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Q3458812 Enfermagem
A ferida cutânea pode ser compreendida como qualquer interrupção na continuidade da pele, envolvendo alterações nas funções normais dos tecidos afetados. Diversos fatores podem estar envolvidos na origem dessas lesões, sendo os mais frequentes: a pressão prolongada sobre determinadas áreas corporais, limitações na mobilidade, temporárias ou permanentes, disfunções no sistema vascular, traumas físicos e complicações decorrentes de neuropatias, como as associadas ao diabetes. Entre os diferentes tipos de feridas, aquelas classificadas como crônicas demandam maior atenção da equipe de enfermagem, uma vez que apresentam dificuldades de cicatrização. Isso se deve ao fato de que o processo de reparo não ocorre de maneira contínua, coordenada e eficaz, o que compromete a restauração da integridade tecidual e prolonga o tempo de tratamento (Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais (Coren MG), 2023, adaptado).
Para a avaliação de uma ferida cutânea, existem quatro componentes na observação do leito da ferida e cada um deles enfoca uma diferente anomalia fisiopatológica que compromete a cicatrização e eles formam um esquema que oferece aos enfermeiros uma abordagem global do tratamento das lesões, amparada nos termos do acrônimo TIME – T: tissue (tecido inviável); I: infection (infecção/inflamação); M: moisture (manutenção do meio úmido); E: edge (não avanço das bordas da ferida).
Caso: Durante avaliação de rotina em unidade de internação, o enfermeiro identifica em um paciente, restrito ao leito, uma lesão por pressão em região trocantérica direita, com presença de esfacelos, bordas irregulares sem sinais de epitelização, exsudato purulento em grande quantidade, acompanhado de odor fétido e áreas de fibrina por ressecamento. O curativo havia sido trocado, entretanto, não havia registro de avaliação prévia ou prescrição profissional.

Considerando a Resolução Cofen n.º 567/2018 e os princípios do modelo TIME para avaliação sistemática de feridas, assinale a alternativa que apresenta a conduta tecnicamente CORRETA e legalmente respaldada, para o caso: 
Alternativas

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Alternativa correta: C

1. Tema central da questão

A questão trata da avaliação e conduta do enfermeiro na assistência de enfermagem a feridas crônicas, utilizando o modelo TIME (Tissue, Infection/Inflammation, Moisture, Edge). Aborda também os limites legais e responsabilidades profissionais de enfermeiros e técnicos, conforme a Resolução COFEN nº 567/2018.

2. Resumo teórico

O modelo TIME é um instrumento sistematizado que auxilia na avaliação de feridas crônicas, orientando o enfermeiro a identificar tecido inviável (necrose/esfacelo), infecção/inflação, umidade e bordas comprometidas. O enfermeiro, de acordo com o COFEN, é o profissional habilitado para avaliar, diagnosticar e prescrever cuidados para feridas, especialmente as complexas, devendo sempre registrar sua atuação.

3. Justificativa da alternativa correta (C)

A alternativa C está correta pois descreve exatamente o papel do enfermeiro respaldado pela legislação: avaliar a ferida com o modelo TIME, elaborar diagnóstico e prescrever os cuidados de enfermagem necessários a cada aspecto identificado (necrose, infecção, desidratação, bordas irregulares). Essa abordagem é cientificamente recomendada (BRASIL. COFEN 567/2018) e legalmente respaldada, garantindo qualidade e segurança ao paciente.

4. Análise das alternativas incorretas

A — Errada. Técnicos não podem aplicar o modelo TIME em feridas complexas sem prescrição e supervisão do enfermeiro, pois extrapola suas competências legais.
B — Errada. O modelo TIME é especialmente aplicado em feridas crônicas (e não só agudas) e não limita a abordagem apenas à cirurgia plástica.
D — Errada. O técnico não aplica isoladamente nenhum componente do TIME sem orientação direta do enfermeiro.
E — Errada. O técnico não pode aplicar parcialmente o modelo TIME nem decidir encaminhar apenas em caso de infecção evidente; toda avaliação de feridas complexas é atribuição do enfermeiro.

5. Estratégias para interpretação

Observe termos como exclusividade do enfermeiro, prescrição e modelos de avaliação. Atenção a palavras absolutas ("apenas", "exclusivamente", "sempre") que costumam indicar erro. Associe os componentes do modelo TIME aos atributos legais de cada profissional!

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Ato privativo do enfermeiro: A avaliação, o diagnóstico de enfermagem e a prescrição do tratamento para feridas complexas são atos privativos do enfermeiro, pois exigem um conhecimento aprofundado do processo de cicatrização, da fisiopatologia e dos diferentes tipos de coberturas. O modelo TIME é uma ferramenta de avaliação clínica que serve como base para essa tomada de decisão profissional.

Análise do caso: O caso clínico apresentado descreve uma lesão por pressão com características de cronicidade e complicação, como esfacelos, exsudato purulento, odor fétido e bordas irregulares sem epitelização.

Essas características se encaixam perfeitamente nos componentes do modelo TIME:

  • T (Tissue - Tecido): Presença de esfacelos e áreas de fibrina.
  • I (Infection - Infecção/Inflamação): Exsudato purulento e odor fétido.
  • M (Moisture - Umidade): Grande quantidade de exsudato purulento e áreas de fibrina por ressecamento.
  • E (Edge - Bordas): Bordas irregulares e sem sinais de epitelização.

Responsabilidade técnica e legal: Apenas o enfermeiro tem a autonomia para avaliar todos esses parâmetros, formular um diagnóstico de enfermagem e, com base nele, prescrever o curativo e os cuidados necessários.

As demais alternativas estão incorretas porque:

  • A, D e E: Atribuem a responsabilidade da avaliação e do uso do modelo TIME ao técnico de enfermagem. A Resolução COFEN nº 567/2018 é clara ao afirmar que a avaliação e o plano de cuidados para feridas complexas são atribuições do enfermeiro. O técnico de enfermagem pode executar o curativo prescrito pelo enfermeiro, mas não tem autonomia para avaliar e prescrever o tratamento.

  • B: Afirma que o modelo TIME é apenas para feridas agudas, o que é falso. O acrônimo foi desenvolvido justamente para abordar os principais desafios fisiopatológicos das feridas de difícil cicatrização, ou seja, as feridas crônicas, como a lesão por pressão descrita no caso.

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