Leia e analise as assertivas que seguem: I.Em "Ler Bagagem ...

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Q3653771 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Familiar e universal


Vencedora do Prêmio Camões 2024, a poeta mineira Adélia Prado tem obra reeditada em celebração aos 50 anos de sua estreia, com "Bagagem"

Laura Machado

Aos 89 anos de idade, a poeta mineira Adélia Prado recebeu dois dos mais importantes prêmios da literatura de língua portuguesa, quase ao mesmo tempo. Em junho do ano passado recebeu o Prêmio Machado de Assis e o Camões. Às vésperas de completar meio século de estreia, com Bagagem , ela tem sua obra reeditada pela Record.

Foi em outubro de 1975 que o poeta (também mineiro) Carlos Drummond de Andrade recebeu uma coletânea original de poemas escritos por uma mulher de 40 anos, mãe de cinco filhos, chamada Adélia Luzia Prado de Freitas. Sem conhecer aquela estreante, ele escreveu no Jornal do Brasil: "Adélia é lírica, bíblica, existencial, faz poesia como faz bom tempo. (...) Adélia já viu a Poesia, ou Deus, flertando com ela. Adélia é fogo: fogo de Deus em Divinópolis". Drummond repassou o manuscrito para o editor Pedro Paulo de Sena Madureira, que o publicou pela editora Imago. No evento de lançamento, além de Drummond, estavam presentes autores como Clarice Lispector, Nélida Piñon, Antônio Houaiss e Affonso Romano de Sant'Anna, a quem Adélia havia enviado seus poemas antes de submetê-los a Drummond.

Sua obra de estreia trazia já algumas das características que persistem. A religiosidade, as vivências femininas, as experiências no interior de Minas Gerais e os pensamentos que emolduram o envelhecer. [...]

Ler Bagagem é como se ajoelhar em posição de oração na igreja aos domingos, tomar um café com bolo caseiro na sala de estar da avó, ser criança e caçar borboletas no jardim de casa.

Dividido em cinco blocos, Bagagem reúne poemas germinados desde os 20 anos e que, por cerca de duas décadas, dormiram na gaveta. No poema "Explicação de poesia sem ninguém pedir", Adélia escreve: "Um trem é uma coisa mecânica,/ mas atravessa a noite, a madrugada, o dia,/ atravessou a minha vida,/ virou só sentimento." [...]

A presença da figura feminina é uma constante na literatura da escritora mineira, e, entre religiosidade e sexualidade, seus versos são como brasa ao retratar e misturar seus conceitos. Bagagem é uma obra sobre a grandeza na pequenez, uma ode requintada sobre as fases da vida e os sentimentos que prenunciam a maturidade.

Além de Bagagem , obras da poeta também foram editadas e relançadas pela Record quase simultaneamente: os livros de poesia Terra de Santa Cruz e O pelicano e o romance O homem da mão seca, [...].

Terra de Santa Cruz foi originalmente o terceiro livro lançado por Adélia Prado, cinco anos depois de sua estreia com Bagagem e três anos após sua consolidação como autora, através da publicação de O coração disparado . Assim, lançado em 1981, esta obra fecha a "santíssima trindade" do modo poético de Adélia Prado, como foi dito pelo crítico de literatura, jornalista e professor Augusto Massi.

Nela, as particularidades da linguagem de Adélia se tornam ainda mais profundas. Os seus pensamentos e reflexões acerca da morte ganham lugar de destaque. Utilizando-se da religiosidade e, até mesmo, de pequenos toques de escatologia, desmembra a familiaridade daquilo que é universal.


(Disponível em: https://www.pernambucorevista.com.br/secoes/resenha/familiar-e-universal. Acesso em 26 jun. 2026. Adaptado.)
Leia e analise as assertivas que seguem:

I.Em "Ler Bagagem é como se ajoelhar em posição de oração na igreja aos domingos, tomar um café com bolo caseiro na sala de estar da avó, ser criança e caçar borboletas no jardim de casa", a autora usou uma figura de linguagem para expressar o que ela considera ser a leitura dessa obra de Adélia Prado, a saber, a metáfora.
II.Em "Utilizando-se da religiosidade", a colocação pronominal está adequada porque ocorre no início da oração. Mesmo que a língua portuguesa, no Brasil, aceite o uso do pronome átono iniciando oração em contextos informais, ele ainda não é aceito em contextos formais da escrita.
III.Em "Nela, as particularidades da linguagem de Adélia se tornam ainda mais profundas", Nela faz referência ao termo cunhado por um crítico de literatura ao conjunto de três obras de poesia de Adélia Prado, a saber, a "santíssima trindade". Temos nesse contexto uma relação anafórica, uma vez que o pronome "ela" aponta para algo já mencionado no texto.

