Paciente 48 anos, com neoplasia de mama (carcinoma ductal i...

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Q3365954 Medicina
Paciente 48 anos, com neoplasia de mama (carcinoma ductal invasivo, positivo para marcadores hormonais). Estadiamento da doença mamária demonstra nódulo pulmonar, padrão de vidro fosco, em lobo superior de pulmão esquerdo (tomografia de tórax), com 1,8 cm no maior eixo, alongado, distante 1,0 cm da parece torácica lateral. Paciente tem tomografia de tórax realizada 5 anos atrás, evidenciando o nódulo, com as mesmas características. No momento, assintomática do ponto de vista infeccioso e pulmonar.
Dados: PET = pósitron emission tomography; CT = computet tomography; SUV = standardized uptake value; BAAR = bacilo álcool ácido resistente.
A conduta momentânea, quanto ao nódulo pulmonar, será submeter a paciente a
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Tema central: manejo de nódulo pulmonar sub-sólido (padrão de vidro fosco) em paciente oncológica. Vidro fosco é aumento de atenuação sem apagar vasos/bronquíolos; costuma corresponder a lesões indolentes (ex.: adenocarcinoma in situ/lesão pré-invasiva) e tem baixa captação no PET.

Alternativa correta: C – nova tomografia em prazo ≤ 6 meses. Nódulo em vidro fosco de 1,8 cm, estável por 5 anos, sugere lesão indolente/benigna. Diretrizes (Fleischner Society 2017; ACCP; UpToDate) recomendam, para nódulos puros em vidro fosco ≥ 6 mm, controle tomográfico seriado por até 5 anos; se estável, pode-se cessar ou manter vigilância espaçada. Em paciente oncológica, é razoável confirmar estabilidade com TC de curto intervalo (≤ 6–12 meses) antes de qualquer intervenção, pois o crescimento, quando ocorre, é muito lento. Assim, a conduta menos invasiva e segura é repetir a TC em até 6 meses.

Por que as demais estão incorretas?

A – Biópsia dirigida por tomografia: Embora esteja a 1 cm da pleura (acessível), a baixa celularidade de nódulos em vidro fosco reduz o rendimento diagnóstico e aumenta falso-negativo; há risco de pneumotórax. Com estabilidade de 5 anos, não há indicação imediata de biópsia sem sinais de progressão. Diretrizes reservam biópsia para crescimento ou surgimento de componente sólido.

B – Broncofibroscopia e criobiópsia: Lesão periférica, subpleural, pequena e em vidro fosco tem baixa taxa de diagnóstico por via endobrônquica, mesmo com criobiópsia. Procedimento invasivo e desnecessário diante da longa estabilidade.

D – PET/CT e biópsia transparietal se SUVmax ≤ 2,5: PET tem baixa sensibilidade em nódulos de vidro fosco; a captação frequentemente é baixa ou ausente, gerando falso-negativo. Usar um ponto de corte de SUV para indicar biópsia é inadequado nesse contexto. A decisão deve basear-se em morfologia e dinâmica temporal (crescimento/componente sólido), não no SUV.

E – Citologia do escarro e/ou lavado broncoalveolar: Sensibilidade muito baixa para nódulos periféricos e sub-sólidos. Não é exame de escolha para investigação de nódulo pulmonar incidental estável.

Estratégia de prova (pegadinhas): Ter outro câncer não torna todo nódulo pulmonar uma metástase. Metástases de mama costumam ser nódulos sólidos, múltiplos. O padrão vidro fosco e a estabilidade por 5 anos favorecem lesão indolente. Em nódulos sub-sólidos, priorize vigilância com TC e só invista em biópsia diante de crescimento ou aparecimento de componente sólido.

Referências úteis: Fleischner Society Guidelines 2017 (Radiology, MacMahon et al.); ACCP Guidelines para nódulo pulmonar; UpToDate (evaluation of subsolid pulmonary nodules).

Gabarito: C

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