Leia o texto. A construção “testar positivo” é um dec...
A construção “testar positivo” é um decalque do inglês to test positive. [...] Qual a função gramatical de positive aqui? Em inglês, positive é um predicativo, isto é, um atributo do sujeito da frase, tanto quanto nas frases em português “Ana parece aborrecida”, “João ficou contente” [...] etc. O que chama logo a atenção é que em “Ana parece aborrecida”, o predicativo aborrecida está no feminino, concordando com “Ana”. Não seria o caso então de dizer e escrever “Ela testou positiva”, no feminino também? Sim, seria. Acontece que em inglês os adjetivos não têm flexão de gênero nem de número. [...] E ao decalcar a construção, também se decalcou essa falta de flexão. Em português e nas outras línguas românicas, o verbo testar é sempre transitivo, isto é, testar “pede” um objeto. [...] Usar testar sem objeto é algo “fora da norma” do português e das línguas aparentadas. Mas em inglês o verbo to test, que também em geral se usa com objeto, pode ser empregado sem objeto com um sentido bem restrito: “produzir um resultado específico num teste médico, especialmente um teste para detectar drogas ou para detectar o vírus da AIDS” (conforme o Dicionário Oxford, tradução minha, mas veja-se na definição o uso de resultado). BAGNO, Marcos. “Ela testou positivo”: que sintaxe é essa?. Disponível em: https://parabolablog.com.br. Acesso em: 12 jan. 2023. (adaptado)
No texto, informa-se que o uso da expressão “ela testou positivo” se distancia do padrão de construção sintática do português porque, nessa expressão, o verbo
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Tema central: A questão aborda sintaxe e regência verbal, mais especificamente a transitividade do verbo “testar” em português padrão e o impacto de um estrangeirismo na estrutura da frase.
Justificativa da alternativa correta – C:
Pela norma-padrão do português, o verbo “testar” é classificado como verbo transitivo direto. Isso significa que ele exige um complemento sem preposição (objeto direto) para completar seu sentido.
Exemplo: “O laboratório testou os pacientes.”
Porém, na expressão estrangeira “testar positivo”, que foi importada do inglês (to test positive), o verbo aparece SEM seu complemento verbal. Assim, ocorre um afastamento da regência padrão, pois se omite o objeto direto exigido.
Esse fenômeno é destacado no texto base, que afirma: “Usar ‘testar’ sem objeto é algo ‘fora da norma’ do português e das línguas aparentadas.” Portanto, a resposta correta é C) aparece sem complemento verbal.
Análise das alternativas incorretas:
A) perde valor semântico de verbo de ligação.
Incorreta: “Testar” NÃO é verbo de ligação (como “ser”, “estar”, “ficar”). O seu valor semântico é de ação, não de estado ou essência.
B) concorda com o predicativo do sujeito.
Incorreta: O verbo não faz essa concordância; quem possui flexão e concorda é o predicativo (“positiva”, “positivo”), mas o texto explica que, por decalque do inglês, essa flexão foi ignorada, não havendo aqui um fenômeno de concordância verbal.
D) funciona como transitivo direto.
Incorreta: Justamente pela ausência do complemento, o verbo NÃO está funcionando conforme exige a norma como transitivo direto; está sendo empregado de modo atípico (intransitivo).
Dica importante: Ao identificar expressões importadas ou estrangeirismos, analise sempre se a construção segue ou não a estrutura sintática do português. Observe o papel do verbo e se há complementos obrigatórios. Lembre-se dos exemplos clássicos de regência e verifique qual termo está ausente ou deslocado.
Referências: Celso Cunha & Lindley Cintra (Nova Gramática do Português Contemporâneo), Evanildo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa).
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Comentários
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Acredito eu que o verbo "testar" em primazia seja um vtd.
Ele testou o equipamento.
Testaram o seu temperamento.
-Fica estranho dizer somente: eu testei.
No exemplo em questão "Ela testou positivo" há respetivamente: Sujeito, verbo INTRANSITIVO, predicativo.
Visão1: ela (suj. no fem.) testou (o modo/forma?) positivo (haveria erro porque: 1 – Há omissão do complemento verbal que é TD/OD; 2 - O adjetivo teria que concordar c/o suj. no gênero feminino (positiva – ficaria muito esquisito!);
Resultado: a banca considerou a alternativa (c) como correta;
Visão2: [...] ela (pron./suj. 3ª p. sing.) testou (verbo 3ª p. sing.) [para (ela) verificar // se (ela) estava infectada pela doença ‘x’ // e o resultado (do teste) foi (v. de ligação) [parte omitida]] positivo (adj. – predicativo do suj.???).
Resultado: as alternativas a, b, c e d apresentam erros;
a) na visão 2 há erro por perda do valor como verbo de ligação!
b) na visão 2 há erro porque deveria concordar sujeito/predicativo do sujeito!
c) na visão 2 há erro porque muitas coisas foram omitidas!
d) na visão 2 há erro porque o verbo é de ligação, ou seja, intransitivo!
ELA TESTOU POSITIVA. NESSA FRASE O POSITIVO SERIA UM ADJUNTO ADVERBIAL DE MODO E NÃO UM COMPLEMENTO VERBAL.
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