Com efeito, a compreensão do fenômeno linguístico como ativ...

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Q558346 Português
TEXTO 1
    O que é uma língua?
    A escola e, em geral, o consenso da sociedade ainda se ressentem das heranças deixadas por uma perspectiva de estudo do fenômeno linguístico cujo objeto de exploração era a língua enquanto conjunto potencial de signos, desvinculada de suas condições de uso e centrada na palavra e na frase isoladas. Nessa visão reduzida de língua, o foco das atenções se restringia ao domínio da morfossintaxe, com ênfase no rol das classificações e de suas respectivas nomenclaturas. Os efeitos de sentido pretendidos pelos interlocutores e as finalidades comunicativas presumidas para os eventos verbais quase nada importavam. Não foi por acaso que a exploração das classes de palavras, com todas as suas divisões e subdivisões, constituiu o eixo dos programas de português.
    Mas a integração da linguística com outras ciências, a abertura das pesquisas sobre os fatos da linguagem a perspectivas mais amplas, sobretudo aquelas trazidas pela pragmática, provocaram o paulatino surgimento de novas concepções. Com efeito, a compreensão do fenômeno linguístico como atividade, como um dos fazeres do homem, puxou os estudos da língua para a consideração das intenções sociocomunicativas que põem os interlocutores em interação; acendeu, além disso, o interesse pelos efeitos de sentido que os interlocutores pretendem conseguir com as palavras em suas atividades de interlocução; trouxe para a cena dos estudos mais relevantes o discurso e o texto, desdobrados nas suas relações com os sujeitos atuantes, com as práticas sociais e com as diferentes propriedades que asseguram seu estatuto de macrounidade da interação verbal.
    A língua, então, deixou de ser apenas um conjunto de signos; deixou de ser apenas um conjunto de regras ou um conjunto de frases gramaticais, para definir-se como um fenômeno social, como uma prática de atuação interativa, dependente da cultura de seus usuários, no sentido mais amplo da palavra. Assim, hoje, a língua assume um caráter político, um caráter histórico e sociocultural. Desse modo, todas as questões que envolvem o uso da língua não são apenas questões linguísticas; são também questões políticas, históricas, sociais e culturais. Não podem, portanto, ser resolvidas somente com um livro de gramática ou à luz do que prescrevem os comandos de alguns manuais de redação.
ANTUNES, Irandé. Língua, texto e ensino. Outra escola possível.
São Paulo: Parábola, 2009, p.20-21. Adaptado.
Com efeito, a compreensão do fenômeno linguístico como atividade, como um dos fazeres do homem, puxou os estudos da língua para a consideração das intenções sociocomunicativas que põem os interlocutores em interação;

No segmento: “... como atividade, como um dos fazeres do homem," as vírgulas são:
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: No trecho “como atividade, como um dos fazeres do homem,”, a segunda sequência retoma e explica a primeira, funcionando como segmento explicativo intercalado; por isso, as vírgulas são obrigatórias para isolar esse encaixe explicativo, o que confirma a alternativa A.

Tema central: vírgula em segmento explicativo
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque a pontuação do trecho decorre da regra de isolamento de segmento explicativo intercalado. Em “como atividade, como um dos fazeres do homem,”, “como um dos fazeres do homem” não acrescenta um item autônomo, mas explicita “como atividade”. Por estar encaixado no interior da oração, esse segmento exige vírgulas obrigatórias.
B
Errada
Está errada porque trata as vírgulas como facultativas e ligadas à ênfase. A base indica o contrário: a pontuação decorre da estrutura sintática e do valor explicativo do segmento intercalado.
C
Errada
Está errada porque não há enumeração de elementos autônomos. Embora haja repetição de “como”, o segundo segmento não acrescenta outro item coordenado; ele reformula e explica o primeiro.
D
Errada
Está errada porque a função dessas vírgulas não é indicar conclusão do pensamento. Aqui, elas apenas delimitam o segmento intercalado.
E
Errada
Está errada porque classifica a vírgula como facultativa e como mera opção estilística. A base afirma que, sendo um segmento explicativo intercalado, a pontuação é obrigatória para delimitar o encaixe no interior da oração.
Pegadinha da questão
A repetição de “como” pode induzir o candidato a ler o trecho como enumeração. A armadilha está em reconhecer que o segundo membro não é item de lista: ele explica o primeiro.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se o segundo segmento acrescenta item novo ou se apenas explica o anterior.
  • Quando um trecho aparece encaixado no meio da oração com valor explicativo, a vírgula tende a ser obrigatória, não facultativa.
  • Não trate pausa gráfica como marcador de conclusão sem apoio na relação lógico-semântica do período.

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Comentários

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gab. A

obrigatórias; isolam um segmento explicativo.

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