamental da ponte Uruguaiana-Libres, ocasião de grandes solenidades, com os presidentes Justo e Getúlio, e gente muita, tanto assim que fomos alojados os do meu grupo num casarão que creio fosse a Prefeitura, com os demais jornalistas do Brasil e Argentina. Era como um alojamento de quartel, com breve espaço entre as camas e todas as portas e janelas abertas, tudo com os alegres incômodos e duvidosos encantos, um vulto junto à minha cama, senti-me estremunhado e olhei atônito para um tipo de chiru, ali parado, de bigodes caídos, pala pendente e chapéu descido sobre os olhos. Diante da minha muda interrogação, ele resolveu explicar-se, com a devida calma:
– Pois é! Não vê que eu sou o sereno…
E eis que, por milésimo de segundo, ou talvez mais, julguei que se tratasse do sereno noturno em pessoa. [...]
(Mário Quintana. Caderno H. 5. ed. São Paulo: Globo, 1989, p. 153-154.)
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Vamos analisar a questão em foco, que envolve a identificação de uma figura de linguagem. O texto fornecido por Mário Quintana menciona a tendência do autor de personificar elementos abstratos ou inanimados, como o "mormaço" e o "clamor público", transformando-os em figuras humanas.
A figura de linguagem que se destaca nesse contexto é a personificação (ou prosopopeia), que consiste em atribuir características humanas a seres inanimados ou conceitos abstratos.
Agora, vamos à análise das alternativas:
A - “Durante uns quinze dias o visitante saturou-se até os ossos, de euforia paisagística.”
Essa alternativa não apresenta personificação. Aqui, a euforia é uma característica do visitante, sem nenhuma atribuição de vida ou ação humana a um ser inanimado.
B - “Deus lhe pague / Pelo prazer de chorar e pelo estamos aí / Pela piada no bar e o futebol pra aplaudir”
Esta opção não contém personificação. Embora use uma linguagem figurada, não atribui características humanas a objetos ou conceitos inanimados.
C - “E se eu disser que à noite não consigo / sequer adormecer porque me agarro / à imagem que de ti em vão persigo?”
A alternativa C fala da perseguição a uma imagem, mas não transforma essa imagem em uma figura humana. Portanto, não é uma personificação.
D - “Rio lento de várzea, / vou agora ainda mais lento, / que agora minhas águas / de tanta lama me pesam.”
Essa é a alternativa correta, pois o rio é descrito com a capacidade de agir “vou agora ainda mais lento”, atribuindo-lhe características humanas. Esta personificação se alinha ao que o texto de Mário Quintana descreve em relação à sua tendência de personificar elementos do ambiente.
Assim, a alternativa D é a que melhor exemplifica a personificação, correspondendo ao costume a que o autor se refere no texto.
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Personificação é o mesmo que Prosopopeia. Representam figuras de linguagem capazes de atribuir a seres irracionais ou a objetos inanimados, ações, qualidades e sentimentos que são próprios dos seres humanos.
(Fonte: https://www.figuradelinguagem.com/prosopopeia-personificacao/)
A questão solicita ao candidato que discrimine entre as alternativas alguma que traga a figura de linguagem "personificação (ou prosopopeia)", pois nas primeiras palavras do texto o autor diz: "Desde pequeno, tive tendência para personificar as coisas". Ora, o que é a prosopopeia senão isso que o autor definiu concisa e corretamente? Sendo assim, apenas na última alternativa existe a presença dessa figura de linguagem. Um rio não é "lento". Esse predicado não lhe pertence.
Letra D
A ÚNICA ALTERNATIVA QUE APRESENTA UMA PERSONIFICAÇÃO É A LETRA 'D' CONFORME O AUTOR DO TEXTO PERSONIFICA
COISAS X PESSOAS NESSE CASO É A PERSOIFICAÇÃO DO RIO.
GABARITO D
Resuminho pra vocês sobre Figuras de linguagem:
METÁFORA: Comparação implícita
SÍMILE: Comparação explícita
ANTÍTESE: oposição lógica
PARADOXO: oposição não lógica
HIPÉRBOLE: exagero
EUFEMISMO: suavização
ELIPSE: Omissão de um termo subentendido
ZEUGMA: omissão de um termo já dito.
POLISSÍNDETO: Vários conectivos
ASSÍNDETO: Nenhum conectivo
ALITERAÇÃO: Repetição de consoantes
ASSONÂNCIA: Repetição de vogais
PLEONASMO ENFÁTICO: reforçar a ideia
IRONIA: sarcasmo
GRADAÇÃO: ascensão
ONOMATOPEIA: é uma figura de linguagem que significa o emprego de uma palavra ou conjunto de palavras que sugerem algum ruido:
HIPÉRBATO: inversão, ordem indireta da frase
METONÍMIA: substituição do autor pela obra
CATACRESE: ausência de termos especifica, pé da mesa
SINÉDOQUE: subs. do todo pela parte
SINESTESIA: mistura de sentidos
PROSOPOPEIA: personificação de coisas
PARONOMÉSIA: trocadilho
APÓSTROFE: vocativo
SILEPSE: concordância com a ideia
PERÍFRASE: caracterizar por fatos
ANÁFORA: repetição
ANACOLUTO: interrupção
QUESTÃO NADA VER DO CAO
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