Sobre as questões históricas relativas à Primeira República ...
I. Durante a Primeira República, a sucessão presidencial transformou-se em um ritual de passagem de poder que contemplava um ajuste entre Minas Gerais e São Paulo, recomposto a cada quatro anos. Ocorre que Arthur Bernardes, representante dos interesses paulistas, desafiou esse arranjo não escrito, pondo fim à alternância de interesses mineiros e paulistas na condução da política nacional. Assim, nas eleições de 1930, sob a sua presidência, Artur Bernardes indicou outro candidato paulista e de seu partido para concorrer às eleições: Júlio Prestes, do Partido Republicano Paulista. Esse era o contexto político precedente à Revolução de 1930.
II. Nas eleições de 1930, aproveitando-se do desentendimento do Partido Republicano Mineiro (PRM) e do Partido Republicano Paulista (PRP), surgiu a Aliança Liberal (AL), uma frente de oposição que reunia pernambucanos, mineiros e gaúchos. Nos dois estados que aceitaram formar com Minas Gerais a candidatura de oposição (Rio Grande do Sul e Pernambuco), as elites estavam longe de identificar o país somente com os interesses dos cafeicultores.
III. A candidatura de Getúlio Vargas pela Aliança Liberal durante a eleição de 1930 foi apoiada por Luís Carlos Prestes, principal líder tenentista. Em seu exílio, Luís Carlos Prestes apoiou o programa da Aliança Liberal, fortalecendo a luta contra o regime oligárquico da “Política do Café com Leite”.
IV. A Revolução de 1930 não pode ser considerada um rompimento decisivo na história do país, pois não houve nenhuma mudança no sistema representativo brasileiro. Continuamos verificando após a Revolução de 1930 a defesa de interesses políticos e econômicos de uma única categoria social como ocorria anteriormente: a defesa dos interesses da aristocracia rural escravocrata, durante o Império, e a defesa dos interesses da oligarquia cafeeira, nos primeiros anos da República.