O trabalho precário e uma realidade do mundo
laboral e, contrariamente ao que pode ser imaginado, não
está presente apenas em regiões geográficas descritas
como economicamente mais vulneráveis, fato que explica
a recorrência de estudos oriundos de países como Estados
Unidos, Canadá e Espanha, ou ainda de regiões diversas
da América Latina, ou Asia.
O objetivo número oito da agenda 2030 da ONU
propõe promover o crescimento econômico de maneira
inclusiva e sustentável, aliado ao trabalho decente, que
deve ser inclusivo e produtivo. Isso mostra uma
preocupação institucionalizada com as condições em que
os trabalhadores desempenham as suas atividades. O
cenário laboral atual, entretanto, e caracterizado pelo
incremento da precariedade, o que revela uma
contradição, e mostra a necessidade de estudar as
condições atuais de trabalho e os seus diversos atributos.
Apesar do interesse pelo tema, autores alertam sobre
a falta de clareza conceitual do trabalho precário, fato que
dificulta o avanço de discussões baseadas em resultados
empíricos sistemáticos. Destacam, por exemplo, que a
concepção pode ser diferente se analisado no nível
individual (pessoas que laboram sob essas condições),
daquela tida ao estudar grupos sociais (grupos que vivem
em situações econômicas e sociais desvantajosas), ou da
adotada nos estudos realizados no nível macro (perfil de
precariedade em uma localização geográfica).
Essas ponderações tornam evidente a necessidade de
uma clara definição e descrição do que seja o trabalho
precário para alicerçar adequadamente o seu estudo.
Adaptado de: PUENTE-PALACIOS, K.; FRAUSTO, C. I. G. Trabalho
precário: dos atributos teoricos à proposta de um instrumento de
medida. Ciência & Saúde Coletiva, v. 31, n. 2, p. 1-10,2026.
Com base no terceiro parágrafo do Texto I,
a dificuldade de fazer avançar as discussôes sobre o
trabalho precário a partir de resultados empíricos
sistemáticos decorre principalmente da:
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