Nos versos do poema, a imagem da morte aparece na palavra:

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Q3768942 Português
Responda à questão de acordo com o poema.

Trecho do poema Mocidade e Morte

Oh! Eu quero viver, beber perfumes
Na flor silvestre, que embalsama os ares;
Ver minh’alma adejar pelo infinito,
Qual branca vela n’amplidão dos mares.
No seio da mulher há tanto aroma…
Nos seus beijos de fogo há tanta vida…
-Árabe errante, vou dormir à tarde
A sombra fresca da palmeira erguida.

Mas uma voz responde-me sombria:
Terás o sono sob a lájea fria.

Morrer…quando este mundo é um paraíso,
E a alma um cisne de douradas plumas:
Não! O seio da amante é um lago virgem…
Quero boiar à tona das espumas.
Vem! Formosa mulher – camélia pálida,
Que banharam de pranto as alvoradas,
Minh’alma é a borboleta, que espaneja
O pó das asas lúcidas, douradas…

E a mesma voz repete-me terrível,
Com gargalhar sarcástico: – impossível!


Do poeta Castro Alves.
Nos versos do poema, a imagem da morte aparece na palavra:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito comentado:

Tema central: Interpretação de texto com foco em figuras de linguagem (especialmente a metáfora) e compreensão de sentidos contextuais.

Na análise dos versos do poema de Castro Alves, observamos que o termo "sono" aparece em “Terás o sono sob a lájea fria”. Pela norma-padrão e segundo as gramáticas de referência (Cunha & Cintra; Bechara), a metáfora ocorre quando há substituição de um termo por outro com base em semelhança implícita. Neste caso, “sono” é usado como imagem poética para a morte, fenômeno comum na literatura para suavizar ou enriquecer o discurso (também chamado eufemismo).

Justificativa da alternativa correta (A) Sono): O “sono”, neste contexto poético, não se refere ao repouso temporário, mas sim ao descanso eterno, ou seja, à morte. A expressão “lájea fria” (pedra fria, o túmulo) reforça essa interpretação. Essa substituição metafórica é clássica e está de acordo com o que ensina Celso Cunha & Lindley Cintra sobre usos de figuras de linguagem.

Análise das alternativas incorretas:

B) Dormir – Apesar de, em alguns contextos, "dormir" ter valor metafórico relacionado à morte, no poema o verbo aparece ligado ao descanso transitório (“vou dormir à tarde”), o que não traduz de maneira direta a imagem da morte pretendida na questão.
C) Infinito – Refere-se à ideia de vastidão, eternidade ou amplitude, sem conexão direta com a ideia de morte no poema.
D) Amplidão – Relaciona-se ao espaço amplo, usado poeticamente para o mar ou o céu, sem referência figurada à morte.
E) Embalsama – Diz respeito ao perfume no ar, possuindo sentido literal, sem alusão direta à morte na construção apresentada.

Estratégia de prova: Atenção ao uso metafórico das palavras e ao contexto poético. Busque sempre identificar palavras-chaves e associações explícitas entre termos e imagens.

Portanto, A) Sono é a resposta correta, pois representa a morte de forma metafórica no poema.

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