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Q3768943 Português
Responda à questão de acordo com o poema.

Trecho do poema Mocidade e Morte

Oh! Eu quero viver, beber perfumes
Na flor silvestre, que embalsama os ares;
Ver minh’alma adejar pelo infinito,
Qual branca vela n’amplidão dos mares.
No seio da mulher há tanto aroma…
Nos seus beijos de fogo há tanta vida…
-Árabe errante, vou dormir à tarde
A sombra fresca da palmeira erguida.

Mas uma voz responde-me sombria:
Terás o sono sob a lájea fria.

Morrer…quando este mundo é um paraíso,
E a alma um cisne de douradas plumas:
Não! O seio da amante é um lago virgem…
Quero boiar à tona das espumas.
Vem! Formosa mulher – camélia pálida,
Que banharam de pranto as alvoradas,
Minh’alma é a borboleta, que espaneja
O pó das asas lúcidas, douradas…

E a mesma voz repete-me terrível,
Com gargalhar sarcástico: – impossível!


Do poeta Castro Alves.
Analise os versos abaixo:

Minh’alma é a borboleta, que espaneja
O pó das asas lúcidas, douradas…

Qual a figura de linguagem está presente nesses versos?
Alternativas

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Tema central da questão: Figuras de linguagem – especificamente a metáfora, elemento fundamental para interpretação poética em concursos públicos que avaliam a compreensão textual e análise semântica.

Justificativa da alternativa correta (D - Metáfora):

Nos versos “Minh’alma é a borboleta, que espaneja / O pó das asas lúcidas, douradas…”, temos uma metáfora, pois se faz uma identificação implícita entre “alma” e “borboleta”. Não há uso de conectivos comparativos como “como” ou “tal qual” – a comparação é subentendida, característica dessa figura.

Segundo a norma-padrão, como explicitam gramáticas como as de Celso Cunha & Lindley Cintra e Evanildo Bechara, a metáfora ocorre quando um termo é transferido para outro de campo semântico diferente, baseado em uma relação de semelhança percebida pelo autor.

Esses versos exploram a ideia de leveza, delicadeza e efemeridade que o poeta associa à própria alma, aproximando-a do voo de uma borboleta. É por essa razão que a leitura cuidadosa dos termos figurados é fundamental para identificar a metáfora em textos poéticos.

Análise das alternativas incorretas:

A) Antítese: Trata-se da justaposição de termos opostos ou contrastantes, por exemplo, “tristeza e alegria”. Não há oposição nos versos analisados, apenas associação.

B) Catacrese: Figura relacionada ao uso de uma palavra fora de seu sentido usual por falta de termo específico, como “pé da mesa”. Não se observa esse fenômeno no poema.

C) Eufemismo: Consiste em suavizar uma ideia desagradável, como “partiu desta para melhor” para indicar morte. O verso não está suavizando sentido, mas construindo uma analogia poética.

E) Metonímia: É a substituição por contiguidade (exemplo: “bebeu o copo” por “bebeu a água do copo”). No poema, não há contiguidade, há analogia (essência da metáfora).

Dica para provas: Ao identificar figuras de linguagem, procure comparações implícitas (sem conectivos) para a metáfora. Atenção com alternativas semelhantes e evite confundir metáfora com metonímia ou antítese, pois essas exigem outros tipos de relações semânticas.

Em resumo: Os versos apresentam uma metáfora, conforme a norma-padrão e as principais gramáticas de referência. O gabarito é a alternativa D.

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Metáfora: emprego de um termo com significado de outro, uma comparação subentendida.

"Minh’alma é a borboleta"

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