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Q3574407 Português
Aprender a escrever é, em grande parte, se não principalmente, aprender a pensar, aprender a encontrar ideias e a concatená-las, pois, assim como não é possível dar o que não se tem, não se pode transmitir o que a mente não criou ou não aprovisionou. Quando os professores nos limitamos a dar aos alunos temas para redação sem lhes sugerirmos roteiros ou rumos para fontes de ideias, sem, por assim dizer, lhes “fertilizarmos” a mente, o resultado é quase sempre desanimador: um aglomerado de frases desconexas, malredigidas, malestruturadas, um acúmulo de palavras que se atropelam sem sentido e sem propósito; frases em que procuram fundir ideias que não tinham ou que foram malpensadas ou maldigeridas. Não podiam dar o que não tinham, mesmo que dispusessem de palavras-palavras, quer dizer, palavras de dicionário, e de noções razoáveis sobre a estrutura da frase. É que palavras não criam ideias; estas, se existem, é que, forçosamente, acabam corporificando-se naquelas, desde que se aprenda como associá-las e concatená-las, fundindo-as em moldes frasais adequados. Quando o estudante tem algo a dizer, porque pensou, e pensou com clareza, sua expressão é geralmente satisfatória.

GARCIA, Othon Moacyr. Comunicação em prosa moderna. 27. ed. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2010. p. 301.

Assim como neste trecho, em Comunicação em Prosa Moderna, Garcia defende que a escrita é um processo que envolve:
Alternativas

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Tema central da questão: Interpretação de texto, com foco na compreensão sobre clareza textual e a relação entre pensamento estruturado e expressão escrita eficaz.

O autor, Othon Moacyr Garcia, argumenta: escrever bem depende de pensar bem. Ele enfatiza que não é possível transmitir aquilo que a mente não elaborou. A escrita clara nasce do raciocínio claro; palavras, gramática e vocabulário somente dão forma ao que já existe em nossa mente, mas não criam ideias por si. Esse entendimento está totalmente alinhado à norma-padrão e aos manuais oficiais que destacam a importância da coerência e da organização lógica das ideias para garantir efetiva comunicação.

Justificativa para a alternativa C (correta): A alternativa C diz: “a estimulação do pensamento e da capacidade de organizar ideias, pois a clareza da escrita nasce da clareza do raciocínio.” Isso traduz fielmente o argumento central do texto, no qual Garcia destaca que a essência do escrever está em pensar, concatenar e organizar ideias antes de redigi-las. Segundo Bechara (Gramática da Língua Portuguesa), um texto claro exige estrutura lógica (coerência) e domínio do conteúdo.

Análise das alternativas incorretas:

A) Focando no vocabulário e na memorização de estruturas, desconsidera o fator primordial: organização de ideias.
B) O simples ler dicionários e gramáticas não garante ideias para o texto.
D) A prática mecânica de estruturas linguísticas não resolve a questão fundamental citada pelo autor: ter o que dizer.
E) Corrigir erros gramaticais é importante, mas a qualidade textual depende primeiramente da clareza do pensamento e não apenas da gramática.

Estratégia de resolução: Em questões de interpretação, busque palavras-chave do texto que revelem a tese do autor (“aprender a pensar”, “não se pode transmitir o que a mente não criou”). Fique atento a alternativas que distorcem o foco central do texto ou privilegiam aspectos periféricos.

Resumo: A alternativa correta é a C — a escrita clara resulta de ideias claras e bem organizadas. Aprimore sempre seu raciocínio lógico antes de se preocupar apenas com regras formais.

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