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Q1069504 Medicina

Uma mulher de 25 anos de idade procurou o serviço de ginecologia endócrina com quadro de amenorreia primária. Além disso, referiu ausência de pelos em região de axila e genitália. Exames mostraram βhCG negativo, TSH e prolactina normais e cariótipo 46 XY. Na ultrassonografia transvaginal, útero não caracterizado.

Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta o provável diagnóstico

Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A combinação de amenorreia primária, cariótipo 46,XY, ausência de útero e ausência de pelos axilares/genitais indica síndrome de insensibilidade androgênica completa (síndrome de Morris): há testículos funcionantes com produção de AMH, levando à regressão dos ductos de Müller e ausência de útero, enquanto a resistência aos andrógenos explica a escassez de pelos sexuais; por isso, o gabarito é C.

Tema central: Amenorreia primária 46,XY
Análise das alternativas
A
Errada
Síndrome dos ovários policísticos não explica o caso porque costuma ocorrer em pacientes 46,XX, com útero presente e anovulação crônica. Além disso, o quadro clássico envolve hiperandrogenismo clínico, não ausência de pelos axilares e pubianos. O cariótipo 46,XY e a ausência uterina excluem essa hipótese.
B
Errada
Síndrome de Kallmann é hipogonadismo hipogonadotrófico congênito e pode cursar com amenorreia primária, mas não justifica ausência de útero nesse contexto. Em uma mulher 46,XX com Kallmann, o útero está presente. Também não é o mecanismo que explica escassez de pelos por resistência androgênica nem o cariótipo 46,XY do caso.
C
Certa
A alternativa C está correta porque descreve o quadro clássico da síndrome de Morris. O achado decisivo não é apenas a amenorreia primária, mas o padrão de desenvolvimento sexual: cariótipo 46,XY afasta as causas ginecológicas usuais em 46,XX; a ausência de útero mostra ação do AMH produzido por testículos fetais; e a ausência de pelos axilares e pubianos aponta para falha de ação androgênica nos tecidos-alvo. Essa combinação é típica de insensibilidade androgênica completa.
D
Errada
Síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser pode lembrar o caso pela ausência de útero e amenorreia primária, mas o dado que a elimina é o conjunto 46,XY + ausência de pelos sexuais. MRKH ocorre em pacientes 46,XX, com ovários funcionantes e pelos pubianos/axilares normais. Portanto, a anatomia interna isolada não basta para esse diagnóstico.
E
Errada
Síndrome de Asherman causa amenorreia secundária por sinequias intrauterinas, geralmente após agressão uterina. O caso é de amenorreia primária, com útero não caracterizado ao exame, o que é incompatível com Asherman. Também não há relação com cariótipo 46,XY nem com ausência de pelos.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre ausência de útero por MRKH e por insensibilidade androgênica completa. O desempate real está no cariótipo 46,XY e na ausência de pelos axilares/pubianos, que apontam para resistência androgênica, não para agenesia mülleriana em 46,XX.
Dica para questões semelhantes
  • Em amenorreia primária, integre sempre cariótipo, presença de útero e padrão de pelos sexuais antes de pensar em causas endócrinas comuns.
  • Ausência de útero em 46,XY sugere ação de AMH testicular fetal; depois, use os pelos sexuais para diferenciar insensibilidade androgênica de outras hipóteses.
  • MRKH e síndrome de Morris podem compartilhar amenorreia primária e ausência de útero, mas MRKH é 46,XX e tem pelos pubianos/axilares normais.
  • TSH e prolactina normais têm valor secundário quando o quadro já é definido por achados de desenvolvimento sexual.

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Comentários

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O caso apresentado sugere a presença de uma condição conhecida como síndrome de Morris ou insensibilidade aos andrógenos. Essa condição é uma doença genética que causa a ausência de receptores androgênicos ou uma redução na função desses receptores em indivíduos do sexo masculino. Como resultado, o indivíduo apresenta características sexuais femininas, como ausência de pelos em região de axila e genitália, mas não tem desenvolvimento de órgãos sexuais internos femininos, como útero e ovários. Portanto, a alternativa correta é a C - síndrome de Morris.

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