É correto o que se afirma em:
Alternativas

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Tema central da questão: Interpretação de texto, figuras de linguagem (metáfora), coesão referencial (anáfora) e colocação pronominal (ênclise/proclise), todos de acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa.

Análise das assertivas:

II. Colocação pronominal
Em "Utilizando-se da religiosidade", o pronome "se" está colocado após o verbo no gerúndio, formando uma ênclise, que é a regra normativa exigida nesse caso. Segundo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), deve-se usar a ênclise com verbos no gerúndio não precedidos de palavra atrativa. Ainda, a próclise inicial (se utilizando...) é condenada em contextos formais. A assertiva está correta.

III. Referência anafórica
No trecho "Nela, as particularidades da linguagem de Adélia se tornam ainda mais profundas", o termo Nela exerce função de anáfora, pois retoma Terra de Santa Cruz, mencionado anteriormente no texto. Isso segue a definição clássica de anáfora, conforme Cunha & Cintra: “a anáfora retoma termos previamente apresentados, promovendo coesão textual”. A assertiva está correta.

I. Metáfora
A frase "Ler Bagagem é como se ajoelhar [...] tomar um café [...] ser criança [...]" de fato emprega comparações, mas não apresenta a metáfora clássica, sim a comparação. A presença explícita de “é como” caracteriza comparação, e não metáfora (na metáfora a relação é implícita, sem uso de elementos comparativos). Ex.: “Ela é uma leoa” (metáfora) x “Ela é como uma leoa” (comparação). A assertiva está incorreta.

Análise das alternativas:

Letra C – II e III, apenasCorreta, pois somente essas assertivas seguem rigorosamente a norma-padrão e a análise textual precisa.

Estratégia para provas: Ao analisar figuras de linguagem, observe se há termos comparativos explícitos (“como”, “tal qual”, “parece”). Nas relações anafóricas, busque sempre o termo imediatamente anterior relacionado ao pronome. Para pronomes em início de oração, evite próclise na escrita formal.

Resumo: O domínio da gramática normativa e da coesão textual é essencial para interpretar questões desse tipo e evitar pegadinhas frequentes em provas.

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Comentários

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Segue minha correção da questão.

I- Errado. "Ler Bagagem é como se ajoelhar em posição de oração na igreja aos domingos, tomar um café com bolo caseiro na sala de estar da avó, ser criança e caçar borboletas no jardim de casa". O erro do item é, afirmar que a comparação estabelecida pela autora é uma metáfora, quando na verdade percebe-se pelo uso do conectivo como que, trata-se da figura de linguagem chamada comparação.

Revisão rápida sobre Metáfora X Comparação

Na metáfora, há uma comparação implícita entre dois termos, sem o uso de qualquer conectivo.. Ex: Zeca é Fera em matemática.

Por outro lado, na comparação, temos uma comparação explícita entre dois termos, com a presença de conectivos para estabelecer essa relação. Ex: Lucas é forte como um Touro.

II- Certo. Na língua formal da escrita, NUNCA devemos iniciar uma oração ou um período com pronomes oblíquos átonos ( me, te, se, o ,a , lhe, nos, vos, os, as, lhes). Por outro lado, na linguagem popular ou coloquial, é normal o uso dos referidos pronomes pra iniciar uma oração.

Um exemplo batido disso, é o uso do Te amo, onde dificilmente alguém irá falar Amo-te ( ainda que seja o correto).

III- Certo. Os pronomes pessoais do caso reto, podem exercer a função anafórica ( retomando algo que já foi dito) dentro do texto, como é o caso da questão.

Qualquer equívoco no meu comentário, fiquem a vontade para corrigi-lo

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