O conectivo “como” tem sentido de:

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Q1798027 Português
Chore e lute, filha.

  Dentre as tantas lições que recebi e recebo de minha mãe, considero duas primordiais: chore sempre que quiser chorar, filha. Lute mesmo quando não quiser lutar, filha.
Sou filha de uma virginiana de origem germânica, regras rígidas, poucas palavras. Mas não houve uma única vez em que ela tenha me mandado engolir o choro, como tanto se ouve por aí. Pelo contrário, ela dizia, com sua escassa e preciosa doçura: “O choro é o xixi do coração, filha. Tem que deixar que ele saia”. Aprendi a obedecer (porque não lhe obedecer segue sendo o erro mais certo de todos) e choro invariavelmente, abandonando constrangimentos e preocupação com olhares de terceiros.
   Sobre a luta, ela nunca verbalizou. Preferiu, nesse caso, ser apenas um exemplo permanente. Por vezes, soltava frases duras como “Segure isso pelo chifre”, “Mostre para o cavalo quem é o cavaleiro aqui”, “Segure as rédeas da sua vida ou ela vai para onde quiser”, “Mantenha só na sua mão a chave da sua felicidade”, ou ainda “Deus nunca nos dá um fardo mais pesado do que podemos aguentar”. As frases ficaram como marcas, mas, no fundo, sempre bastou observá-la, no presente e no passado corajoso.
   Sua luta nunca foi barulhenta. Olhares. Gestos. Frases curtas em tom de voz sereno e firme. Longas cartas manuscritas. Venho, há anos, aprendendo nesse treinamento inconsciente a duelar sem armas, a gritar sem som, a intimidar com os olhos e a romper sem cortes.
   Nunca a vi abandonar ideais, relativizar princípios ou tolerar afrontas. Sempre a vi lutar pelo que acredita e, sobretudo, por aqueles em quem acredita. Sempre a vi continuar acreditando, embora com os olhos um pouco inchados, de quem chorou por meia dúzia de minutos atrás da necessária porta do banheiro (porque filhos podem chorar no seu colo, mas ela, mãe germânica, chora sozinha).
   Um dia ela me disse, em tom de confidência, que me achava muito corajosa. Eu quis, com todas as minhas forças, acreditar nesse elogio com o qual nunca nem ousaria sonhar. Ainda não acredito. Ainda me julgo borboleta, cheia de cores, leve, superficial e frágil. Ainda me tornarei como ela: árvore, raiz, tronco, verde e vida.
   Por enquanto, em tempos estranhos, em campo minado, em terreno incerto, em pedras falsas e em total incerteza na vida, sigo no choro sincero, sigo na luta honesta. Sigo por mim, por ela, por tantos. Porque, como dizem por aí, luto só me serve se for verbo. E assim seguimos caminhando.

(MANUS,Ruth. Um dia ainda vamos rir de tudo isso. p. 67/68.).

Excerto para resolver a questão: “Porque, como dizem por aí, luto só me serve se for verbo.”. 
O conectivo “como” tem sentido de:
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Gabarito: Letra A – conformidade

Tema central da questão: O foco está no reconhecimento do valor semântico da conjunção “como” no contexto sintático da oração, ponto recorrente em provas de concursos, pois exige interpretação fina do texto e conhecimento das funções das conjunções segundo a norma-padrão.

Justificativa da alternativa correta (A – conformidade):

No trecho analisado, “como dizem por aí”, a conjunção “como” introduz uma oração subordinada adverbial conformativa. Segundo a Moderna Gramática Portuguesa, de Evanildo Bechara, e a Nova Gramática de Celso Cunha & Lindley Cintra, as orações conformativas exprimem acordo, conformidade ou consonância com o que é afirmado em outro contexto ou por terceiros. É possível substituir “como” por “conforme” ou “segundo” sem prejuízo de sentido:
“Porque, conforme dizem por aí, luto só me serve se for verbo.”

Isso demonstra que a frase expressa conformidade com o que é dito popularmente, não causa, nem comparação ou consequência.

Análise das alternativas incorretas:

  • B) Causa: “Como” pode ser causal em “Como estava cansado, fui embora”. No trecho da questão, porém, “como” não indica razão ou motivo, mas sim algo com o qual se concorda.
  • C) Comparação: “Como” só tem esse valor em frases do tipo “Ele corre como um atleta”. No excerto, não há comparação entre elementos.
  • D) Consequência: O termo que traz ideia de consequência é “de modo que”, “de forma que”, jamais “como” nesse uso.

Estratégias para evitar erros:
Sempre se pergunte: igreja estou expressando acordo, causa, comparação ou resultado? Substitua mentalmente “como” por “conforme” ou “segundo”: se a frase mantiver sentido, é conformidade.
Cuidado! O uso variado do “como” é frequente em pegadinhas de prova (aparece em causas, comparações, exemplos etc.).

Resumo: “Como dizem por aí” → Exatamente conforme se ouve/afirma popularmente. É conformidade com o que os outros dizem.

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A maioria das conjunções e locuções sem encaixam com a substituição do enunciado da questão.

ex:

O conectivo “como” tem sentido de:

assertiva: conformidade. Logo a substituição do termo como por conformidade fica:

 “Porque, ´´conforme´ dizem por aí, luto só me serve se for verbo.”

CONFORMIDADE,

CONFOME DIZEM POR. AÍ

CONSOANTE DIZEM POR AÍ

LETRA A

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