Um dos principais desafios para o integrante de uma operação...

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Q3502097 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

Os caminhos para a reconciliação

        Existe um setor do nosso sistema de justiça que trabalha em nome de reconciliação. Ele atua mediando conflitos de todo tipo. Ele busca uma sociedade reconciliada, livre e madura. Eu não sabia de sua existência até ser convidada para palestrar num encontro de mulheres sobre o tema da Justiça Restaurativa, realizado em Brasília. Quando me dediquei a estudar o assunto, fiquei absolutamente perplexa e emocionada.

        Qualquer pessoa que já se propôs a enfrentar um processo de reconciliação na vida, em qualquer escala, sabe que a empreitada não é fácil. Muitas vezes, ao encarar "o outro lado", a gente se dá conta de estar olhando no espelho e essa revelação é perturbadora.

        Não se trata aqui de diminuir a gravidade de crimes cometidos e a responsabilidade do criminoso. Muito pelo contrário. Trata se de uma tentativa honesta de reconciliar um país e de compreender que estruturas de poder segregacionistas produzem segregação e autorizam comportamentos. Como disse Nelson Mandela: se sabemos como ensinar pessoas a odiar umas às outras também podemos ensiná-las a amar.

        A justiça restaurativa é um conjunto ordenado e sistêmico de princípios, métodos, técnicas e atividades próprias, que visa à conscientização sobre os fatores relacionais, institucionais e sociais motivadores de conflitos. É um conceito que implica a sociedade na formação das pessoas que nela vivem. É a ideia de que a sociedade é corresponsável pelos crimes que seus membros cometem. Como poderia ser diferente? Uma sociedade que se quer inocente dos horrores que dentro dela operam não é uma sociedade justa e igualitária.
 
        A luta pela reconciliação encontra abrigo nesse setor da justiça, e acredita que a reconciliação se faz por restauração do diálogo e não por cancelamentos ou prisões. O poder da transformação positiva de pessoas e de comunidades não será o que temos de mais humano?

(Adaptado de: LACOMBE, Milly. São Paulo: Folha de S. Paulo, 27/03/25) 
Um dos principais desafios para o integrante de uma operação social reconciliatória está em
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: A inferência correta decorre da tese do texto de que a reconciliação exige superar a oposição rígida entre "o outro lado" e a própria posição, por meio de compreensão contextual e restauração do diálogo. Isso se apoia nos trechos "Muitas vezes, ao encarar \"o outro lado\", a gente se dá conta de estar olhando no espelho e essa revelação é perturbadora" e "a reconciliação se faz por restauração do diálogo", o que autoriza a alternativa que fala em avaliação mais isenta de posicionamentos polarizados.

Tema central: reconciliação e diálogo
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa extrapola o sentido da citação de Mandela. O texto menciona que, se se pode ensinar o ódio, também se pode ensinar o amor, para sustentar a possibilidade de transformação humana; não afirma que amor e ódio devam converter-se reciprocamente nem faz dessa reciprocidade o núcleo do desafio reconciliatório.
B
Errada
A alternativa contraria diretamente a tese do texto. Ao dizer que, ao encarar "o outro lado", a pessoa pode estar olhando no espelho, e ao defender a corresponsabilidade social, o texto recusa a leitura de que uma das partes detenha virtude incontestável. A reconciliação proposta supera esse maniqueísmo.
C
Errada
A alternativa inverte o sentido do texto. A autora sustenta que é necessário compreender fatores relacionais, institucionais e sociais dos conflitos e que estruturas de poder produzem segregação e autorizam comportamentos. Portanto, a razão contextual de um ato hostil deve ser compreendida; isso não elimina a responsabilidade do agente, mas impede leitura unilateral.
D
Errada
A alternativa não tem apoio textual. O texto associa reconciliação a compreensão, conscientização e restauração do diálogo, isto é, a um esforço reflexivo e crítico. Não há qualquer elemento que autorize concluir que uma reconciliação livre e madura implique abdicação da racionalidade.
E
Certa
A alternativa E traduz, em paráfrase interpretativa, a linha argumentativa do texto. A autora afirma que o processo de reconciliação exige encarar "o outro lado" sem manter uma oposição rígida entre inocentes absolutos e culpados absolutos, compreender fatores sociais e relacionais dos conflitos e restaurar o diálogo. Por isso, o desafio apontado é buscar uma avaliação menos capturada pela polarização dos posicionamentos em conflito. A palavra "isenta", no contexto da questão, vale como afastamento da leitura maniqueísta, não como neutralidade moral absoluta.
Pegadinha da questão
A banca mistura uma alternativa correta inferencial e parafrástica com distratores montados sobre trechos reais do texto. A principal confusão está em tomar a citação sobre ódio e amor como ideia central ou em ler a preservação da responsabilidade do criminoso como recusa à compreensão das causas sociais do conflito.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a alternativa correta não repete o texto, verifique se ela resume a orientação argumentativa central sem distorcer o sentido.
  • Separe responsabilidade individual de compreensão contextual: o texto pode manter a primeira e exigir a segunda ao mesmo tempo.
  • Desconfie de alternativas que absolutizam um lado do conflito quando o texto relativiza a oposição entre "nós" e "o outro lado".

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Comentários

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O texto aborda a Justiça Restaurativa como um processo que busca reconciliação através do diálogo, ao invés da punição direta. Um dos pontos centrais do texto é que, ao tentar entender o “outro lado”, muitas vezes nos deparamos com aspectos de nós mesmos — o que exige uma avaliação mais isenta e menos polarizada dos conflitos.

Trecho-chave: “Muitas vezes, ao encarar ‘o outro lado’, a gente se dá conta de estar olhando no espelho e essa revelação é perturbadora.”

Isso exige:

  • Autocrítica.
  • Capacidade de superar posições extremas.
  • Análise mais neutra e empática dos lados envolvidos no conflito.

Gabarito: E

A: O texto não propõe que ódio e amor se convertam reciprocamente, mas sim que se ensine o amor em vez do ódio, conforme a fala de Nelson Mandela.

B: O texto não defende que uma das partes seja vista como moralmente superior — pelo contrário, ele mostra que todos são parte da estrutura.

C: O texto propõe compreender os fatores motivadores de conflitos, ou seja, não ignorar as razões de atos hostis.

D: Fala-se em uma reconciliação livre e madura, mas isso não significa abandonar a racionalidade; ao contrário, exige reflexão profunda.

A alternativa E é coerente com a ideia de que a reconciliação exige uma avaliação ponderada dos lados em conflito, especialmente em uma sociedade polarizada.

As demais alternativas:

  • A distorce a proposta do texto ao sugerir uma conversão emocional forçada.
  • B implica parcialidade, o que contraria o espírito da Justiça Restaurativa.
  • C ignora a necessidade de empatia e compreensão.
  • D associa reconciliação à irracionalidade, o que não se sustenta no texto.

A luta pela reconciliação encontra abrigo nesse setor da justiça. Partindo do princípio da isenção judicial...

A pessoa não sabe nem o que é o assunto e é convidada para palestrar sobre?

É por essa e outras que existem tantos coaches hoje...

" A luta pela reconciliação encontra abrigo nesse setor da justiça, e acredita que a reconciliação se faz por restauração do diálogo e não por cancelamentos ou prisões."

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