Considerando o texto "Comunicar ainda é um ato humano", ava...
Comunicar ainda é um ato humano
Vivemos um tempo paradoxal: nunca foi tão fácil produzir conteúdo, mas nunca foi tão difícil produzir sentido. Em meio a textos automatizados e narrativas guiadas por algoritmos, surge uma questão essencial: o que acontece quando delegamos às máquinas não apenas a forma, mas a intenção do que comunicamos? O risco central não é a substituição do humano, mas o esvaziamento do significado.
Sem intenção consciente, a comunicação se transforma em mero estímulo eficiente, porém vazio. Quando sistemas decidem o que deve emocionar ou convencer, perde-se a responsabilidade sobre o porquê da mensagem. Onde não há intenção humana, há o perigo da manipulação disfarçada de inovação.
Nesse cenário, comunicar exige ética. Não basta dominar ferramentas tecnológicas; é preciso usá-las para ampliar a consciência, não para anestesiá-la. A inteligência artificial reflete valores e visões de mundo de quem a cria, mas carece de um elemento insubstituível: a consciência ética humana.
A IA pode ampliar e organizar vozes, mas não cria intenção. A intenção é o núcleo da comunicação. Criar e comunicar continuam sendo atos humanos profundos, encontros entre consciência e linguagem. A tecnologia pode amplificar, mas apenas o humano decide o que merece ser dito.
Texto Adaptado
MCSILL, James. Comunicar ainda é um ato humano. Hoje em Dia, [s.l.], [s.d.]. Disponível em: https://www.hojeemdia.com.br/opiniao/opiniao/comunicar-ainda-e-um-at o-humano-1.1097630 . Acesso em: 16 dez. 2025.
Gabarito comentado
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Gabarito: A
Fundamento decisivo: O critério decisivo é a identificação da finalidade discursiva predominante, pois o texto se organiza como dissertação de caráter reflexivo-argumentativo: problematiza um tema contemporâneo, formula uma tese e desenvolve avaliação crítica. Isso se evidencia em trechos como “Vivemos um tempo paradoxal: nunca foi tão fácil produzir conteúdo, mas nunca foi tão difícil produzir sentido.”, “O risco central não é a substituição do humano, mas o esvaziamento do significado.”, “Nesse cenário, comunicar exige ética.”, “A intenção é o núcleo da comunicação.” e “A tecnologia pode amplificar, mas apenas o humano decide o que merece ser dito.”. Esses segmentos mostram problematização, juízo de valor e defesa da centralidade da intenção humana, o que confirma a alternativa A.
- Identifique primeiro a finalidade dominante do texto: problematizar e defender uma tese indica tipologia dissertativo-reflexiva.
- Não confunda tema tecnológico com manual, tutorial ou texto técnico; o assunto não define sozinho a tipologia.
- Se houver juízos de valor e posicionamento do autor, afasta-se a hipótese de exposição neutra meramente informativa.
- Observe a palavra “predominantemente”: o texto pode ter traços expositivos, mas o que decide é o modo de organização dominante.
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