Paciente, 45 anos, apresenta sintomas de perda de peso, trem...
Gabarito comentado
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Tema central: Quadro clínico e laboratorial típico de hipertireoidismo (T4L/T3 altos com TSH suprimido) e sua principal complicação aguda.
Alternativa correta: C – O hipertireoidismo não tratado pode evoluir para tempestade tireoidiana, emergência endocrinológica com hipertermia, taquiarritmias, alteração do sensório, insuficiência cardíaca e disfunção multissistêmica. É precipitada por infecções, cirurgia, trauma ou suspensão de antitireoidianos. Requer tratamento imediato: betabloqueador (propranolol), antitireoidiano (PTU ou metimazol), iodo após antitireoidiano, corticóide e suporte intensivo. Referências: Harrison’s, UpToDate, Diretrizes da American Thyroid Association (ATA).
Por que as demais estão incorretas?
A. A tireoidite de Hashimoto é a causa mais comum de hipotireoidismo em áreas com iodo suficiente. Em hipertiroidismo, a causa mais comum é a Doença de Graves. Existe “hashitireotoxicose” (fase inicial transitória com liberação de hormônio), mas não é a causa mais comum de hipertiroidismo. (ATA; UpToDate)
B. Betabloqueadores controlam sintomas adrenérgicos (taquicardia, tremor, ansiedade). Eles não reduzem a produção de hormônios tireoidianos. Observação: propranolol em altas doses pode diminuir a conversão periférica de T4 em T3, mas o tratamento etiológico é feito com metimazol ou PTU, iodo radioativo ou cirurgia. (Harrison; UpToDate)
D. No 1º trimestre da gestação, o fármaco de escolha é o PTU (propiltiouracil) devido ao risco teratogênico do metimazol. Após o 1º trimestre, em geral migra-se para metimazol pela menor hepatotoxicidade crônica. (ATA 2017/2020; ACOG; UpToDate)
Interpretação diagnóstica: Sintomas autonômicos (perda de peso, tremor, sudorese, palpitações) + T4L/T3 elevados e TSH suprimido confirmam tireotoxicose. Para definir a etiologia: TRAb/TSI positivos sugerem Graves; scan com captação elevada difusa em Graves e baixa em tireoidites (contraindicado na gestação); ultrassom Doppler com vascularização aumentada em Graves.
Conduta padrão: Controle sintomático com betabloqueador; terapia antitireoidiana (metimazol na maioria; PTU no 1º trimestre/tormenta); considerar iodo radioativo ou cirurgia conforme caso. Monitorar fibrilação atrial e osteoporose.
Pegadinhas de prova: - “Betabloqueador reduz hormônio” → falso; reduz sintomas. - “Metimazol no 1º trimestre” → falso; é PTU. - “Hashimoto = hipertiroidismo mais comum” → falso; é Graves.
Referências: American Thyroid Association Guidelines; UpToDate: Diagnosis and management of hyperthyroidism; Harrison’s Principles of Internal Medicine.
Gabarito: C
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