A doença da solidão Da Idade das Pedras à das máquinas inte...
Da Idade das Pedras à das máquinas inteligentes, a solidão é um sentimento que desafia continuamente o ser humano. Expressa em diferentes culturas e meios artísticos, está no centro da existência da ingênua Amélie Poulain, da rejeitada Macabéa de A Hora da Estrela, do náufrago Chuck Noland, vivido por Tom Hanks, e do bilionário Bruce Wayne, que se transforma em Batman. A sensação de se sentir isolado, mesmo quando rodeado de pessoas, tornou-se, no entanto, um assunto de saúde pública. Como mostram pesquisas recentes, a solidão adoece – literalmente. O alarme acaba de ser soado pela Comissão de Conexão Social da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Em relatório recém-publicado, a entidade revela que quase 20% da população global se considera solitária. Tamanho contingente está mais vulnerável a uma legião de perigos que vão de infarto e derrame a alcoolismo e ideação suicida. Por ano, são mais de 870 000 mortes ligadas ao problema no planeta. Um paradoxo para uma era em que a humanidade nunca esteve tão conectada – ao menos virtualmente.
FELIX, Paula. A doença da solidão. Revista Veja. Editora Abril, São Paulo, v. 2.959, ano 58, n. 28, p. 62, 11 de julho de 2025 (Adaptado).
Com base no texto, o paradoxo mencionado pela autora refere-se
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Comentário da questão – Interpretação de Texto: Paradoxo
Tema central: Nesta questão, o assunto principal é a interpretação de texto, especialmente relacionada ao reconhecimento de paradoxo – uma figura de linguagem que expressa ideias aparentemente contraditórias.
Definição essencial: Segundo autores como Celso Cunha & Lindley Cintra e Evanildo Bechara, paradoxo consiste na exposição de uma contradição lógica aparente para revelar uma verdade inesperada ou promover reflexão crítica.
Justificativa para a alternativa E (correta): O texto deixa claro que, apesar do grande avanço da conectividade digital ("uma era em que a humanidade nunca esteve tão conectada – ao menos virtualmente"), a solidão atinge níveis alarmantes. Essa diferença entre o mundo virtualmente conectado e a sensação persistente de solidão constitui o paradoxo central. Essa interpretação só é possível ao relacionar as informações dos dois parágrafos e identificar a oposição explícita entre conectividade tecnológica e isolamento emocional.
Análise das alternativas incorretas:
- A: Reduz o fenômeno da solidão ao "crescimento das redes sociais", mas o texto não apresenta as redes sociais como causa principal, e sim destaca a contradição.
- B: Supõe que solidão é exclusiva de culturas antigas, o que contraria diretamente o texto, que mostra seu caráter atemporal.
- C: Propõe uma “percepção equivocada”, mas o foco do texto está no fato real da coexistência de conectividade e solidão, não em percepções erradas.
- D: Afirma que a solidão “não é considerada um problema de saúde pública”; na verdade, o texto frisa que a OMS reconheceu o problema, invalidando a alternativa.
Estratégias de resolução: Sempre destaque palavras de oposição e expressões que indiquem contraste no texto para identificar paradoxos, e examine se a alternativa aborda a real contradição citada.
Referência: Gramáticas tradicionais, como a de Rocha Lima, tratam das figuras de pensamento e ressaltam a importância do paradoxo para o enriquecimento da interpretação textual.
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