“Deus nunca nos dá um fardo mais pesado (...)”. A transforma...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q1798026 Português
Chore e lute, filha.

  Dentre as tantas lições que recebi e recebo de minha mãe, considero duas primordiais: chore sempre que quiser chorar, filha. Lute mesmo quando não quiser lutar, filha.
Sou filha de uma virginiana de origem germânica, regras rígidas, poucas palavras. Mas não houve uma única vez em que ela tenha me mandado engolir o choro, como tanto se ouve por aí. Pelo contrário, ela dizia, com sua escassa e preciosa doçura: “O choro é o xixi do coração, filha. Tem que deixar que ele saia”. Aprendi a obedecer (porque não lhe obedecer segue sendo o erro mais certo de todos) e choro invariavelmente, abandonando constrangimentos e preocupação com olhares de terceiros.
   Sobre a luta, ela nunca verbalizou. Preferiu, nesse caso, ser apenas um exemplo permanente. Por vezes, soltava frases duras como “Segure isso pelo chifre”, “Mostre para o cavalo quem é o cavaleiro aqui”, “Segure as rédeas da sua vida ou ela vai para onde quiser”, “Mantenha só na sua mão a chave da sua felicidade”, ou ainda “Deus nunca nos dá um fardo mais pesado do que podemos aguentar”. As frases ficaram como marcas, mas, no fundo, sempre bastou observá-la, no presente e no passado corajoso.
   Sua luta nunca foi barulhenta. Olhares. Gestos. Frases curtas em tom de voz sereno e firme. Longas cartas manuscritas. Venho, há anos, aprendendo nesse treinamento inconsciente a duelar sem armas, a gritar sem som, a intimidar com os olhos e a romper sem cortes.
   Nunca a vi abandonar ideais, relativizar princípios ou tolerar afrontas. Sempre a vi lutar pelo que acredita e, sobretudo, por aqueles em quem acredita. Sempre a vi continuar acreditando, embora com os olhos um pouco inchados, de quem chorou por meia dúzia de minutos atrás da necessária porta do banheiro (porque filhos podem chorar no seu colo, mas ela, mãe germânica, chora sozinha).
   Um dia ela me disse, em tom de confidência, que me achava muito corajosa. Eu quis, com todas as minhas forças, acreditar nesse elogio com o qual nunca nem ousaria sonhar. Ainda não acredito. Ainda me julgo borboleta, cheia de cores, leve, superficial e frágil. Ainda me tornarei como ela: árvore, raiz, tronco, verde e vida.
   Por enquanto, em tempos estranhos, em campo minado, em terreno incerto, em pedras falsas e em total incerteza na vida, sigo no choro sincero, sigo na luta honesta. Sigo por mim, por ela, por tantos. Porque, como dizem por aí, luto só me serve se for verbo. E assim seguimos caminhando.

(MANUS,Ruth. Um dia ainda vamos rir de tudo isso. p. 67/68.).
“Deus nunca nos dá um fardo mais pesado (...)”. A transformação da estrutura para a voz passiva está correta em:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central: Voz passiva analítica (Morfossintaxe verbal).

A habilidade cobrada exige identificar a transformação correta da voz ativa para a voz passiva, importante para agentes de controle de endemias entenderem a clareza e a impessoalidade em normas oficiais.

Regra da voz passiva analítica: Conforme Cunha e Cintra e Bechara, a voz passiva ocorre quando o sujeito paciente recebe a ação, o verbo auxiliar “ser” acompanha o particípio, e o agente é introduzido por “por”.

Transformando:
Ativa: Deus nunca nos dá um fardo mais pesado.
Passiva: Um fardo mais pesado nunca nos é dado por Deus.

Nessa construção:
“um fardo mais pesado” passa de objeto direto a sujeito paciente.
“é dado” (ser + particípio) mantém o tempo verbal.
Agente da passiva: “por Deus”.
• O complemento “nos” mantém seu lugar na estrutura.

Gabarito: Letra B – “Um fardo mais pesado nunca nos é dado por Deus.” Respeita integralmente a regra da voz passiva analítica.

Análise das incorretas:

A) “Um fardo mais pesado nunca nos daria Deus.” – Apenas inverte a ordem dos termos da frase ativa, não é voz passiva.

C) “Nunca se daria Deus um fardo mais pesado.” – Traz sujeito indeterminado (“se”), diferente da passiva exigida; cuidado com o “se” como índice de indeterminação.

D) “Fardo pesado nunca Deus deu.” – Novamente uma inversão da ordem da ativa, sem estrutura de voz passiva e sem o verbo auxiliar “ser”.

Dica para não errar: Sempre verifique se:
• O objeto direto da ativa virou sujeito da passiva.
• Existe o verbo “ser” no mesmo tempo da ativa.
• O agente da passiva aparece introduzido por “por”.

Referências normativas: Segundo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), sempre que possível, dê preferência à voz passiva analítica em textos normativos. Treine reconhecer quem realiza a ação e quem a recebe!

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

Um fardo mais pesado nunca nos é dado por Deus.

o objeto direto vira sujeito paciente.

1º Achar o sujeito

2º Ver se foi ele quem praticou a ação

Se sim - > ativo

Se não -> passivo

Um fardo mais pesado nunca nos é dado por Deus.

atenção a verbo: manter no presente

“Deus nunca nos um fardo mais pesado (...)”.

B Um fardo mais pesado nunca nos é dado por Deus.

as outras alternativa esta no passado

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo