"Doença parasitária do homem, causada por um helminto. Habit...

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Q3508236 Medicina
"Doença parasitária do homem, causada por um helminto. Habitualmente, não causa sintomatologia, mas pode manifestar-se por dor abdominal, diarreia, náuseas e anorexia. Quando há grande número de parasitas, pode ocorrer quadro de obstrução intestinal. Em virtude do ciclo pulmonar da larva, alguns pacientes apresentam manifestações pulmonares, com broncoespasmo, hemoptise e pneumonite, caracterizando a síndrome de Loeffler, que cursa com eosinofilia importante. Quando há grande número de parasitas, pode ocorrer quadro de obstrução intestinal." (Fonte: Doenças Infecciosas e Parasitárias: Guia de Bolso. Ministério da Saúde)
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Tema central: Helmintíase intestinal com ciclo pulmonar e possibilidade de síndrome de Loeffler (pneumonite eosinofílica transitória) associada a dor abdominal/diarreia e, em cargas elevadas, obstrução intestinal.

Alternativa correta: A – Ascaridíase (Ascaris lumbricoides)

Por que é a correta? O Ascaris tem ciclo: ingestão de ovos → larvas eclodem no intestino → migram via corrente sanguínea para pulmões → causam pneumonite eosinofílica (síndrome de Loeffler: tosse, sibilância/broncoespasmo, hemoptise leve, eosinofilia importante) → são deglutidas e tornam-se vermes adultos no intestino delgado. Em altas cargas, os vermes volumosos podem causar obstrução intestinal e migração para vias biliares/pancreáticas. Esse conjunto (pulmão + obstrução) é característico da ascaridíase. Referências: Harrison’s, UpToDate, Ministério da Saúde (DIP – Guia de Bolso).

Diagnóstico (quando cobrado): exame parasitológico de fezes com ovos (após 6–8 semanas da infecção); eosinofilia na fase pulmonar; radiografia de tórax com infiltrados migratórios; USG/TC podem visualizar vermes em vias biliares.

Tratamento (diretrizes MS/OMS/UpToDate): Albendazol 400 mg VO dose única (escolha); alternativas: mebendazol 100 mg 12/12 h por 3 dias ou 500 mg dose única, ivermectina 200 mcg/kg dose única. Em obstrução: manejo conservador (hidratação, sonda nasogástrica); anti-helmíntico após melhora do íleo; cirurgia se complicar.

Por que as demais estão incorretas?

B – Enterobíase (Enterobius vermicularis): típica de prurido anal noturno, autoinfecção, sem fase pulmonar e sem obstrução intestinal. Diagnóstico: fita gomada perianal. Não cursa com síndrome de Loeffler.

C – Ancilostomíase (Ancylostoma/Necator): tem fase pulmonar possível, mas o quadro clássico é anemia ferropriva por perda crônica de sangue e “ground itch” (dermatite na penetração cutânea). Obstrução intestinal por carga de vermes não é típica. A associação forte “Loeffler + obstrução” favorece Ascaris.

D – Tricuríase (Trichuris trichiura): parasita do cólon, cursa com diarreia crônica, dor abdominal, tenesmo e, em crianças, prolapso retal. Não há ciclo pulmonar e síndrome de Loeffler não é esperada; obstrução é rara.

Estratégia de prova (evite pegadinhas): Ao ler “síndrome de Loeffler/eosinofilia importante” pense em helmintos com migração pulmonar; se junto houver “obstrução intestinal” ou “biliar”, priorize Ascaris. Se vier “prurido anal”, pense Enterobius; se vier “anemia ferropriva” e contato com solo, pense Ancylostoma; se vier “tenesmo/prolapso retal”, pense Trichuris.

Referências rápidas: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate – Ascariasis; Ministério da Saúde – Doenças Infecciosas e Parasitárias (Guia de Bolso); OMS – Guideline: Preventive chemotherapy to control soil-transmitted helminth infections.

Gabarito: A – Ascaridíase.

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