O tratamento indicado após a melhora clínica descrita é:
Considerando o caso descrito a seguir, responda a questão.
Mulher, 20 anos, é internada com náusea, vômitos, poliúria e polidipsia. HPP: diabética em tratamento irregular com insulina NPH.
Exames iniciais: glicose 402 mg%, Na 134 mEq/l, K 3,1 mEq/l, fosfato 3,2 mg%, creatinina 1,2 mg%, ureia 69 mg%, pH 7,18 e cetonúria ++. Cálculo do anion gap - aumentado.
Após algumas horas do início do tratamento, sente-se melhor, sem náuseas ou vômitos e aceita dieta oferecida. Resultado dos exames nesse momento: glicemia 162 mg, Na 142 mEq/l, K 4,3 mEq/l, fosfato 3,8 mEq/l e pH 7,31.
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Tema central: O caso trata do manejo da cetoacidose diabética (CAD), uma emergência endocrinológica frequente, especialmente em pacientes jovens com diabetes tipo 1. Sinais cardinais: náuseas, vômitos, poliúria, polidipsia e bioquímica compatível (hiperglicemia, acidose metabólica com anion gap aumentado e cetonúria).
Justificativa para a alternativa correta (B): Após a melhora clínica e laboratorial da CAD (glicemia < 200 mg/dL, pH ≥ 7,3, ausência de vômitos/náuseas), as principais diretrizes nacionais e internacionais, incluindo o “Projeto Diretrizes: Crises Hiperglicêmicas Agudas”, recomendam transição para insulina subcutânea NPH para manter a euglicemia. Além disso, é necessário iniciar solução glicosada a 5% intravenosa (SG 5%) para evitar hipoglicemias nesse período de ajuste e sobreposição das vias de administração da insulina. Segundo o protocolo citado, “a administração da insulina subcutânea deve ser feita concomitantemente à solução glicosada, quando a glicemia for inferior a 200 mg/dL, mantendo o paciente euglicêmico”.
Análise das alternativas incorretas:
A) Suspender insulina contradiz o princípio fundamental do diabetes tipo 1, que é a necessidade contínua de insulina para prevenção de recorrência da CAD.
C) Manter insulina regular EV não é recomendado após melhora clínica, pois a via EV é reservada para fase aguda. Reposição de fosfato está indicada apenas em casos de hipofosfatemia sintomática ou severa, o que não ocorre aqui.
D) Manter insulina regular EV idem ao erro anterior; bicarbonato apenas para acidose grave (pH < 6,9), e aqui o pH já está dentro do esperado.
E) Suspender potássio pode ser perigoso; o paciente diabético insulinodependente mantém-se sob risco de hipocalemia com insulinoterapia contínua e isso deve ser vigiado durante o tratamento.
Dica de leitura de prova: Questões assim cobram atenção à sequência do protocolo: reconhecer a estabilização clínica/laboratorial é fundamental para saber quando e como transitar para insulina subcutânea e iniciar a solução glicosada.
Evidências: Tanto o “Projeto Diretrizes” da AMB, quanto o UpToDate e o Manual de Harrison destacam que a manutenção do tratamento com insulina e solução glicosada após estabilização é essencial para evitar recaídas da CAD e hipoglicemia.
Resumo final: A transição correta após melhora da CAD é para insulina NPH SC + SG 5% EV. Essa conduta é alinhada aos melhores protocolos e evidencia domínio do manejo prático hospitalar do diabetes.
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