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Q3293056 Medicina
A anatomia e fisiologia cardiovascular constituem a base para avaliar disfunções no sistema circulatório. Marque o fator que melhora a hemodinâmica em situações de débito cardíaco reduzido:
Alternativas

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Tema central: hemodinâmica em débito cardíaco reduzido (insuficiência cardíaca), com foco no equilíbrio entre pré-carga (volume que chega ao ventrículo), pós-carga (resistência contra a qual o ventrículo ejeta) e contratilidade. Pelo mecanismo de Frank–Starling, há um ponto ótimo de estiramento; excesso de volume piora o débito e aumenta a congestão.

Alternativa correta – B: Redução controlada da pré-carga melhora a hemodinâmica quando há congestão e dilatação ventricular. Ao diminuir o retorno venoso/volume diastólico, reduz-se o estresse parietal (Lei de Laplace), a pressão capilar pulmonar e o consumo de O2 miocárdico, reposicionando o ventrículo na parte mais eficiente da curva de Starling. Clinicamente, isso se alcança com diuréticos de alça, venodilatadores (nitratos) e medidas como posição sentada e, em edema agudo, CPAP. Diretrizes da SBC e ACC/AHA recomendam esse manejo na IC congestiva e na IC aguda descompensada quando há sinais de volume excessivo.

Por que as demais estão incorretas?

A – Aumentar pós-carga com vasoconstritores: elevar a resistência vascular geralmente reduz o volume sistólico em disfunção sistólica, piorando o débito e aumentando a demanda de O2. Vasopressores só têm lugar se houver choque com hipotensão, e mesmo assim na menor dose necessária e, preferencialmente, com suporte inotrópico. Não é estratégia para “melhorar a hemodinâmica” de rotina.

C – Elevar maciçamente a resistência periférica: é o mesmo princípio de aumentar pós-carga. Isso sobrecarrega a bomba cardíaca, reduz o débito e pode precipitar isquemia. Diretrizes desencorajam esse caminho em IC sem hipotensão.

D – Bloqueio total do retorno venoso: é fisiologicamente impraticável e perigoso. Redução excessiva da pré-carga derruba o débito e causa hipotensão/hipoperfusão. O benefício ocorre apenas com redução graduada e monitorada do volume, nunca bloqueio completo.

Estratégia de prova: desconfie de opções que proponham “intensificar” pós-carga/resistência ou medidas extremas. Em IC congestiva, procure termos como “redução controlada da pré-carga” e “alívio de congestão”.

Aplicação prática: IC descompensada com congestão: diurético de alça IV, nitratos (se PA permitir), posição sentada, oxigênio/CPAP se hipoxemia; otimizar terapia crônica (IECA/ARNI, betabloqueador, antagonista de aldosterona) após estabilização, conforme diretrizes.

Referências: Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca – SBC (2021/2022); ACC/AHA/HFSA Guideline for Heart Failure (2022–2024); UpToDate: Management of acute decompensated heart failure; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

Gabarito: B.

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