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Q866547 Português

Leia o texto para responder às questões.

Em algum desvão esquecido do meu computador, (1) reencontro uma pergunta que me fez, _____ tempos, a talentosa Haydée Porto, caríssima amiga, figura imprescindível do nosso teatro: “Uma conhecida me criticou bastante por causa de uma palavra que usei: ‘janta’. Na verdade, nunca tinha me dado conta disso. Nós estamos errados ao falar assim? Como ficamos com a nossa ‘janta’?”. 

Ficamos muito bem. “Janta” é um substantivo formado por derivação regressiva do verbo “jantar”, criado _____ semelhança de dezenas de outros que extraímos de verbos (chamados, por isso mesmo, de deverbais): por exemplo, “suplicar” deu “súplica”, “alcançar” deu “alcance”, “baixar” deu “baixa” e “almoçar” deu “almoço”. Por que, então, “jantar” não poderia dar “janta”? Na fronteira com os países do Prata, já ouvi muita gente dizer “suba” (“Vou comprar o carro antes da suba do dólar”), como substantivo para “subir”. Eu estranho essa “suba”  (que Houaiss registra como variante do Rio Grande do Sul), assim como alguém deve ter estranhado _____ nossa “janta” ― assim como nós, (2) os brasileiros, (2) não estamos habituados ao termo “apanha”, (3) muito usado em Portugal (“No Alentejo, a apanha da azeitona começa em outubro”). E daí? É natural que, de uma região para outra, haja preferências distintas em tudo ― na maneira de fazer churrasco, (4) na música que toca no rádio e, mais do que em todas as demais áreas reunidas, nos vocábulos que empregamos.

Disponível em: <http://sualingua.com.br/2015/10/10/janta/>. Acesso em: 16/08/17.  

Selecione a alternativa que completa CORRETA e respectivamente as lacunas do texto.
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Gramática normativa — uso de "há", "a" e crase. A questão avalia se o candidato reconhece o emprego de "há" e "a" para indicação de tempo, a presença da crase antes de palavras femininas e a restrição desse uso em determinados contextos.

Análise da alternativa correta (B — há – à – a):

1. Primeira lacuna: "há tempos"Usa-se "há" (verbo haver) para indicar tempo decorrido, sendo equivalente a "faz". Exemplo didático: "Há muitos anos não viajo". Portanto, correto o uso de "há" para indicar algo passado.

2. Segunda lacuna: "à semelhança" — A crase ocorre quando há fusão da preposição "a" com o artigo "a" de um substantivo feminino. "Semelhança" admite artigo e pede preposição, formando "à semelhança", como em: "Feito à maneira antiga".

3. Terceira lacuna: "a nossa 'janta'" — Não ocorre crase antes de pronomes possessivos femininos. Segundo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), "Não ocorre crase antes de pronomes possesivos": a nossa, a minha. Assim, correto o uso de "a" sem acento.

Análise das alternativas incorretas:

A) a – a – a: Erro na 1ª (deveria ser "há", por tempo passado) e na 2ª (pede crase antes de "semelhança").

C) há – a – a: Erra a 2ª lacuna, pois exige crase: "à semelhança".

D) à – à – à: Excesso de crase, inclusive onde ela é proibida (antes de "nossa").

Pegadinha: Atenção: a crase NÃO ocorre antes de pronomes possessivos femininos, nem se troca "há" por "a" em tempo passado!

Resumo das regras:

  • Usa-se "há" para tempo passado: "há três meses".
  • Usa-se crase diante de substantivos femininos que exigem artigo e preposição: "à semelhança".
  • Não ocorre crase antes de pronomes possessivos femininos: a nossa, a minha.

Referências: Bechara, E.; Cunha & Cintra.

Conclusão: A alternativa B ("há – à – a") está correta, fundamentando-se nas regras da norma-padrão e na interpretação dos contextos do texto.

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Comentários

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VERBO CRIAR é transitivo direto e indireto.

Quem cria cria algo a alguem.

Boa madrugada aos que estão firmes!

GABARITO: letra B

 

1. “ tempos” → “há” no sentido de “faz”.

2. “à semelhança de” → locução adverbial feminina, aqui há crase.

3. “a nossa janta” → objeto direto (não há preposição e, portanto, não há crase).

 

Obs.: “criar”, no sentido do texto, me parece ser verbo transitivo direto. Seu objeto direto (“um substantivo”) se tornou sujeito paciente, pois a frase aparentemente está na voz passiva (embora não tenha verbo auxiliar). Pelo menos é essa a impressão que eu tive.

HÁ  tempos.

JUSTIFICATIVA: "HÁ" INDICA TEMPO PASSADO.

À semelhança de.

JUSTIFICATIVA: PREPOSIÇÃO "A" + SUBSTANTIVO FEMININO + PREPOSIÇÃO "D", HÁ CRASE. BASTA PRONUNCIAR "A THUCA DE"

 À nossa.

JUSTIFICATIVA: PRONOME POCESSIVO FEMININO A CRASE É FACULTATIVA, PORÉM A ALTERNATIVA QUE SOBRA TEM, ENTÃO É ELA.

GABARITO "B"

 

Alternativa correta: letra (b).

1. "há tempos": verbo haver no sentido de tempo decorrido (há tempos atrás).

2. "à semelhança de": deve-se utilizar o acento grave indicador de crase antes de locução adverbial formada por palavras femininas.

3. "estranhado a nossa janta": o "a" é apenas um artigo definido, que acompanha do substantivo deverbal "janta", uma vez que o verbo "estranhar" é um verbo transitivo direto (alguém estranha algo ou outro alguém).

Bons estudos!

Para mais informações: http://revisandoseutexto.com.br/portugues-para-concurso/

GABARITO B 

CASOS FACULTATIVOS DE CRASE

- Diante de nomes próprios femininos:

Entreguei o cartão Paula.
Entreguei o cartão à Paula.

- Diante de pronome possessivo feminino:

Cedi o lugar minha avó.
Cedi o lugar à minha avó.

- Depois da preposição até:

Fui até a praia.
Fui até à praia.

 

bons estudos

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