Considere o parágrafo final do texto: "Então, com tristeza e...
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Ano: 2024
Banca:
Unoesc
Órgão:
Câmara de Guatambu - SC
Prova:
Unoesc - 2024 - Câmara de Guatambu - SC - Controlador Interno |
Q4378648
Português
Texto associado
Feminicídio
Profissional das palavras, amante das palavras e da linguagem, curiosa pela
comunicação entre pessoas, animais, pessoas e animais (sim, isso existe), de vez em
quando sei que implico com alguma novidade. Não deveria: ex-professora de linguística,
conhecendo a língua como ser vivo, em constante mutação, essa realidade me apaixona.
Porém, aqui e ali sei que implico, sim, com algum vocábulo que me soa modernoso,
nem sempre útil, pouco interessante, tipo "moda efêmera". Assim, escrevi alguma coisa
criticando esse novo termo: feminicídio. Supérfluo, pois homicídio já incluiria assassinato
de mulheres.
Prestando mais atenção nos horríveis noticiosos sobre assassinatos de
mulheres especialmente, argumentei comigo mesma que, se já havia infanticídio,
matricídio, parricídio, poderíamos bem usar feminicídio. Pois o crime se expande e se
afirma de maneira espantosa.
Homens sempre mataram mulheres mais do que mulheres mataram homens?
Possivelmente, sim. Gosto de antropologia, de história, da história da humanidade, a nossa
história tão intrincada, esquisita, às vezes gloriosa, outras vergonhosa. Já entre os
trogloditas (uso o termo generalizando homens da pré-história), o macho, dominante pelo
tamanho e força, saía a caçar comida para a família – para perpetuação da espécie – e
para colocar no maior número de fêmeas jovens e saudáveis a sua semente – também para
perpetuação da espécie. Então, segundo meu bom-senso (na vida, como nas leis e no
mundo, o bom-senso nem sempre predomina), desde sempre mais homens maltrataram
fisicamente mulheres. Tamanho às vezes é documento.
Mas quando leio e vejo notícias desses crimes específicos, mulheres mortas
diariamente a pau, a faca, a tiro, pela frente, pelas costas, jogadas de andares altos,
afogadas em banheira e tudo o mais, pergunto por que isso parece tão fácil, tão trivial. Quase sinistramente natural, pois a toda hora se matam mulheres por ciúme, loucura,
droga, frustração, maldade mesmo, simplesmente vontade de acabar com ela.
E por que nós, mulheres, ainda tornamos isso tão fácil para o macho criminoso? Por
que tão raramente – embora já com mais frequência – fazemos queixa às delegacias? Por
que temos tanto medo dos nossos homens? Ou vergonha dos filhos, da família, da dita
"sociedade" e preferimos apanhar, e um dia morrer, em escandaloso e gritante silêncio?
Há cursos, estudos, seminários, psiquiatras e médicos que analisam essa questão,
e as respostas são muitas. Acho que nenhuma muito satisfatória. Ainda há muitas franjas
de sombra nesse assunto. Sei apenas que depende de nós, mulheres, não permitir que
nada, nunca, passe do primeiro gesto da primeira mão levantada, porque depois virão o
tapa, o soco, a surra, a repetição desses abusos vergonhosos e a nossa melancólica
resignação. Quando vamos ver, estamos na lista dos feminicídios neste país, e no mundo
inteiro, em todas as classes sociais, raças, religiões, culturas, humanidades diversas.
Então, com tristeza e sem mais comentários, incluo feminicídio no meu vocabulário.
Considere o parágrafo final do texto: "Então, com tristeza e sem mais comentários, incluo
feminicídio no meu vocabulário". A partir da análise desse trecho e de sua relação com o
desenvolvimento argumentativo do texto, é correto afirmar que