Dona Maria, 58 anos, residente na zona rural de um pequeno ...

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Q3989008 Enfermagem
Dona Maria, 58 anos, residente na zona rural de um pequeno município, procurou a Unidade Básica de Saúde (UBS) referindo cansaço excessivo, sede intensa, aumento da frequência urinária e perda de peso não intencional nos últimos três meses. Além disso, relata que tem se sentido muito triste, sem vontade de realizar atividades das quais antes gostava, com insônia e dificuldade de concentração, o que tem impactado sua capacidade de cuidar da casa e interagir com a família. Não possui histórico de acompanhamento regular de saúde. A equipe da UBS, após avaliação inicial e exames laboratoriais, confirmou o diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2 (DM2) e suspeitou de um quadro depressivo. Considerando a situação dessa paciente e as Linhas de Cuidado do Ministério da Saúde, qual é a conduta inicial mais adequada a ser implementada para Dona Maria?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Diante de DM2 confirmado e suspeita de depressão com prejuízo funcional, sem sinais descritos de urgência, emergência, complicação aguda ou crise psiquiátrica grave, a UBS deve iniciar o cuidado de ambas as condições e coordenar o seguimento na APS, articulando outros pontos da RAS quando necessário.

Tema central: Coordenação do cuidado na APS
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque propõe hospital de alta complexidade sem critério clínico de gravidade. O enunciado não descreve emergência metabólica, risco iminente de vida, psicose, tentativa de suicídio ou outra condição que imponha hospitalização. DM2 recém-diagnosticado e suspeita de depressão, nesse contexto, são passíveis de manejo inicial na UBS.
B
Errada
Está errada porque desloca para endocrinologia e psiquiatria a formulação do plano terapêutico que, nesse cenário, deve ser construída e coordenada pela APS. Encaminhamento pode ser pertinente em situações selecionadas, mas não é etapa obrigatória nem deve substituir o manejo inicial e a responsabilidade sanitária da UBS.
C
Certa
A alternativa C é a única que reúne os elementos exigidos pela APS no SUS para esse cenário: manejo inicial do DM2, investigação e tratamento inicial do sofrimento psíquico, cuidado integral e simultâneo da multimorbidade, uso de ferramenta compatível com maior complexidade biopsicossocial como o PTS e articulação com a RAS sem transferir a responsabilidade assistencial da UBS. Isso corresponde ao papel da APS como porta de entrada preferencial, com longitudinalidade, integralidade e coordenação do cuidado em condições crônicas e sofrimento mental comum.
D
Errada
Está errada porque a ausência de acompanhamento regular prévio não é indicação técnica de encaminhamento direto a especialistas. Pelo contrário, esse dado reforça a necessidade de vínculo, acolhimento e seguimento longitudinal na UBS. Falta de histórico de seguimento não substitui critério clínico para referência especializada.
E
Errada
Está errada porque fragmenta o cuidado ao adiar o manejo da depressão. O enunciado descreve tristeza, anedonia, insônia, dificuldade de concentração e impacto funcional, quadro que já interfere na capacidade de autocuidado e pode comprometer adesão e controle do DM2. A base exige abordagem integrada e simultânea, não hierarquização simplista com postergação da saúde mental.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre APS como coordenadora do cuidado e APS como mero local de triagem e encaminhamento: a presença de duas condições simultâneas não autoriza transferência precoce para hospital ou especialistas, nem adiamento da abordagem em saúde mental.
Dica para questões semelhantes
  • Se o caso traz condição crônica frequente e sofrimento mental comum sem sinais de urgência, pense em manejo inicial na UBS com coordenação pela APS.
  • Encaminhamento na RAS complementa o cuidado quando necessário; não substitui o plano terapêutico inicial nem a responsabilidade da equipe de referência.
  • Na multimorbidade, procure a alternativa que trate as condições de forma integrada; adiar uma delas sem critério clínico costuma estar errado.

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