O problema mais visível da economia brasileira, na segunda ...

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Q3105341 Economia
O problema mais visível da economia brasileira, na segunda metade do século XX, era a inflação, que, mesmo nos anos de fraco desempenho do PIB (1981/1983), não cedia. Já em 1980, a inflação havia superado os 100%, e os esforços realizados nos primeiros anos da década (1981 e 1982) apenas a haviam reduzido marginalmente.
F. Giambiagi et al. Economia brasileira contemporânea: 1945-2010. 2.ª ed. Rio de Janeiro: Campus, 2011, p. 101 (com adaptações).

A respeito do período de hiperinflação dos anos 1980 e dos correspondentes planos de combate à inflação, julgue (C ou E) o seguinte item. 

Durante o Plano Cruzado, os preços foram congelados de acordo com regras para cada categoria de produtos, ao passo que os salários eram reajustados com base no gatilho inflacionário.  
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Gabarito: C

Entre as medidas do Plano Cruzado, o Atlas da FGV destaca:

- "congelamento de preços — todos os preços foram congelados, e nomeou-se também como agente fiscalizador qualquer pessoa do povo. O congelamento poderia ser suspenso por ato do Poder Executivo;

- indexação dos salários — os salários foram indexados de acordo com uma escala móvel, que reajustaria automaticamente o salário toda vez que a inflação acumulada alcançasse 20%. Nas datas-base do reajuste de cada categoria profissional, os salários teriam um reajuste de, no mínimo, 60% da variação acumulada de 60% da inflação, medida pelo índice de preços ao consumidor do IBGE"

Fonte:

Plano Cruzado foi um conjunto de medidas econômicas, lançado pelo governo brasileiro em 28 de fevereiro de 1986, com base no decreto-lei nº 2.283, de 27 de fevereiro de 1986, sendo José Sarney o presidente da República e Dilson Funaro o ministro da Fazenda.

A principal marca foi o congelamento de preços. Alimentos, combustíveis, produtos de limpeza, serviços e até o real tiveram os preços tabelados pelo governo.

Indexação dos salários

Os salários foram indexados de acordo com uma escala móvel, que reajustaria automaticamente o salário toda vez que a inflação acumulada alcançasse 20%. Nas datas-bases do reajuste de cada categoria profissional, os salários teriam um reajuste de, no mínimo, 60% da variação acumulada de 60% da inflação, medida pelo índice de preços ao consumidor do IBGE.

Foi um plano heterodoxo com foco principal em combater a inflação inercial, utilizando medidas como:

  • Todos os preços da economia foram congelados de forma generalizada.
  • Havia regras específicas para diferentes categorias de produtos, e o governo controlava os reajustes.
  • O objetivo era quebrar a expectativa inflacionária, já que os preços vinham subindo continuamente com base em reajustes passados.
  • Criou-se o chamado “gatilho salarial”: sempre que a inflação acumulada chegasse a 20%, os salários eram automaticamente reajustados.
  • Isso pretendia preservar o poder de compra dos trabalhadores num cenário de congelamento de preços.

Abraços

"Os preços de todos os produtos ficavam congelados

a partir de 28 de fevereiro, e a taxa de câmbio vigente no dia anterior ao

Plano ficou igualmente fixa. Para o controle do congelamento, foi criada a

“Tabela da Sunab” (Superintendência Nacional de Abastecimento e Preços),

que consistia numa lista de preços a ser respeitada — sob a vigilância da

população, designada “fiscal do presidente”. As instituições que não respeitassem

o tabelamento de preços seriam multadas, através de denúncia pública,

como “crime contra a economia popular”.

...

"os salários em cruzados deveriam ser calculados pela média

dos últimos seis meses (setembro de 1985 a fevereiro de 1986) em valores

correntes. Para fazer a conversão, foi divulgada uma tabela que trazia valores

corrigidos a preços de fevereiro. Os salários ficavam oficialmente congelados,

podendo os empresários decidir por aumentos caso a caso, através de negociação. [...] Para evitar que os trabalhadores acumulassem perdas, foi criado ainda o “gatilho salarial”, que garantia a correção

imediata dos salários sempre que a inflação acumulasse 20%".

Fonte: F. Giambiagi et al. Economia brasileira contemporânea: 1945-2010.

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