“Porque”, no contexto, só não pode ser substituído por:

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Q1798029 Português
Chore e lute, filha.

  Dentre as tantas lições que recebi e recebo de minha mãe, considero duas primordiais: chore sempre que quiser chorar, filha. Lute mesmo quando não quiser lutar, filha.
Sou filha de uma virginiana de origem germânica, regras rígidas, poucas palavras. Mas não houve uma única vez em que ela tenha me mandado engolir o choro, como tanto se ouve por aí. Pelo contrário, ela dizia, com sua escassa e preciosa doçura: “O choro é o xixi do coração, filha. Tem que deixar que ele saia”. Aprendi a obedecer (porque não lhe obedecer segue sendo o erro mais certo de todos) e choro invariavelmente, abandonando constrangimentos e preocupação com olhares de terceiros.
   Sobre a luta, ela nunca verbalizou. Preferiu, nesse caso, ser apenas um exemplo permanente. Por vezes, soltava frases duras como “Segure isso pelo chifre”, “Mostre para o cavalo quem é o cavaleiro aqui”, “Segure as rédeas da sua vida ou ela vai para onde quiser”, “Mantenha só na sua mão a chave da sua felicidade”, ou ainda “Deus nunca nos dá um fardo mais pesado do que podemos aguentar”. As frases ficaram como marcas, mas, no fundo, sempre bastou observá-la, no presente e no passado corajoso.
   Sua luta nunca foi barulhenta. Olhares. Gestos. Frases curtas em tom de voz sereno e firme. Longas cartas manuscritas. Venho, há anos, aprendendo nesse treinamento inconsciente a duelar sem armas, a gritar sem som, a intimidar com os olhos e a romper sem cortes.
   Nunca a vi abandonar ideais, relativizar princípios ou tolerar afrontas. Sempre a vi lutar pelo que acredita e, sobretudo, por aqueles em quem acredita. Sempre a vi continuar acreditando, embora com os olhos um pouco inchados, de quem chorou por meia dúzia de minutos atrás da necessária porta do banheiro (porque filhos podem chorar no seu colo, mas ela, mãe germânica, chora sozinha).
   Um dia ela me disse, em tom de confidência, que me achava muito corajosa. Eu quis, com todas as minhas forças, acreditar nesse elogio com o qual nunca nem ousaria sonhar. Ainda não acredito. Ainda me julgo borboleta, cheia de cores, leve, superficial e frágil. Ainda me tornarei como ela: árvore, raiz, tronco, verde e vida.
   Por enquanto, em tempos estranhos, em campo minado, em terreno incerto, em pedras falsas e em total incerteza na vida, sigo no choro sincero, sigo na luta honesta. Sigo por mim, por ela, por tantos. Porque, como dizem por aí, luto só me serve se for verbo. E assim seguimos caminhando.

(MANUS,Ruth. Um dia ainda vamos rir de tudo isso. p. 67/68.).

Excerto para resolver a questão: “Porque, como dizem por aí, luto só me serve se for verbo.”. 
“Porque”, no contexto, só não pode ser substituído por:
Alternativas

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Comentário da questão – Interpretação e conhecimento do uso de conectivos

Tema central: Nesta questão, o que se avalia é interpretação de texto e uso correto das conjunções subordinativas causais e dos pronomes relativos na norma-padrão do português.

No trecho analisado, "Porque, como dizem por aí, luto só me serve se for verbo", o termo "porque" é empregado como conjunção causal, ou seja, está introduzindo a explicação/causa do motivo pelo qual a autora pensa desta forma.

Regra gramatical envolvida: Como ensina Evanildo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), "porque", "pois", "visto que" e "uma vez que" são conjunções causais, todas podendo introduzir ideias de causa. Por outro lado, "pelo qual" é um pronome relativo, utilizado para retomar um substantivo anterior, ligando orações, o que não ocorre neste contexto.

Análise das alternativas:

A) Pelo qual
Incorreta. De acordo com a norma-padrão (Cunha & Cintra), "pelo qual" é pronome relativo utilizado em frases do tipo "o motivo pelo qual", "o caminho pelo qual", sempre se referindo a um termo antecedente. Aqui, não há termo a ser retomado, nem cabe a função relativa. Trocar "porque" por "pelo qual" desfaz totalmente o sentido de causa.

B) Uma vez que
Correta. "Uma vez que" é conjunção causal, poderia inserir-se no contexto mantendo sentido e estrutura original.

C) Visto que
Correta. Também expressa causa, encaixa-se perfeitamente.

D) Pois
Correta. "Pois" pode ser usado em sentido causal/explicativo, mantendo o valor do "porque".

Resumo da estratégia:

Sempre que encontrar "porque" introduzindo uma causa, teste se pode trocá-lo por outros conectivos causais ("pois", "uma vez que", "visto que"). Desconfie quando sugerem pronomes relativos ("pelo qual"), pois estes têm função específica de retomada de termos, não de causa.

Gabarito: A) Pelo qual

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Comentários

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Porque

É uma conjunção subordinativa causal ou conjunção subordinativa final ou conjunção

coordenativa explicativa, portanto estará ligando duas orações, indicando causa, explicação ou

finalidade. Para facilitar, dizemos que se pode substituí-lo por já que, pois ou a fim de que.

Ex.

• Não saí de casa, porque estava doente. = já que

• É uma conjunção, porque liga duas orações. = pois

• Estudem, porque aprendam. = a fim de que

obrigado ana.

"'Sigo por mim, por ela, por tantos. Porque, como dizem por aí, luto só me serve se for verbo. E assim seguimos caminhando.""

Não sei mais do que ninguém.

"como" esta fazendo papel de conjunção CONFORMATIVA (CONFORME DIZEM, SEGUNDO DIZEM)

Podemos dizer que o "porque" esta tendo uma função Causal, pois as próprias alternativas são conjunções causais.

o comentário da colega esta certo, porém não se pode usar ''a fim de que" pois remete a finalidade e não causa.

espero ter ajudado

Porque= afirmação

por que= interrogação

Gabarito LETRA A

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