Leia o caso a seguir. A., 28 anos, jardineiro, procurou o a...
A., 28 anos, jardineiro, procurou o ambulatório do serviço Y relatando que há cinco meses observou o aparecimento de quatro manchas hipercrômicas com diminuição da sensibilidade ao toque (duas na perna esquerda, uma no braço e outra no antebraço direitos). Biópsia de lesão de pele detectou hanseníase.
Nesse caso, qual é o tratamento indicado?
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Tema central: Hanseníase (lepra) – diagnóstico operacional e tratamento com poliquimioterapia (PQT/MDT). O caso descreve lesões cutâneas hipoestésicas (sinal cardinal) e biópsia confirmatória. Com quatro lesões, trata-se de hanseníase paucibacilar (PB) pela contagem de lesões (≤5).
Resposta correta: C – Rifampicina, Clofazimina e Dapsona por seis meses.
Justificativa clínica: Para PB, muitas bancas têm cobrado o esquema uniformizado (U-MDT) com 3 drogas por 6 meses (rifampicina + clofazimina + dapsona), com 6 doses mensais supervisionadas. Esse regime simplifica a operacionalização e reduz risco de reações/recidiva em alguns cenários programáticos. Doses usuais em adultos: rifampicina 600 mg mensal supervisionada; clofazimina 300 mg mensal + 50 mg/dia; dapsona 100 mg/dia. Critério operacional PB: 1–5 lesões cutâneas, como no caso.
Estratégia de prova: Conte as lesões. ≤5 → PB (6 meses); >5 → MB (12 meses). Se a alternativa oferecer 3 drogas/6 meses para PB, costuma ser a opção correta em provas que adotam U-MDT.
Análise das alternativas:
A) 3 drogas por 12 meses: corresponde à forma multibacilar (MB), indicada quando há >5 lesões, baciloscopia positiva ou acometimento mais extenso. Incompatível com o caso (4 lesões).
B) Rifampicina + Dapsona por 6 meses: é o esquema clássico PB segundo OMS/Ministério da Saúde. Contudo, a banca adotou o esquema uniformizado (inclusão de clofazimina) como conduta preferida. Em prova, atenção à opção com 3 drogas/6 meses para PB.
D) Rifampicina + Dapsona por 12 meses: duração inadequada para PB e ainda incompleto para MB (faltaria clofazimina). Não se aplica.
Diagnóstico e raciocínio: Lesões hipocrômicas/hipercrômicas com hipoestesia em áreas frias e biópsia positiva confirmam hanseníase. Os três sinais cardinais clássicos: lesão cutânea com alteração de sensibilidade; espessamento de nervo periférico com déficit; baciloscopia positiva. A fisiopatologia envolve Mycobacterium leprae infectando células de Schwann, levando a perda sensitiva.
Referências úteis para estudo: OMS – Guidelines for the diagnosis, treatment and prevention of leprosy (2018); Ministério da Saúde – Diretrizes para vigilância, atenção e eliminação da hanseníase; UpToDate; Harrison’s Principles of Internal Medicine.
Pegadinha comum: confundir PB com MB. O número de lesões define a conduta na prática programática: ≤5 (PB, 6 meses), >5 (MB, 12 meses). Verifique também se a banca usa U-MDT (3 drogas para PB por 6 meses).
Gabarito: C
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Comentários
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Paciente apresenta quadro de hanseníase paucibacilar pela classificação da OMS, tendo em vista que apresenta 4 lesões (paucibacilar até 5 lesões), sem informações sobre a baciloscopia ou espessamento de nervos (biópsia é diferente de baciloscopia). Nesse caso, o tratamento é feito com 6 cartelas em 6 meses (1 por mês), podendo fazer em até 9 meses se por algum motivo perder 3 meses (por exemplo, esquecimento). Desde setembro de 2020, tanto a forma paucibacilar quanto a multibacilar são tratadas com associação de Rifampicina + Clofazimina + Dapsona, havendo diferença apenas no tempo de tratamento.
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