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Q3365965 Medicina
Paciente 35 anos, feminina, vítima de ferimento por projétil de arma de fogo transfixante de mediastino posterior, com fratura parcial de corpo vertebral de T5. Submetida à drenagem pleural bilateral na admissão. Dreno no hemitórax esquerdo retirado no 5º dia pós-trauma, mantido dreno em hemitórax direito. Após 7 dias, nota-se aumento do débito do dreno, com saída de líquido turvo, com aumento de 150 mL do volume drenado diariamente. Últimas 24 horas = 650 mL, líquido esbranquiçado. Bom estado geral. Após quinze dias do início do quadro, a análise do líquido demonstra exsudato com predomínio de linfócitos (90%).
O diagnóstico e a conduta serão, respectivamente:
Alternativas

Gabarito comentado

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Comentário da Questão:

Tema central: A questão aborda o quadro clínico de quilotórax traumático em decorrência de lesão do ducto torácico. O quilotórax é definido pelo acúmulo de linfa no espaço pleural, geralmente reconhecido pelo líquido esbranquiçado, turvo e rico em linfócitos, com aumento persistente do débito de drenagem após trauma torácico.

Justificativa da alternativa correta (B):
O diagnóstico de quilotórax é sugerido por: líquido pleural esbranquiçado, exsudato com predomínio linfocitário (90%) e débito elevado em paciente com trauma torácico que envolveu o mediastino posterior e a região ao redor de T5 (trajeto típico do ducto torácico). O tratamento indicado após insucesso do manejo conservador e volume elevado (> 500mL/dia) é a ligadura dos cotos lesados do ducto torácico por videotoracoscopia, como preconizado em literatura especializada (HARRISON, 20ª ed.; UpToDate).

“A ligadura do ducto torácico deve ser considerada em persistência de débito volumoso, como nos casos com saída superior a 500mL/dia além de 2 semanas.” (Sabiston, Tratado de Cirurgia, 21ª ed.)

Análise das alternativas incorretas:

A) Empiema pleural: geralmente o líquido é purulento, não esbranquiçado; o predomínio linfocitário não é esperado.

C) Lesão esofágica térmica: ausência de sinais infecciosos ou de comunicação com o trato digestório neste caso clínico, além de não se relacionar com líquido linfocitário esbranquiçado.

D) Necrose pulmonar infectada: quadro evolui com líquido purulento/sanguinolento, e não predomínio linfocitário.

E) “Empiema quiloso” não é termo reconhecido pela literatura ou protocolos; além disso, diante do alto débito e duração, a conduta conservadora é insuficiente.

Dica de prova: Sempre atente ao aspecto do líquido no dreno, ao volume e as condições do trauma. Identifique termos com pouca precisão técnica, como "empiema quiloso". Busque os sinais clássicos do quilotórax: líquido branco, linfocitose e relação topográfica com o ducto torácico.

Conclusão: O gabarito B está correto pois contempla diagnóstico preciso e tratamento alinhado às melhores práticas cirúrgicas para quilotórax traumático persistente.

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