De acordo com o texto, há algo ERRADO nas relações de amor q...

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Q203483 Português

       O AMOR COMO MEIO, NÃO COMO FIM

       Há algo errado na forma como temos vivido nossas relações amorosas. Isso é fácil de ser constatado, pois temos sofrido muito por amor. Se o que anda bem tem que nos fazer felizes, o sofrimento só pode significar que estamos numa rota equivocada.

       Vamos nos deter em apenas uma das idéias que governam nossa visão do amor. Imaginamos sempre que um bom vínculo afetivo significa o fim de todos os nossos problemas. Nosso ideal romântico é assim: duas pessoas se encontram uma com a outra, compõem um forte elo, de grande dependência, sentem-se preenchidas e completas e sonham em largar tudo o que fazem para se refugiar em algum oásis e viver inteiramente uma para a outra, usufruindo o aconchego de ter achado sua “metade da laranja”. Nada parece lhes faltar. Tudo o que antes valorizavam – dinheiro, aparência física, trabalho, posição social, etc. – parece não ter a menor importância. Tudo o que não diz respeito ao amor se transforma em banalidade, algo supérfluo que agora pode ser descartado sem o menor problema.

       Sabemos que quem quis levar essas fantasias para a vida prática se deu mal. Com o passar do tempo, percebe-se que uma vida reclusa, sem novos estímulos, somente voltada para a relação amorosa, muito depressa se torna tediosa e desinteressante. Podemos sonhar com o paraíso perdido ou com a volta ao útero, mas não podemos fugir ao fato de que estamos habituados a viver com certos riscos, certos desafios. Sabemos que eles nos deixam alertas e intrigados; que nos fazem muito bem.

       Os doentes acham que a saúde é tudo. Os pobres imaginam que o dinheiro lhes traria toda a felicidade sonhada. Os carentes – isto é, todos nós – acham que o amor é a mágica que dá significado à vida. O que nos falta aparece sempre idealizado, como o elixir da longa vida e da eterna felicidade.

       Se é verdade, então, que o amor nos enche de alegria e coragem – e isso ninguém contesta – por que não direcionar essa nova energia para ativar ainda mais os projetos nos quais estamos empenhados? Quando amamos e nos sentimos amados por alguém que admiramos e valorizamos, nossa auto-estima cresce, nos sentimos dignos e fortes. Tornamo-nos ousados e capazes de tentar coisas novas, tanto em relação ao mundo exterior como na compreensão da nossa subjetividade. Em vez de ser um fim em si mesmo, o amor deveria funcionar como um meio para o aprimoramento individual, nos curando das frustrações do passado e nos impulsionando para o futuro. Casais que conseguem vivê-lo dessa maneira crescem e evoluem, e sob essa condição seu amor se renova e se revitaliza.

(GIKOVATE, Flávio. Cláudia. São Paulo: Abril, agosto 1989. Condensado)


De acordo com o texto, há algo ERRADO nas relações de amor quando:
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: A resolução depende da retomada literal do primeiro parágrafo e da função explicativa do “pois”: o texto afirma “Há algo errado na forma como temos vivido nossas relações amorosas. Isso é fácil de ser constatado, pois temos sofrido muito por amor.” Assim, o critério que identifica o erro é o sofrimento amoroso, que leva diretamente à alternativa B.

Tema central: sofrimento por amor
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta porque introduz um dado social inexistente no texto: aumento do número de descasados. O texto não trabalha com estatísticas, estado civil ou dissolução conjugal; sua tese recai sobre o sofrimento amoroso como indício de erro na forma de viver o amor. Trata-se de extrapolação temática sem apoio textual.
B
Certa
A alternativa B está correta porque corresponde diretamente ao critério explicitado pelo autor para identificar o erro nas relações amorosas. O texto não deixa isso implícito nem exige interpretação ampla: ele declara que há algo errado porque “temos sofrido muito por amor” e reforça que “o sofrimento só pode significar que estamos numa rota equivocada”. Portanto, a opção correta reproduz com fidelidade a evidência textual apontada pelo próprio autor.
C
Errada
Incorreta porque o texto não compara quantitativamente solteiros e casados. Não há nenhuma passagem que trate o problema amoroso em termos demográficos ou de predominância de um estado civil sobre outro. A alternativa cria uma informação que não aparece no texto-base.
D
Errada
Incorreta porque o texto não menciona adultério nem discute sua justificação. A questão exige fidelidade ao que foi dito, e essa alternativa insere um conteúdo moral e temático ausente. É uma inferência indevida sem base textual.
E
Errada
Incorreta porque o texto não afirma que o casamento é uma prisão. A crítica do autor dirige-se à idealização do amor como isolamento total e fim absoluto da vida, expressa na ideia de uma vida “reclusa, sem novos estímulos, somente voltada para a relação amorosa”. Converter isso em condenação do casamento é produzir uma paráfrase falsa e reduzir indevidamente a tese do texto.
Pegadinha da questão
A banca explora a troca entre o que o texto afirma explicitamente no primeiro parágrafo e temas socialmente associados ao amor e ao casamento, mas não mencionados no texto, como divórcio, solteirice, adultério ou crítica ao casamento.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o comando trouxer “De acordo com o texto”, procure primeiro a afirmação literal que responde à pergunta antes de interpretar além do necessário.
  • Observe conectivos explicativos como “pois”: eles costumam introduzir justamente a razão que decide a resposta.
  • Elimine alternativas que mudam o foco do texto para temas correlatos, mas não textualizados.
  • Se uma opção traz dado social, moral ou estatístico que o texto não menciona, trate-a como extrapolação.

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Comentários

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CORRETA B: "Há algo errado na forma como temos vivido nossas relações amorosas. Isso é fácil de ser constado, pois temos sofrido muito por amor"

Sem qualquer segredo a questão, até porque as demais alternativas ajudam o candidato.

b-

Resposta no 1° paragrafo:

Há algo errado na forma como temos vivido nossas relações amorosas. Isso é fácil de ser constatado, pois temos sofrido muito por amor. Se o que anda bem tem que nos fazer felizes, o sofrimento só pode significar que estamos numa rota equivocada.

 

Nao sei da onde a pessoa tirou que amor é sofrimento.

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