Leia o caso a seguir. A., 64 anos, trabalhador rural, ao ca...
A., 64 anos, trabalhador rural, ao capinar um lote teve um ferimento profundo de 4 cm com a enxada, na mão esquerda. Buscou a Unidade Básica de Saúde (UBS) perto de sua casa para avaliação da equipe local. Na lesão observou-se restos de grama e terra aderidos no sangue coagulado. Relata três doses de antitetânica anterior com um reforço há 7 anos.
A conduta recomendada em relação à prevenção de tétano é
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Tema central: profilaxia do tétano pós-exposição em ferimento contaminado (terra/grama), considerando histórico vacinal e tempo desde o último reforço.
Resposta correta: A – iniciar a profilaxia com vacina
Justificativa: O paciente teve ferimento profundo com material orgânico e terra, caracterizando ferida suja/maior risco. Ele refere três doses prévias (esquema básico completo) e reforço há 7 anos. Pelos protocolos (Ministério da Saúde/PNI, CDC/ACIP, OMS), em feridas sujas deve-se aplicar reforço com dT/dTpa quando a última dose foi há ≥ 5 anos. Imunoglobulina antitetânica (TIG) não é indicada porque o esquema está completo. Assim, a conduta é reforço vacinal imediato (preferencialmente dTpa se disponível; alternativa dT).
Estratégia de prova: 1) Classifique a ferida: limpa vs suja. 2) Verifique número de doses prévias. 3) Cheque o intervalo desde o último reforço: suja ≥5 anos → reforço; limpa ≥10 anos → reforço. TIG só se esquema desconhecido/incompleto ou imunodeficiência grave.
Análise das alternativas incorretas
B - “Apenas lavar com água e sabão.” Higienizar e desbridar são fundamentais, mas não substituem a imunoprofilaxia. Em ferida suja com último reforço há 7 anos, é obrigatório o reforço vacinal. Diretrizes: MS/PNI; CDC 2024; OMS.
C - “Vacina e soro/imunoglobulina.” A TIG é indicada em feridas sujas quando o paciente tem 0–2 doses ou esquema desconhecido, ou em imunodeficiência grave. Como este paciente tem esquema completo, apenas reforço vacinal é necessário. TIG acrescentaria risco/custo sem benefício.
D - “Imunoglobulina apenas.” Além de não indicada neste contexto, ainda omitiria o reforço vacinal, que é essencial para memória imunológica de longo prazo. Quando TIG é indicada, ela complementa e não substitui a vacina.
Fisiopatologia resumida: Clostridium tetani (esporos no solo) penetra em feridas sujas/profundas; em ambiente anaeróbio produz tetanospasmina, neurotoxina que bloqueia neurotransmissores inibitórios → rigidez e espasmos. A vacina induz anticorpos antitoxina; a TIG fornece imunidade passiva imediata quando necessária.
Condutas práticas associadas: irrigação e desbridamento da ferida; avaliar necessidade de antibióticos por critérios clínicos (não são profilaxia para tétano); aplicar dT/dTpa IM em local distinto da TIG quando esta for indicada (dose TIG habitual: 250 UI IM).
Referências: Ministério da Saúde – Calendário/Manual de Imunizações; CDC/ACIP 2024 – Tetanus Prophylaxis in Wound Management; OMS – Tetanus vaccine position paper.
Dica de prova: viu “ferida suja” + “último reforço ≥5 anos” + “esquema completo”? → apenas reforço vacinal.
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