O movimento conhecido como cultura do cancelamento, que
começou, sim, como uma forma de chamar a atenção para
injustiças de todo tipo e proteção ambiental, se tornou uma
arma de execração pública e de censura capaz de atingir
indistintamente anônimos e famosos, tanto faz.
A cultura do cancelamento é um linchamento virtual e é assim
que vou chamá-lo, pois funciona como o conhecido linchamento
ou linchagem, que é o assassinato de uma ou mais pessoas
cometido por uma multidão com o objetivo de punir um suposto
transgressor.
Basta um registro aleatório jogado na internet de um possível
ato reprovável ou que contrarie os valores geralmente aceitos
como corretos, para que uma pessoa seja marcada
permanentemente pelo linchamento virtual […].
Para muitos não há uma segunda chance. As redes sociais
tornaram-se reféns dos excessos irrazoáveis do justiçamento
do cancelamento.
Assim, a ferramenta que era para intensificar a voz de grupos
oprimidos, forçar ações políticas ou banir aqueles que tivessem
cometido atos reprováveis — como racismo e violência sexual,
dentre outros — tornou-se uma ameaça, pronta para destruir
reputações a qualquer preço. E isso exige vigilância e um
combate jurídico dos excessos na mesma proporção, rapidez e
intensidade […].
WILIANS, Nelson. Linchamento virtual: a cultura do cancelamento. Estúdio
Folha, Folha de São Paulo, 10. Fev. 2021. Disponível em:
https://estudio.folha.uol.com.br/nelson-wilians/2021/02/linchamento-virtua-acultura-do-cancelamento.shtml. Acesso em: 29 nov. 2025.
No trecho “Assim, a ferramenta que era para intensificar a
voz de grupos oprimidos, forçar ações políticas ou banir
aqueles que tivessem cometido atos reprováveis [...] tornouse uma ameaça”, quais diferentes processos de formação e
funcionamento morfológico são relevantes para a
interpretação do enunciado?
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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